REMOÇÕES

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postado em 24/08/2015 08:53 / atualizado em 24/08/2015 10:01

Ed Alves/ CB/D.A Press
A remoção de muros e cercas do Lago Paranoá começou na manhã desta segunda-feira (21/8). As edificações serão derrubadas em uma área de 30m a partir da margem do espelho d’água. Neste primeiro momento, ficarão de fora construções como píeres, churrasqueiras e quadras de esporte.

A ação começará pela QL 12, conjunto 8, do Lago Sul, e seguirá para outros pontos. Concluída essa primeira fase, toda a orla será desocupada. A partir daí, o governo deverá se preocupar em dar um destino para as construções que sobraram em Área de Preservação Permanente (APP).

Um acordo foi firmado entre o Ministério Público do DF e o GDF, em cumprimento à sentença judicial que determina a desobstrução da orla.
 
Vicente Pires
No início do mês a Agência de Fiscalização do DF (Agefis) promoveu operação de derrubada de construções irregulares na Chácara 200, Rua 8, em Vicente Pires. Moradores resistiram à ação e fizeram barricadas usando carros.
Em forma de protesto, os moradores fecharam vias e atearam fogo a pneus na ocasião. Várias construções foram demolidas, mas algumas pessoas conseguiram liminares na Justiça para evitar a derrubada.

 

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SOBRE RECUSAR A MORTE

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Legado olímpico: Dona Penha sabe que a sua casa pode ser demolida a qualquer momento por causa da realização dos Jogos Olímpicos no Rio. A partir de 2018, aquela área será ocupada por condomínios de luxo. “Se os pobres acabarem, quem vai trabalhar para os ricos?”

Há uma máquina de lavar roupa e uma secadora à porta da Igreja Católica São José Operário, na Barra da Tijuca. Quando Dona Penha e a filha Natália pensaram que a casa delas ia ser demolida na quarta-feira, elas tiraram tudo o que conseguiram à pressa e levaram para a igreja. Foi assim que um colchão azul de flores amarelas, caixas, baldes, sacos, móveis, ventoinhas e mais do que um relance consegue apurar – Natália não queria jornalistas por perto e, quando os jornalistas apareceram, não quis fotografias – acabaram amontoados dentro da igreja, vigiados por uma cruz minimalista como um T.

Três casas da Vila Autódromo foram derrubadas no mesmo dia por uma retroescavadora, por decreto da prefeitura (Câmara Municipal) e com mobilização da tropa de choque. Dona Penha e Natália estavam certas de que a sua casa ia ser a próxima – afinal, ela também estava incluída no decreto. Nos últimos dois anos, Dona Penha e Natália viram a maior parte dos seus vizinhos irem embora e a comunidade virar um cenário de catástrofe. Como se um tornado tivesse passado por aqui, as casinhas de tijolo, construídas pelos seus moradores, foram reduzidas a entulho, as ruas deixaram de existir e só sobrou lama, lixo e buracos.

Nenhum tornado passou por aqui. A comunidade de cerca de 550 famílias de baixo rendimento foi removida voluntariamente ou involuntariamente por causa da construção do Parque Olímpico, o principal centro das competições das Olimpíadas do Rio de Janeiro, que começam a 5 de Agosto. Chega-se ali atravessando a Barra da Tijuca, na zona Oeste do Rio, em toda a sua longitude de shoppings de inspiração norte-americana e condomínios – uma hora de congestionamento, no mínimo, para quem vem da zona Sul. Novos condomínios de luxo foram erguidos nos últimos anos, como a “vila”, intitulada Ilha Pura, onde os atletas olímpicos vão ficar alojados. Toda esta área em torno da Lagoa de Jacarepaguá sofreu uma intensa transformação urbanística, que continua em curso. Torres de múltiplos andares eclodiram no meio do mato. A avenida de acesso ao Parque Olímpico está a ser ampliada e pavimentada. As nove instalações desportivas do Parque Olímpico – onde serão disputadas 16 modalidades – estão praticamente concluídas. Não há como chegar lá sem ver a Vila Autódromo. Ou que resta dela: uma dezena de casas de tijolo dispersas entre ruínas e bananeiras, terra revolvida com pilhas de entulho, poças de água povoadas de mosquitos. E graffiti: “Não vamos sair!”

Se os Jogos Olímpicos fossem hoje e não daqui a cinco meses, os jornalistas acomodados no hotel espelhado de quatro estrelas dentro do Parque Olímpico teriam vista para a Vila Autódromo. Com os seus 22 andares, o hotel deve fazer sombra na Vila Autódromo a certas horas do dia.

Famílias como a de Dona Penha e Natália são as últimas resistentes. Resta menos de 10% da comunidade que existia em 2013.

“A minha família e outras desejam ficar. Essa é a nossa luta diária”, diz Penha Macena, 50 anos, muito magra e muito morena. “O prefeito recentemente falou que quem quisesse ficar podia ficar sem problema. Só que tudo o que acontece é justamente o contrário. Agora que está perto [a Olimpíada] é que a pressão está aumentando mesmo. A Guarda Municipal está aqui 24 horas. Na realidade, eles pensavam que nessa altura do campeonato já não teria ninguém morando aqui.”

“A gente gosta de morar aqui”
Muitos dos moradores da Vila Autódromo – que tem essa denominação por se encontrar nas imediações do Autódromo Nelson Piquet, que entretanto foi demolido para construir o Parque Olímpico – estão no local há 20 anos ou mais e receberam o título de concessão de uso por 99 anos da Secretaria de Habitação do Estado do Rio de Janeiro. Em 2005, parte da comunidade foi decretada área de especial interesse social, o que lhe confere um estatuto diferenciado, destinado a agregados familiares de baixo rendimento. “Então a gente está no lugar”, frisa Francisco Marinho, 55 anos, vigilante nocturno num condomínio que se avista da Vila Autódromo. “Nós somos legalizados aqui, não somos invasores. Tudo o que tem aqui foi construído pela gente. A prefeitura só entra aqui para tirar o lixo.” Francisco mora aqui há 15 anos. A filha habita o andar de cima da casa. “Há mais de 30 anos que não tiro férias. Me ferrei a trabalhar e todas as minhas economias apliquei nessa casa. Essa é a minha primeira casa própria. Para fazer bonito para os gringos, vou ter que sair da minha casa?”

OS POBRES DE HARDT E NEGRI

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Silmara Silva poderia ter ficado mais duas horas na avenida Paulista para tentar vender as jóias que ela mesma faz, mas a forte ventania e as ameaças de chuva a fizeram voltar para casa. Ou, dito melhor, para “o prédio”. É assim que a artesã de cabelos vermelhos define a ocupação onde ela mora no bairro da Liberdade, na região central de São Paulo.

O imóvel de onze andares era da Telesp, a antiga operadora de telefone do Estado de São Paulo. Ela conta que está abandonado há 15 anos. “Apesar disso, está em boas condições, a luz e a eletricidade nunca foram cortadas, e a gente fez uma vaquinha para consertar um dos elevadores”, acrescenta a mulher, vestida de uma longa saia feita por uma amiga artesã. Na fachada do prédio, é possível ler nas bandeiras vermelhas penduradas as palavras “Terra Livre”. É o nome de um dos grandes movimentos populares de moradia da metrópole paulista.

Fotos: Lamia Oualalou/Opera Mundi

Refugiados ocupam, junto com sem-tetos, prédio no centro da capital paulista

Originaria de Rondônia, Silmara veio para São Paulo sete anos atrás para fazer um curso de cabeleireira. Ela viajou com uma mala e a filha de quatorze anos. Colorista, trabalhou em vários salões até janeiro passado, quando ela desenvolveu uma alergia ao formol usado nas escovas progressivas. “Fiquei desempregada, gastei todo meu dinheiro guardado para pagar os médicos, já que não tenho plano de saúde, não dava mais para pagar aluguel; foi quando uma amiga me apresentou o Terra Livre”, conta. Um mês de ocupação, em outro prédio, no bairro de Pinheiros (zona oeste de São Paulo), foi suficiente para convencer a cabeleireira de virar militante do movimento. “Mas é que, quando cheguei aqui, tudo mudou, porque a galera é muito especial. Daí virei coordenadora do prédio, cuidando deles, além do meu trabalho”, diz Silmara, convidando o visitante a subir no elevador.

Ocupando o imóvel há apenas 40 dias, a tal “galera” é constituída por 60 famílias, das quais 20 vieram da Síria. “Temos dois sírios, três egípcios, mas a grande maioria é composta de palestinos que já eram refugiados na Síria. Todos tiveram que deixar o país por conta da guerra”, conta. Alguns chegaram diretamente do aeroporto, outros foram encaminhados por mesquitas, onde eles dormiam, esperando um teto. “Quando eles chegam, organizações da sociedade civil como Caritas encontram um lugar para eles, mas não podem ficar mais do que 90 ou 120 dias, depois, eles têm que se virar. Não é fácil, já que muitos não têm a documentação em dia, não têm trabalho, e, sobretudo, não sabem falar português”, diz a rondoniense. Os refugiados ocupam os três últimos andares do prédio, enquanto os sem-tetos brasileiros estão nos seis primeiros.

Apesar da distância entre Síria e São Paulo, o Brasil é hoje a nação que mais concedeu asilo a refugiados sírios na América Latina. A Agência da ONU para refugiados (Acnur) calcula que já são 2.077 no território nacional. Eles são atraídos pela presença de uma comunidade sírio-libanesa desde o século passado, mas também pela facilidade de se conseguir asilo. Em 2013, o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) adotou uma resolução para desburocratizar a emissão de vistos para cidadãos sírios e outros estrangeiros afetados pela guerra. As facilidades expirariam no fim do mês de setembro, mas o governo as prorrogou.


A artesã Silmara Silva coordena o “prédio”, como ela mesma chama, no qual moram também sírios, palestinos e egípcios

Yahya Moussa é um dos refugiados que se beneficiou desta burocracia mais flexível. Ele chegou ao Brasil nove meses atrás. Após um tempo na mesquita de Guarulhos, o homem, de cerca de 45 anos, conseguiu trazer a esposa, Zubeida, e a filha do casal, Alma. “A gente considera o Brasil como uma nação mãe, sabe”, explica o pai de família, em árabe. “Conseguimos tirar um visto no Consulado do Brasil em Beirute, onde nos refugiamos depois de fugir de Damasco. Os outros consulados não queriam saber nada da gente”, completa. Após três anos de espera no Líbano, a Europa, mais próxima, já não era mais uma opção. “Uma parte da minha família morreu afogada no Mediterrâneo. Um pai, uma mãe, e dois filhos. Não podíamos correr este risco”, relata Zubeida, cujos cabelos são cobertos por um véu discreto.

A vida no Brasil não é fácil. Ao contrário do que acontece em países europeus, o governo não proporciona nenhuma ajuda para encontrar um emprego ou um teto. “Não importa. Pelo menos aqui, nossa filha vai todos os dias para escola, não tem mais medo. Em quatro meses, já aprendeu o português”, insiste Yahya. Para sobreviver, ele arrumou um bico num pequeno restaurante que faz sanduíches falafel. “Quando falar português, vou conseguir algo melhor”, assegura, cheio de esperança.


No local onde a família de Yahya está acampada, há apenas colchões, um sofá velho e uma mesinha

A questão da moradia, porém, é crítica. Além da pequena renda, Yahya não tem nenhuma condição de arranjar um fiador. “O movimento de sem-tetos demonstrou uma linda solidariedade conosco, não sei quanto tempo a gente vai poder ficar nesta ocupação, por enquanto, não temos outra opção”, completa o palestino. Como todos seus companheiros, ele ficou impressionado pelo alto custo de vida em São Paulo.

Na sala onde a família está acampada, há apenas dois colchões, um velho sofá recuperado, e uma mesinha onde eles convidam o visitante para beber o chá. Para a pequena Alma, que corre e dança no espaço, parece o paraíso. Ela insiste para mostrar à reportagem de Opera Mundi, página por página, os cadernos da escola municipal onde passa as manhãs. “Aqui, desenhamos a família, aqui aprendemos as letras do alfabeto”, enumera a menina, com cinco anos e meio. Adora posar para fotos e, quando o faz, já adota as posturas das meninas brasileiras, ondulando o corpo e inclinando o rosto. Feliz, ela entoa cantigas brasileiras, como “atirei um pau no gato”, trocando apenas algumas palavras. Em seguida, Zubeida pede para ela cantar em árabe. “A gente vai ter que ensinar o idioma para ela em casa, senão, vai perder tudo”, explica a mãe.

Outro elemento da cultura que Alma não pode perder é a música. Para isso, a família conta com a ajuda de outros refugiados, tal como Salam Sayed, que mora no oitavo andar, junto com outros solteiros. “Os palestinos e os sírios moram juntos, sem separação nos andares deles, enquanto nós brasileiros erguemos paredes de madeira, para ter mais privacidade”, afirma Silmara, enquanto bate na porta do palestino. “Boa tarde, Salim, podemos entrar?”. “Meu nome é Salam”, responde um grande homem magro, abrindo um largo sorriso.

Silmara pede desculpas. Crescida em Rondônia, ela nunca teria imaginado esta convivência diária com pessoas falando apenas árabe, com nomes “diferentes”. “Confesso que, quando comecei a coordenar a ocupação, achei várias vezes que não ia conseguir, a gente mal se comunicava”, acrescenta a militante. No dia a dia, ela conta com a ajuda de Hassan, um brasileiro de pais palestinos, que faz a tradução entre as duas comunidades. Duas vezes por semana, uma voluntária francesa, Cecília, vem dar aulas de português aos refugiados.

Salam conhece apenas 50 palavras em português, mas já conseguiu montar uma pequena empresa na ocupação. Ele comprou um forno profissional e um fogão, ambos usados, e prepara doces típicos que dois sobrinhos dele, também refugiados, vendem na rua. “Daqui a quatro dias, vou receber caixinhas de papelão que encomendei, vai ficar muito bonitinho”, garante. O palestino já encontrou o nome da marca: “as comidas da paz”. Em árabe, Salam significa “paz”.


Salam toca alaúde, improvisa músicas brasileiras e anima as confraternizações da ocupação

Feliz de construir uma nova vida, Salam não esquece o que deixou para trás. “Em Damasco, eu tinha um restaurante, uma empresa de fabricação de objetos de decoração, fazia parte da união nacional dos artistas”, conta, exibindo um pequeno cartão. “Eu faço escultura, desenho, toco música”, continua, pegando um alaúde, o único objeto que conseguiu levar de Damasco para Beirute, e, depois, para São Paulo. Silmara não esconde a admiração. “Ele toca maravilhosamente, a gente fez um sarau no sábado passado, ele se apresentou e improvisou uma melodia brasileira com este instrumento”, conta.

Como a maioria dos sem-tetos brasileiros, Silmara estudou poucos anos na escola e nunca teve acesso a uma educação artística. Ela fica muito impressionada pelo nível de cultura dos novos chegados, e pelo fato que perderam tudo, de um dia para outro: casa, emprego e até parentes. “Tem o caso de uma família que nós trouxemos para aqui, um pai com dois filhos e quatro meninas; não deixaram a mãe embarcar, você imagina o sofrimento dela? Ver os seis filhos partirem em direção de um país totalmente desconhecido, e ficar atrás? Eu abracei a causa dos refugiados depois que conheci este pai”, conta a brasileira, emocionada. No começo de setembro, a mãe finalmente chegou a São Paulo, após três meses de separação.

Para Silmara, a experiência ajuda muito os sem-tetos a relativizarem as dificuldades. “Nos reclamamos das dificuldades do dia a dia, por morar em ocupação, por ter que dividir um espaço pequeno, mas isso é nada perto da luta deles para chegar até o Brasil”, diz. Ela pede para Salam improvisar mais uma vez uma música brasileira. Mas esta noite, o refugiado prefere lembrar uma melopéia [canto ritmado que acompanha uma declamação] da sua região de origem. Um tanto melancólico, ele começa a tocar, em nome de todos os que não conseguiram ainda, como ele, uma terra segura para viver.

METADES

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To halve and to hold: Husband returns home from work to find half his house demolished after wife sold her share to make way for controversial Rio Olympic Park

  • Luis Geraldo dos Santos, 52, came home from work one day to find half his house demolished after wife Edileza sold her share
  • Families are being offered compensation to make way for Olympic Park being built for next year’s Games in Rio de Janeiro, Brazil
  • The couple had split but had shared house with their children for ten years
  • Luis told MailOnline: ‘I think they went a bit too far really. I mean, isn’t it enough having to live with your ex for the last ten years?’. 
  • Edileza, who moved out with her elderly father, told MailOnline, it was an absurdity, adding: ‘At first I thought Luis had done it just so I couldn’t change my mind and come back’ 
  • Many families are refusing to make way for the Games and face eviction 

A husband has been left living in half his house when authorities bulldozed it down the middle after his ex-wife took compensation to reclaim land for the Rio Olympic Park.

Luis Geraldo dos Santos, 52, is one of hundreds of residents of Vila Autodromo, a community situated on the edge of the Olympic Park site for next year’s Games in Rio de Janeiro, Brazil.

The neighbourhood, some of which lies inside the planned Olympic Park, has been marked for demolition by Rio’s city council. While some have accepted compensation deals others have bitterly vowed to hold out.

Semi-detached: Luis dos Santos was left with half his house after ex-wife sold half her share to the authorities who want the families out to make way for the Rio Olympics

Left high and dry: Luis told MailOnline that they also destroyed the water supply when the house was demolished, meaning that he hasn't had a shower in 15 days. He added: 'I finally get rid of her and now I stink'

Luis, who separated from wife Edileza more than ten years ago but continued living with her, recalled: ‘I came home from work knowing my ex-wife would be gone and thinking, marvellous, I’ll have the whole place to myself.

‘But when I arrived I saw that they’d chopped it in two. I could hardly believe what I was seeing.

‘The house is exactly half of what it used to be. Even the living room which she and I shared, and the dining room where we ate meals together, has been cut right through the middle.

‘The demolishers later told me they’d been ordered to remove my ex’s half of the house, as that’s what she’d been compensated for. So they did.

Regrets: Even Edileza is shocked by the results. When she saw the building she thought it was an 'absurdity'

New home: Edileza where she now lives. She added: 'People think it's funny but not for us, it's agony seeing our house like that'

‘I think they went a bit too far really. I mean, isn’t it enough having to live with your ex for the last ten years? And now when she finally leaves, everywhere I look I can’t help but remember her, and not in a good way.

‘If that isn’t bad enough, I haven’t had a shower in the last 15 days. When they destroyed her side, they managed to cut off the water supply too. You see, I finally get rid of her and now I stink. It would be funny if it wasn’t so serious.’

Edileza’s half comprised two bedrooms, a living room, kitchen and bathroom. He had use of two bedrooms and a living room.

Luis, who is ironically a bricklayer, moved to the Vila Autodromo after arriving in Rio from Brazil’s northeast 25 years ago in search of a better life. He said authorities offered him just £20,000 for the four-bedroomed home in from of the picturesque Jacarepagua lake – a fraction of what it he claims it was worth.

Organisers designed Rio’s Olympic Park around the lake ignoring the road of houses, some of which have been there for more than 50 years, which they decreed needed to be removed for the work to be completed.

Luis said: ‘When Rio won the Olympic Games I was cheering more than anyone else. I felt so lucky to have the Games happening in my city, and right next to my house. But then they came telling us we would have to leave to make way for it.

When they destroyed her side, they managed to cut off the water supply too. You see, I finally get rid of her and now I stink. It would be funny if it wasn’t so serious
Luis dos Santos

‘I came here with nothing, bought my land and built my house. It’s my life, I love living here. My dream was to live here for the rest of my life and to die here.

‘But now that dream is over, thanks to the Olympics. Now when I think about the Olympics it just makes me angry.’

His daughter Thais, 17 (and her baby) and son Igor, 14, stayed with their father in Vila Autodromo. But Luis’ ex took her three older sons from a previous relationship with her when she left.

Thais, who has an 18-month-old son, said: ‘This used to be a good place to live and to raise children. It was quiet and peaceful, and our home was always happy and full of people.

‘We all lived under the same roof, even though she and my dad were no longer together. But now it’s horrible.

Harsh: Luis now lives exposed to the elements with the couple's daughter, Thais, 17, and her baby (pictured with Luis, and their son Igor, 14. Thais said the situation was 'horrible'

Anger: Luis said that he rejoiced as much as anyone when the Games were awarded to Rio, now he said the Games have destroyed his dreams of dying in the house he loves and built himself

Luis, who moved to the Vila Autodromo after arriving in Rio from Brazil's northeast 25 years ago in search of a better life, said authorities offered him just £20,000 for the four-bedroomed home in from of the picturesque Jacarepagua lake - a fraction of what he claims it was worth

‘They had to make separate offers of compensation to both my parents, because they were no longer married. But I never imagined that because one accepted and the other didn’t, they chop our house in two. It’s just ridiculous.’

And now ex-wife Edileza seems to be even having second thoughts.She said: ‘It was my idea, because I wanted to help him have a place to live.

‘It was a bit strange living with your ex, still got on well even though well and avoided each other when we needed to. We didn’t fight much.’

Edileza, whose father also lived in the house, said: ‘I remember the day I went back to visit and found our house chopped in half. It was an absurdity. At first I thought Luis had done it just so I couldn’t change my mind and come back!

‘It made me very sad to see the home we had lived in for so many years like that. People think it’s funny but not for us, it’s agony seeing our house like that. We built that home with much sacrifice, it was part of us, and now we’ve lost a part of us that we’ll never get back.

I remember the day I went back to visit and found our house chopped in half. It was an absurdity. At first I thought Luis had done it just so I couldn’t change my mind and come back!
Ex-wife Edileza

‘They even knocked down the mango trees next to the house which we’d grow up with. That was the part that hurt the most.’

Her 88-year-old father Estelian died of a heart attack one week after they moved from the house.

Edileza has now moved to a distant neighbourhood of Rio, Pedra de Guaratiba, 30 miles from Vila Autodromo with five of her children.

She said: ‘I never wanted to leave out home, but I felt under so much pressure I ended up caving in. Now I’m renting my house, something I’ve never done in my life.

‘If the Olympics had never come to Brazil I would still be enjoying my life in the place I loved.’

Around 90 per cent of residents in the Vila Autodromo, which once numbered 600 people, have already accepted compensation or alternative housing offered by Rio’s city council, nearly a year before the start of the 2016 Olympic Games.

But around 40 families have rejected the offers – which are often way below the market rate – and are resisting attempts to forcibly remove them from the homes many have lived in for more than 30 years.

The community, which occupies a small area on one corner of the Olympic Park site, was orginally an illegal settlement started by local fishermen – but residents later won the ownership rights to their land.

Homeowners claim the Games are being used as an excuse to flatten the community and sell the land – prime real estate in one of the city’s most expensive areas – to build luxury apartments for the ultra rich.

With the clock ticking until the completion of Olympic construction work, Rio mayor Eduardo Paes recently signed a decree calling for the urgent removal of the remaining properties in the Vila Autonomo, opening the way for the removal of residents against their will.

Progress: Organisers designed Rio's Olympic Park (above) around the lake ignoring the road of houses, some of which have been there for more than 50 years

Deal: Around 90 per cent of residents in the Vila Autodromo, which once numbered 600 people, have already accepted compensation or alternative housing, nearly a year before the start of the 2016 Olympic Games

No deal: But around 40 families have rejected the offers - which are often way below the market rate - and are resisting attempts to forcibly remove them from the homes many have lived in for more than 30 years

But while many have vowed to fight to the end, Luis is now resigned to losing the rest of his house too.

He said: ‘I’ve only got half a house left, I’ll never get that back. Now I’m thinking of accepting the compensation offer, even though it means I’ll be I will have to start all over again.

‘It’s not fair, but what can I do? There’s one rule for the rich and another for the poor. Thanks alot, Olympics.’

Olympics-Park.html#ixzz3d5QmfHRf
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VARANDAS

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Biscoitos-Zeze-Projeto-Cadeira-na-Rua-1170x632[1]

Se você mora ou viaja frequentemente para cidades pequenas, deve conhecer o hábito que muitas pessoas têm de levar uma cadeira para a calçada e se sentar ao lado de vizinhos, para jogar conversa fora!

Esse costume está diminuindo, especialmente em cidades um pouco maiores. Por medo da violência ou por mudanças de comportamento – ligadas inclusive ao individualismo -, muita gente tem se trancado em casa, abrindo mão da convivência e da ocupação de espaços públicos.

Ruas vazias e pessoas solitárias não parece a fórmula mágica da paz, né? A marca de biscoitos Zezé – tradicional especialmente no Rio Grande do Sul – também tem suas ressalvas, por isso patrocinou a produção de um vídeo que tem por objetivo estimular a volta das cadeiras para as calçadas!

Ao colocar duas cadeiras, lado a lado, em frente à divisa entre duas casas, a campanha convida os vizinhos a se sentarem e a interagirem. Transformar as calçadas, novamente, em um espaço de convivência harmônica.

CASA COLETIVA NÃO SE ADAPTA A VIDA NAS CIDADES

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Uma mulher mexe o risoto em uma grande panela na cozinha. A refeição será servida para outras 11 pessoas. Nenhuma delas faz parte da sua família.

A cena é parte do dia a dia em um sobrado na zona oeste de São Paulo, onde vivem oito adultos e quatro crianças. Cada morador tem seu quarto, mas sala, banheiros e cozinha são de uso coletivo. Os eletrodomésticos também são usados por todos.

“Cada um tem a sua rotina, mas temos o compromisso de manter a casa em ordem, para que não vire uma república de estudantes”, diz a atriz Paula Lisboa, 37.

Mãe de um menino e uma menina, de seis e nove anos, ela vê os benefícios da vida em grupo na criação dos filhos. “Eles aprendem a respeitar as diferenças. Não têm apenas o pai ou a mãe para lhes mostrar o mundo.”

A ideia de morar em comunidade, em oposição ao modelo de família nuclear, surgiu no movimento hippie da década de 1960. Mas as tentativas atuais de viver de outro jeito guardam pouca relação com a “sociedade alternativa” daquele período.

Se mesmo em ambientes controlados, como as ecovilas, essas experiências nem sempre sobrevivem a conflitos, que dirá no contexto de grandes cidades.

O professor de história do urbanismo Renato Cymbalista, da FAU-USP, afirma que esse modelo de casa compartilhada é pouco adaptado às metrópoles, onde o preço da terra e dos recursos é mais alto e se gasta muito tempo no trabalho, o que rouba a energia que seria necessária para a vida comunitária. “Desenvolvemos uma tendência de privatizar, de individualizar as coisas.”

Na visão do urbanista, o formato comunitário não perdura no contexto urbano.

Cymbalista lembra que, para se adaptar ao preço do metro quadrado em São Paulo, o mercado tem apostado em imóveis com equipamentos compartilhados, como lavanderias e escritórios. Isso, contudo, está ligado à racionalização do espaço, não ao ideal de vida comunitária.

A outra proposta que busca estreitar a convivência entre famílias, só que com mais privacidade, o “cohousing”, ainda não chegou ao Brasil.

A arquiteta Lilian Lubochinski, 66, conheceu o modelo quando se especializava em soluções arquitetônicas para a terceira idade. Tornou-se a maior divulgadora do conceito no Brasil.

“É um assunto que está latente, as pessoas só não sabiam que tem um nome”, diz Lubochinski. “O grande atrativo é que os seus vizinhos são seus amigos, você já começa em um grupo que quer morar perto. Essa é a diferença em relação a um condomínio qualquer.”

Desde 2013, ela deu mais de 20 palestras de introdução ao cohousing em cidades como São Paulo, Rio, Curitiba e Porto Alegre, e abriu páginas de discussão sobre o tema no Facebook.

Segundo ela, a ideia é procurada por idosos e casais com filhos pequenos.

Em Piracicaba (SP), o arquiteto Rodrigo Munhoz, 36, criou um projeto com sete casas que inclui piscina e telhados verdes. Ele diz que já tem famílias interessadas em número suficiente para dar andamento ao que seria o primeiro experimento brasileiro de cohousing. Falta parceria para comprar um terreno.