OP VENEZUELANO

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A “revolução bolivariana” tão desejada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez aposta na democracia participativa e não mais na democracia representativa. No momento em que o chefe do Estado chamou para si o poder de legislar e com um Congresso reduzido em suas atividades, milhares de conselhos comunais têm a missão de canalizar a participação das bases. A reportagem é do Le Monde, 24-4-2007. A tradução é do Cepat.

Conselho comunal, explosão do poder popular“, anuncia o cartaz vermelho preso a uma porta da cantina escolar que foi transformada numa sala de reunião. Lá fora, as ruelas se espalham pela montanha que paira sobre o centro de Caracas.

Antes mesmo que comece a reunião do conselho comunal de San Agustin Sur, o debate começa entre a dezena de participantes. Três jovens mulheres gostariam de reformar o jardim de infância. Outros acham que a construção de lixões é mais urgente.

“Antes, eram os funcionários e os políticos corruptos que decidiam. Agora, o conselho comunal toma conta da situação”, diz Efrain Antonio Gonzalez. Aos 56 anos, ele acaba de conquistar o seu diploma de estudos do segundo grau graças às “missões” educativas implantadas por Hugo Chávez. “O presidente já disse: `Todo o poder para o povo`”. “A revolução agora vai para frente”, fala, com orgulho. Uma vizinha o interrompe: “Em vez de ficar conversando, Chávez deveria exigir resultados dos seus ministros”. O tom da discussão torna-se um pouco mais forte.

Reeleito com 62,8% dos votos em 3 de dezembro de 2006, Chávez optou por apressar a construção do “socialismo do século 21” que vai inventando no decorrer dos seus discursos. Uma lei conhecida pelo nome de “habilitante” permite que legisle por decreto durante 18 meses. “O presidente Hugo Chávez quer passar o poder para a base. Os conselhos comunais são os canais de expressão desta democracia direta que deve incrementar a democracia representativa”, explica o novo vice-presidente da República, Jorge Rodriguez.

Os venezuelanos que apóiam a “revolução bolivariana” de Hugo Chávez enxergam no poder comunal um poderoso agente de transformação social e política. Aqueles que a temem também. Desde a adoção da lei que os criou em 2006, mais de 18 mil conselhos comunais – rurais e urbanos – já surgiram. Eles deverão atingir o número de 30 mil. Previsto para reunir entre 200 e 400 famílias que vivem numa mesma área, o conselho comunal, diferentemente das instituições tradicionais, define as suas fronteiras. A idade mínima para votar foi reduzida para 15 anos.

“Convencido da inoperância da sua administração pública e da corrupção, Hugo Chávez tenta provocar um curto-circuito nas instituições do Estado para se apoiar diretamente no povo”, explica Ana Maria San Juan – politóloga.

De acordo com a vice-presidência da República, os conselhos comunais receberam, em 2006, o equivalente em bolívares a 1,2 bilhão de euros (R$ 3,3 bilhões). E receberão mais que o dobro desta quantia em 2007, para reformar as calçadas aqui ou construir um centro para a juventude ali. “A revolução tem idéias e dispõe de muitos meios. O entusiasmo das pessoas faz o resto”, argumenta Hipólito Moreno, um colombiano vindo para trabalhar na implantação de um programa de renovação urbana.

Uma garçonete num pequeno bar do centro de Caracas, Dibisay conta que em Bello Monte, onde ela vive, o conselho comunal não foi constituído por falta de quorum nas reuniões. “As pessoas não acreditam ou não estão nem aí”, comenta. A patroa do estabelecimento acrescenta que no seu bairro, “os chavistas assumiram o controle do conselho”.

Na oposição, não faltam os que vêem nos conselhos comunais um instrumento de “cubanização” da Venezuela. “As declarações de alguns altos-funcionários dão margem à confusão, uma vez que eles apresentam os conselhos comunais como o prolongamento local da política governamental, ou ainda como a célula de base do novo partido”, destaca Elias Santana, diretor da Escola dos Cidadãos, uma organização sem fins lucrativos que promove a vida associativa e a participação popular. Elias Santana defende as suas teses nas páginas do El Nacional e da Tal Cual, dois diários favoráveis à oposição.

Segundo ele, “os conselhos comunais fazem parte de um movimento mais amplo e e dinâmico na América Latina, que tenta, principalmente por meio das experiências de “orçamento participativo”, aproximar a tomada de decisão política dos cidadãos”. Diferentemente dos “círculos bolivarianos”, aquelas associações que foram promovidas por um tempo por Hugo Chávez e que hoje estão praticamente desaparecidas, os conselhos comunais são concebidos como instituições.

“Grande como a França e a Alemanha juntas, a Venezuela conta atualmente com 335 municípios. Apenas a França mais de 36 mil” lembra Temir Porras, um alto-funcionário formado na França, na ENA (Escola Nacional de Administração). O vice-presidente venezuelano comenta, sorrindo: “Está vendo? Vocês então já têm os seus conselhos comunais!”

Mas, existe um problema que não é pequeno. Na Venezuela, os conselhos comunais são diretamente vinculados à presidência da República. A “comissão presidencial do poder comunal” decide, portanto, sobre a destinação dos fundos. Os mais fervorosos defensores do poder popular se mostram preocupados com isso. É o caso de Roland Denis, um antigo ministro do planejamento, que estima que “o caudilhismo do regime pode se ver reforçado com isso”. Ele considera, entretanto, que a criação dos conselhos comunais representa “uma esperança histórica de acabar de uma vez por todas com as estruturas do Estado burguês”.

Como articular os conselhos comunais com as instituições do Estado – as administrações regionais e as prefeituras -, das quais alguns revolucionários já pedem a extinção? Como conciliar a democracia direta com as necessidades do planejamento a longo prazo? Como evitar que políticos e burocratas controlem os conselhos comunais? “Muitas respostas ainda precisam ser encontradas”, admite o vice-presidente Rodriguez.

Bem que os conselhos comunais poderiam oferecer um novo quadro de ação para a oposição venezuelana, ausente da Assembléia Nacional por ter se retirado das eleições legislativas em 2005. “Para evitar que a Sua Majestade Chávez nos controle e nos vigie, assim como faz Fidel Castro, vamos aplicar uma regra elementar do judô: aproveitar-se do movimento do adversário para derrubá-lo. Vamos tomar à força os conselhos comunais ou infiltrar gente lá”, exorta o opositor Jésus Petit Da Silva.

Mas, para Elias Santana, “se a polarização política que opõe os chavistas aos antichavistas for para dentro dos conselhos comunais, a esperança de ver se instalar na Venezuela uma verdadeira cultura da participação popular vai desaparecer”.

 

 

SIMULADOR DE CRESCIMENTO

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There is no game over” in Cities: Skylines, just 400 or so citizens rattling around the remains of my city. Whole districts are abandoned, public services have been shut down, employment has collapsed and the budget is crippled by Greek magnitudes of debt. There is also no democracy, or I would have been voted out of office long before the lights went out. “Where has everybody gone? #ghosttown” peeps my timeline. I had tried to break the rules of the game, and ended up with a broken city.

I wanted to use Cities: Skylines to test an alternative economic model which challenges the assumption that growth is only good. In a world of finite resources, is it sensible, or even possible, to plan for infinite growth? Or as Tim Jackson asks, is it possible to achieve prosperity without growth? Could the game be bent to build a post-growth city where the economy is based on social exchange rather than consumption?

I lay out my post-growth city within a circle, as a finite boundary for development and a nod to the heritage of quixotic planning, from Howard’s Garden City to Burning Man’s Black Rock City. I start with a kind of unproductivity plan: keep growth slow and employment high. Jobs are in teaching, healthcare and public service – professions that contribute meaningfully to society and directly improve the quality of our lives. All energy production is renewable. Industrial districts are zoned for agriculture and forestry. There are no offices, no shops, and no landfill sites.

The soundtrack changes tone, from soft strings to a more ominous-sounding brass section
At first, it seems to work. People are healthy and well educated. Crime is almost non-existent. But my citizens are insatiable consumers, infuriated by the boredom of a good quality of life, and it doesn’t take long for them to balk at my pious, dematerialistic policies. I get complaints that “there’s nothing to do at weekends”. The blue bar, showing demand for commercial space, fills to the top. The game lectures me: “People want places to shop and enjoy themselves.” I’m tempted to placate them with a “Statue of Shopping”.

Ghost town. “There’s nothing to do on weekends. I would like to go shopping and eat out”.
The citizens grow restless. “There’s nothing to do on weekends. I would like to go shopping and eat out”
Instead, I invest more in public services. I build high schools, fire stations and bus routes. I plant trees on every street and put public spaces in every district. The logic of the game quantifies the benefits of this public infrastructure through private interests: “Parks and plazas raise the value of land around them, making citizens happy”. It also calculates infrastructure as a liability, which starts adding zeros to the expenses column of my budget. I’m soon pushing taxes up to 14% to balance the books, but this causes people to leave town in droves, shrinking my tax base and leaving behind vacant buildings.

Cities: Skylines challenge – can I build the world’s greenest city?
The soundtrack changes tone from soft strings to a more ominous sounding brass section. The game urges me to “Grow the city!” It offers policies to liberalise work-safety rules to boost productivity. I resist, but eventually have no choice but to take out a troika of loans at unfavourable rates. I’ve now been lured into a dependence on growth to service the public debt. But with no growth forthcoming, the city is on the brink of bankruptcy and I’m forced to accept the terms of a bailout.

Cities: Skylines’ answer to whether we can achieve prosperity without growth is a resounding no. The game’s boomtown model is of course incompatible with post-growth theory. But then I found other aspects of its code incompatible with my experience of the messy reality of working as an urban planner in London. The game doesn’t account for the joys and challenges of local politics, heritage, or hand-to-hand negotiation with developers. So was the decline and fall of my city a failure of my ambition, the game, or society? I’d suggest that the goal of the game – rapid urban growth from scratch – isn’t the goal we should have as city makers in the developed world. What we could really use is a game that helps us develop and test a compelling alternative.