SALVAR TODXS

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No dia em que o governo anunciou multa de R$ 250 milhões por danos decorrentes do maior desastre ambiental de Minas Gerais, a mineradora Samarco recebeu outra sanção: por determinação da Justiça Federal, a empresa terá de providenciar, imediatamente, o resgate da maior quantidade possível de peixes no Rio Doce. Os rejeitos de mineração mudaram a paisagem por onde passaram e estão a caminho de Baixo Gandu, Colatina e Linhares (ES). As informações são da agência Folhapress.

A decisão ainda responsabiliza a empresa por analisar as espécies do ambiente fluvial e marinho, antes e depois da passagem da onda de lama. Os peixes recolhidos devem ser levados para tanques onde sejam mantidos vivos até a redução do nível de poluição que permita que os animais sejam devolvidos ao rio.

A determinação resulta de ação civil do Ministérios Público do Espírito Santo e do Ministério Público Federal. Além da Samarco, empresa controlada por Vale e BHP – a maior mineradora do mundo –, Agência Nacional de Águas (ANA), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) são réus na ação.

SAMARCO/VALE E O MUNDO – PARECER DE OPERAÇÃO

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SOBRE ROLEZINHOS

[texto original]

Todo verão é a mesma merda: uma hora, a temperatura ultrapassa os quarenta graus e os 197 km de litoral da cidade do Rio de Janeiro bombam sinistramente. Um trecho em especial, Copacabana e Ipanema, concentra a maior parte da malha hoteleira da cidade, multiplicando sua já numerosa população. Os preços extorsivos de qualquer coisa comercializada nas areias, de cadeiras e sombrinhas a cerveja e outras drogas, se multiplicam na mesma escala. Por consequência, a chapa esquenta; assim, os assaltos, as arbitrariedades policiais e as brigas que ocorrem todo fim de semana ficam mais evidentes e expressivas. Neste ano, o verão chegou mais cedo: após alguns fins de semana de chuva e tempo ruim, o clima finalmente abriu – e, no domingo, dia 20, a praia lotou. Além dos gringos de sempre, somou-se àquela multidão no local gente vinda de outros estados que colara na cidade para o Rock in Rio e resolveu dar aquela esticadinha. No inicio do dia, estava tudo tranquilão, mas, à medida que ia entardecendo, começaram a circular, via Facebook e WhatsApp, notícias e imagens das tretas. Só que, desta vez, além dos “arrastões”, circulavam imagens de ações aparentemente organizadas de justiceiros. A mais notória delas mostra um menor sendo tirado de dentro de um ônibus e espancado.

O cenário não é novidade: nos anos 90, enquanto Royce Gracie consagrava a superioridade do jiu-jítsu brasileiro no estreante UFC, seus discípulos davam demonstrações grátis disso nas areias. S, 45 anos, cria de Copacabana, conta como era: “A rapaziada ficava de bicho na praia. Se rolasse arrastão, a gente revidava e logicamente metia a porrada, porque as galeras do subúrbio não tinham condições de enfrentar um time de 20, 30 lutadores treinados. Não tinha justiceiro. Era só legítima defesa mesmo”. O termo cunhado na época para essa galera era “pit boy”.

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Pra quem olha de fora, pode ser difícil entender, mas essa história vai muito além de uma simples luta polarizada entre zona sul e zona norte ou entre favela e asfalto. Os anos 90 foram marcados pela evolução e consolidação do funk carioca, que ecoava dos bailes em praticamente toda favela do Rio até os walkmans nos pátios das escolas particulares mais tradicionais. Copacabana e Ipanema vistas de cima são uma tripa de prédios espremidos entre favela e praia – e, nesses extremos, muitos laços se formaram. Amizades forjadas no surf ou nas peladas na areia continuavam à noite nos bailes do Chapéu Mangueira, Tabajara e Cantagalo. Era a época em que rolava baile de corredor em clubes como o Pavunense, na Baixada; no entanto, nos bailes de comunidade nunca pôde ter briga (inclusive, galeras rivais podiam frequentar), mas na rua era diferente. M, 34 anos, frequentador do Baile do Chapéu Mangueira, conta como aquilo funcionava: “Naquela época, você era Lado A ou Lado B: não tinha nada a ver com facção, talvez com torcida de futebol, mas cada galera era de um lado. Aqui, no Lido (Copacabana), nossa galera era Lado B. A galera do Rajah (em Botafogo) era Lado A. Quando o ônibus deles cruzava o túnel, já levava pedrada. Se a gente se encontrava na praia, dava briga: era certo de todo fim de semana rolar briga ali, na altura da Prado Júnior”. Quando a briga começava, quem não tinha nada a ver saía correndo, deixando seus pertences pra trás. Aí já viu: não sobrava nada. Um dia, a Rede Globo resolveu escalar um câmera para registrar o episódio que se repetia todo fim de semana – e daí ela cunhou o termo “arrastão”. M insiste que é tudo balela. “Aquilo não era arrastão, era briga de galeras. O que acontece hoje também não é arrastão, é roubo! Arrastão é quando as facções fecham a Linha Vermelha ou Amarela e assaltam todos os carros.”

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TEXTO-MEIO

De lá pra cá, muito mudou: a virada do século marcou um período de expansão e lucros astronômicos no mercado carioca de drogas. Embora os confrontos entre facções e policiais não fossem incomuns, essas facções sempre souberam que chamar muita atenção, sobretudo na zona sul, atrapalhava os negócios. Sendo assim, as lideranças daquela época coibiam crimes como assalto ou estupro – não só dentro das comunidades como no asfalto (em áreas próximas à entrada dos morros). Com o advento da política de pacificação das favelas, as facções não deixaram de controlar e comercializar drogas nas comunidades, porém perderam esse poder de polícia. Como consequência, ondas de roubos e “arrastões” voltaram a ocupar as manchetes. Com os morros “babados”, bocas de estica começam a se multiplicar: hoje em dia, praticamente toda esquina de Copacabana tem um estica ou um avião, fora toda a rapaziada que opera sistemas de “delivery” de drogas de dentro de seus apartamentos. Nenhum desses caras está muito feliz com a onda de assaltos, sobretudo com o policiamento reforçado que ela acarreta. Corre pelo bairro o boato de que, no último fim de semana, galeras do Tabajara e do PPG (Pavão-Pavãozinho-Cantagalo) também patrulharam o bairro, lado a lado dos chamados justiceiros. E eles pretendem repetir a dose no próximo fim de semana.

No verão passado, após uma onda de assaltos a ciclistas no Aterro do Flamengo, um menor, supostamente infrator, foi espancado e preso a um poste por uma tranca de bicicleta. A imagem do menino negro nu remetia às ilustrações de pelourinhos dos livros de história, circulando o mundo com todos os tipos de legendas imagináveis. Ninguém nunca foi condenado, mas tudo indica que os autores desse ato foram uma quadrilha que controla o tráfico de drogas na Praça São Salvador, point frequentado por estudantes boêmios e midiativistas. Essa quadrilha coleciona condenações por homicídio e latrocínio, além de ser suspeita de agressões contra homossexuais na região. Alguns membros dela já foram presos algumas vezes, embora sempre acabem voltando ao mesmo bat-local.

Como dono de um pequeno negócio em Ipanema, fiquei sabendo de uma reunião que rolaria para avaliar as ações recentes de vigilantismo no bairro e estabelecer parâmetros a fim de que não se repitam as cagadas do último fim de semana. A reunião foi cancelada em cima da hora, porém uma dúzia de moradores acabou se encontrando de qualquer maneira no local combinado. Não seria ético – nem saudável – revelar muitos detalhes, muito menos as táticas combinadas, mas vou tentar transmitir o clima pra vocês.

O papo foi rápido e informal: primeiro, o pessoal ficou conversando sobre o fim de semana passado, quase uma retrospectiva dos “melhores momentos”. Um dos episódios lembrados foi a invasão do ônibus 474 para, segundo eles, tirar de lá de dentro um menor que havia sido visto roubando um pouco antes. “Os próprios caras lá do ônibus não fizeram nada para conter a gente porque sabiam que ele tinha vacilado.” Algumas risadas depois, acabaram concordando que aquilo foi errado e que eles não estavam lá para quebrar ônibus. Também criticaram uma situação em que um menor foi posto pra correr de um McDonald’s, sendo que ele havia inclusive comprado um lanche. A descrição da cena era quase um esquete de Os Trapalhões.

Apesar de essas pessoas estarem em contato através de grupos de Facebook e WhatsApp, deu pra sacar que não existe uma organização vertical ou mesmo uma ideologia definida entre os chamados justiceiros. Vários desses grupos de Facebook foram criados originalmente para denunciar roubos e assaltos nos bairros da Zona Sul, mais ou menos da mesma maneira que moradores de favelas criam grupos para denunciar abusos cometidos pela polícia e pelas forças de ocupação. Mesmo assim, como qualquer outro grupo de Facebook, o povo gosta mesmo é de ficar tretando online. Dia desses, um pateta postou no grupo “Copacabana Alerta” um texto dizendo que algo deveria ser feito para reprimir a Marcha da Maconha (que acontece em maio) e os maconheiros, pois “eles financiam o tráfico”. Felizmente, o cara foi esculhambado sumariamente nos comentários por internautas maconheiros e caretas.

Antes de a reunião terminar, cheguei a escutar alguns áudios do grupo de WhatsApp: num deles, um cara de uma academia de jiu-jítsu da zona norte falava que ia descer até a praia com seu bonde para reforçar o patrulhamento. Em outro áudio, um sujeito descrevia que estava a bordo de um 474 ouvindo uns moleques tirando onda, falando que eram do #Coreto e iam roubar na praia no fim de semana: “Eles eram franzinos e magrinhos!!! A gente vai ter de ter cuidado para não matar nenhum desses caras, mas tem de os mandar de volta pra casa maquiados”.

Bairrismo, interesses financeiros, ódio social ou simplesmente um vício pela violência? É difícil dizer qual delas – se não todas – é a motivação que leva à formação desses grupos, seja ela espontânea ou organizada. O que eu posso afirmar é que isso não começou semana passada, não vai acabar nesta semana e provavelmente vai se repetir durante as Olimpíadas.

ECOLOGIAS POLITICAS

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Much of the waste from 600 abandoned mines around South Africa’s largest city is piled high next to residential communities – most of which are poor and black

Johannesburg's Soweto Riverlea neighbourhood under a slag heap from a gold mine.
Johannesburg’s Soweto Riverlea neighbourhood in the shadow of a gold mine slag heap. Photograph: Alamy

Up close, it’s a different story. Rasalind Plaatjies has lived in the shadow of a “tailing” – as these piles of mine waste are known – all her adult life. Today, the 62-year-old grandmother from the city’s Riverlea district suffers severe respiratory problems. For 16 hours a day, she is hooked up to an oxygen tank, her lungs debilitated by dust from the waste heap.

“Sometimes I don’t have the energy to get up. I just have to stay in bed and do nothing,” she says. She feels fortunate, though. A number of her elderly neighbours have died from respiratory disease.

Plaatjies is one of tens of thousands in Johannesburg’s impoverished townships who are paying a high cost for the city’s rich mining past. More than 600 abandoned mines surround South Africa’s largest city, with much of their waste now piled up high next to residential communities – most of which are poor and black.

Rasalind Plaatjies, 62, suffers severe respiratory problems. ‘Sometimes I don’t have the energy to get up.’
Rasalind Plaatjies has severe respiratory problems. ‘Sometimes I don’t have the energy to get up.’ Photograph: Melusi Nkomo

Residents here fear the wind most. When it blows, fine particles from these man-made dumps are carried up into the air and deposited on to residents’ homes. It is no ordinary dust, either: the residue of decades of mining, it can contain traces of everything from copper and lead to cyanide and arsenic.

“During August and September, the dust is terrible. You stop cleaning the floor after a while. It’s just useless,” says Plaatjies.

In the local clinic, respiratory cases such as tuberculosis and asthma are ubiquitous across all age groups, says Musa Mbatha, chairman of the clinic’s civic committee. Rashes and skins diseases are commonplace, too.

“People can’t afford to buy food every day, so they leave the food and it gets contaminated,” Mbatha adds. “The government said that it would do a survey of the health impacts of the mining dust, but until today it hasn’t happened.”

An even more dangerous pollutant is lurking in Johannesburg’s mine dumps, however: radioactive waste. According to one university study, an estimated 600,000 metric tonnes of radioactive uranium are buried in waste rock in and around Johannesburg – around three times what was exported during the Cold War.

“[Johannesburg] is undoubtedly the most uranium-contaminated city in the world,” says Dr Antony Turton, a professor at the University of Free State’s Centre for Environmental Management.

Uranium naturally occurs in reefs alongside gold, meaning the two are often excavated at the same time. For every tonne of gold mined in the Witwatersrand gold fields – the southern sections of which border western Johannesburg –between 10 and 100 tonnes of uranium were also mined.

An aerial view of mine dumps near Johannesburg.

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An aerial view of mine dumps near Johannesburg. Photograph: Richard Du Toit/Minden Pictures/Corbis

“For most of the gold mines, uranium was merely a waste product and therefore dumped without being recovered. Those tailing disposal facilities therefore have a relatively high uranium concentration today,” Turton says.

Without the proper precautions in place, ore-bearing uranium leaches from the tailings and enters as run-off into surrounding streams and wetlands. A similar process occurs in abandoned mines underground, with polluted water seeping through porous rock as the mines flood.

Despite its vast reserves of groundwater, Johannesburg pumps most of its drinking water from Lesotho – more than 380km away – because its own water reserves are too polluted.

Mine waste is also removed illegally from tailings for use in the manufacture of bricks and for other construction purposes, some environment groups allege. Potentially, the physical infrastructure of Johannesburg could be becoming radioactive as well.

The release of uranium in dust form can be exacerbated by the re-mining of tailings – a process that happens in various locations across the city. The companies involved in this re-mining maintain that they are providing an environmental service by removing waste and depositing it in modern tailings that are better regulated.

David van Wyk, chief researcher at the Bench Marks Foundation, a church-funded non-profit based in Johannesburg, is sceptical about mining companies’ environmental practices. “When the uranium price is very low, the mining companies simply dump it. That’s why the dust is yellow. We call it ‘yellow cake’,” he says.

Bench Marks, which receives support from UK charity Christian Aid, is mid-way through a three-year impact assessment of pollution levels in an around Johannesburg’s Soweto district. By systematically tracking air and water contamination, Bench Marks hopes to provide a scientific basis for the alleged health impacts of the tailings.

A handful of randomised spot-checks reveal the extent of the pollution problem. For example, in a narrow run-off canal immediately opposite Soccer City, site of the 2010 Fifa World Cup final, van Wyk picks out the colours along the bank: red for iron, white for sulphur, green for copper, yellow for uranium, and so on.

The pH level measures 4.6: within the range for acid rain (neutral water has a pH level of 7). The figure for Total Dissolved Solids (a measure of minerals, metals and other insoluble materials), meanwhile, is 2,000 parts per million – four times higher than the guideline amount in the US.

A street in the Riverlea township. Rainy season causes polluted water from Johannesburg’s mine dumps to flood into local water courses.
A street in the Riverlea township. Rainy season causes polluted water from Johannesburg’s mine dumps to flood into local water courses. Photograph: Oliver Balch

“When it floods, this just goes straight into the river. You’d expect the government to check that the mine water isn’t spilling into local watercourses, but they are not,” van Wyk says. “This is happening in the centre of South Africa’s largest city, close to the Department of Environmental Affairs’s main office. If they can’t regulate so close to their headquarters, just imagine how bad it is elsewhere?”

A few miles away, the township of Diepkloof in Soweto catches the run-off from several large tailings. A few hundred feet from residents’ front doors, a run-off canal has burst its banks. A hardened white wasteland now stands where reeds and plants used to grow. A lifeless stream runs next to it. The soil’s surface, meanwhile, is scuffed with the imprint of cattle hoofs and children’s feet. The soil has a pH of 2.67 – more acidic than vinegar.

Just downstream, an evangelical church carries out full-immersion baptisms in the water, points out Charles van der Merme, a representative of the non-profitMining and Environmental Justice Community Network of South Africa. “They think they are cleansing themselves,” he says. “Who knows? Perhaps it kills all the devils in you.”

David Van Wyk, research director of charity Bench Marks, tests water in a run-off canal in Soweto.

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David Van Wyk, research director of charity Bench Marks, tests water in a run-off canal in Soweto. Photograph: Melusi Nkomo

Bench Marks does not currently have a Geiger counter, but even the Chamber of Mines of South Africa admits that radioactive contamination is a “major problem”.

Five years ago, the government identified 36 “priority areas” affected byradioactive acid mine drainage for remediation. Today, not a single one of these sites has a feasible implementation strategy in place. According to the Cancer Association of South Africa, the health of up to 400,000 people could be affected.

“It’s totally inappropriate that communities live on waste that is widely accepted to be toxic and radioactive,” says Mariette Liefferink, chief executive of theFederation for a Sustainable Environment.

According to the Chamber of Mines, all current re-mining meets regulations that prohibit radioactive contamination run-off. The problem lies instead with the owners of historic dumps that “cannot be traced or are not in a position to take responsibility for the required remedial measures,” the industry body states.

For its part, DRD Gold, which is currently involved in secondary gold mining of the Diepkloof tailing, says it is “constantly searching for new methods of dust suppression”. Among the measures it is currently using are netting and vegetation growth. Neither were visible on the Diepkloof dump, however.

According to the company, DRD Gold spends up to R48m (£2.5m) a year managing the environmental impacts of its operations, which stretch over 70km around the city. “Any [pollution] readings that exceed the legal limits are automatically flagged and managed in terms of an automated action list”, a company spokesperson stated.

For those living in the shadow of the dumps, a sense of hopelessness pervades. Sixty-two-year-old Stella Adams, a long-term resident of Diepkloof, has written to numerous government departments to complain about the high levels of dust in her home. “All I am asking for is some vegetation [on the tailing]. I am just asking for the most basic thing,” she says. “But nobody has ever given me a hearing … so I have lost hope.”

Adams’s grandson developed asthma shortly after moving into her home six years ago. Her sister recently died from lung cancer, despite never having smoked. Adams assumed the cancer was hereditary, so made no mention to doctors of the nearby tailing. “Now I wonder if it had to do with the mine after all.”

As well as cancer, high radioactive levels are linked to other health risks such as Parkinson’s disease, Alzheimer’s, neurotoxic syndromes and growth deficiencies. Even so, residents in Johannesburg’s poor townships have little choice but to stick it out.

In the Soweto district of Meadowlands, for example, hundreds of government-built houses are currently going up in the Fleurhof extension community. Mine dumps tower above the development on all sides. Yet, despite knowing the dangers, 41-year-old Charles van der Merme says he would move there “in a flash”.

One of the millions of unemployed residents in this city of 4.8 million, he and his family currently live with his parents-in-law in the township of Riverlea. “I applied for a government house in 2000 and I’m still homeless,” van der Merme says. “Despite all the ills from the mine dumps, I would like a house of my own. Where else can I go?”

EQUADOR E O BEM VIVER: RELACIONAMENTOS

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Oil and gas blocks in Ecuador

Ecuador is planning to auction off three million of the country’s 8.1 million hectares of pristine Amazonian rainforest to Chinese oil companies, Jonathan Kaiman of The Guardian reports.

The report comes as oil pollution forced neighbouring Peru to declare an environmental state of emergency in its northern Amazon rainforest.

Ecuador owed China more than $7 billion — more than a tenth of its GDP — as of last summer.

In 2009 China began loaning Ecuador billions of dollars in exchange for oil shipments. It also helped fund two of the country’s biggest hydroelectric infrastructure projects, and China National Petroleum Corp may soon have a 30 per cent stake in a $10 billion oil refinery in Ecuador.

“My understanding is that this is more of a debt issue – it’s because the Ecuadoreans are so dependent on the Chinese to finance their development that they’re willing to compromise in other areas such as social and environmental regulations,” Adam Zuckerman, environmental and human rights campaigner at California-based NGO Amazon Watch, told the Guardian.

The seven indigenous groups who live on the land are not happy, especially because last year a court ruled that governments must obtain “free, prior, and informed consent” from native groups before approving oil activities on their indigenous land.

“They have not consulted us, and we’re here to tell the big investors that they don’t have our permission to exploit our land,” Narcisa Mashienta, a leader of Ecuador’s Shuar people, said in a report.

Dan Collyns of The Guardian reports that “indigenous people living in the Pastaza river basin near Peru’s border with Ecuador have complained for decades about … pollution,” which has been caused by high levels of petroleum-related compounds in the area. The Argentinian company Pluspetrol has operated oil fields there since 2001.

IPATINGA E A INDUSTRIA

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Ipatinga sucumbe ao fraco desempenho da siderurgia
Usiminas trabalha na redução de custos, com foco no aumento da eficiência operacional

O município de Ipatinga, no Vale do Aço, assim como toda a região, enfrenta desde 2009 o enfraquecimento da siderurgia, atividade em que se apóia praticamente toda a economia local. Este ano, porém, o mergulho na crise ganhou profundidade, uma vez que, além da desvalorização do aço, a indústria naval e de óleo e gás também atravessam dificuldades com perspectivas de se manterem no longo prazo.

Fornecer para a indústria do petróleo foi uma tentativa de diversificar a economia e diminuir a dependência da Usiminas, mas a crise na Petrobras inviabilizou esse plano. Na siderurgia, a queda no consumo de aço por seus principais clientes, como a indústria automotiva, exige ajustes nas despesas da Usiminas.

Com perspectivas de aumento, as demissões na indústria siderúrgica e em seu cinturão de fornecedores já se confirmou, com reflexos sentidos no comércio e no poder público.

De janeiro a maio deste ano foram recebidos pelo Executivo R$ 61 milhões em ICMS, montante R$ 8 milhões inferior ao de igual período de 2014. “Quando a Usiminas reduz sua atividade, as empreiteiras reduzem também. A prefeitura arrecada menos e o comércio vende menos. Não tem como fugir disso, uma vez que é a maior empregadora da cidade”, disse a prefeita, Cecília Ferramenta (PT).

No comércio, placas de “aluga-se” são cada vez mais comuns, com fechamento de lojas ou mudança para pontos comerciais menores. “O comércio não é uma ilha. Se o setor de aço vai mal e a alternativa que se tentou não deu certo, vamos ter impacto. É um efeito cascata, com a redução do poder de compra dos trabalhadores”, disse o presidente da Associação Comercial de Ipatinga (Aciapi), Luís Henrique Alves.

O menor poder compra é explicado pelo diretor do Sindicato dos Metalúrgi-cos de Ipatinga (Sindipa), Geraldo Magela. “A Usiminas alega que por causa da crise não pode dar reajuste real na campanha salarial, e esse argumento é acompanhado pelas terceirizadas”, disse.

GANHO

Magela informou que na campanha salarial 2013/2014 o ganho real foi de 0,58% na Usiminas e seguido exatamente igual pelas outras empresas da base do sindicato. De 2014/2015 foi apenas a correção da inflação.

A Usiminas fez uma proposta de redução da jornada de trabalho com equivalente redução salarial aos trabalhadores. O sindicato já recusou. “A estimativa atual de queda no consumo aparente de aços planos no Brasil é de 6% frente a 2014. Em face deste cenário econômico adverso, a Usiminas permanece trabalhando em redução de custos, com foco maior no aumento da eficiência operacional de suas linhas de produção e com o objetivo de preservar, ao máximo, seus trabalhadores”, disse a empresa, em nota.