CAMPOS E EXCECOES

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Pela vista aérea, Zaatari parece uma cidade. Mas é, na verdade, o terceiro maior campo de refugiados no Oriente Médio.

Muitos daqueles forçados a deixar suas casas durante o conflito sírio se refugiaram em países vizinhos, e 80 mil deles estão vivendo agora em uma parte do deserto jordaniano.

Desse total, mais de metade são crianças.

O rei jordaniano Abdullah diz que seu país está em “ponto de ebulição” devido ao fluxo de refugiados.

O monarca disse à BBC que há uma enorme pressão sobre os serviços sociais, infraestrutura e economia da Jordânia.

“Cedo ou tarde, acho que a barragem vai estourar”, alertou, ao mesmo tempo em que pediu mais ajuda internacional para os refugiados em seu país.

A Jordânia acolhe cerca de 1,5 milhão de refugiados, mais que o continente europeu inteiro.

Por isso, a ONU pede quantia de US$ 7,7 bilhões (cerca de R$ 30 bilhões) para financiar as operações de ajuda a 22,5 milhões de pessoas na Síria e em países vizinhos em 2016.

No entanto, em 2015, apenas 43% dos US$ 2,9 bilhões (aproximadamente R$ 12 bilhões) solicitados foram financiados.

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Crianças são as maiores vítimas da guerra civil na Síria27 fotos

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Em 21 de agosto de 2013, um ataque químico na Síria deixou 1.429 mortos, incluindo 426 crianças. A ONU confirmou a presença de gás sarin, mas não pode informar se rebeldes ou forças do governo foram responsáveis pelo ataque. A ofensiva foi considerada pela organização o uso mais significativo de armas químicas contra civis desde que Saddam Hussein usou em Halabja em 1988 VEJA MAIS > Imagem: Bassam Khabieh/Reuters

IMAGENS AEREAS E FICCIONALIZACOES

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SOBRE NARRATIVAS EMBALADAS

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Os atos pelo Brasil contra o aumento de tarifas de transporte padecem de um deslocamento estrutural. Embora haja quem faça testemunhos, relatos específicos do que aconteceu por ali (uma impressão sutil, uma descrição objetiva), mostre uma imagem diferente, uma denúncia, um vídeo inusitado, a repercussão na internet e na imprensa parte de ideias já estabelecidas sobre os protagonistas, de uma narrativa pronta, previsível – diante da qual outros relatos serão derrotados de antemão. Pior que isso: boa parte dos protagonistas – como a PM e os black blocs – sabe disso e torna o cenário dos atos um campo de batalha midiático. E repetitivo.

Quem quiser fugir dessa sina binária estará destinado a narrativas periféricas. Mesmo que tenham sido a maioria nos atos. O Movimento Passe Livre (MPL) e manifestantes comuns pela tarifa zero, ou contra o aumento de tarifas, passaram apenas a fazer número. Secundaristas, feministas e sindicalistas que ali estavam podem até contar algo que a gente não sabia; reclamar que não estão sendo ouvidos, que a imprensa não está repercutindo como deveria. Serão ignorados. A estratégia de PMs e black blocs está definida, e ela passa fortemente pela conquista sem nuances dos corações midiáticos. Ou pela satisfação das torcidas. O Brasil assiste a protestos de rua essencialmente virtualizados.

Vejamos essa imagem da Globo News, que abre o texto. Ou a foto que estampa a capa da Folha. Elas dizem muita coisa. Temos a transmissão da própria Globo, temos (ainda que não se veja nesse recorte congelado da TV) os fotógrafos registrando a depredação do ônibus. Temos o manifestante – tudo indica que seja mesmo um black bloc – fazendo tudo aquilo com a plena consciência de que está sendo fotografado e que haverá repercussão midiática. Sabendo que será chamado de vândalo por um setor expressivo da sociedade, defendido por parte da esquerda e que outro setor à esquerda seguirá perplexo. E é isso o que ele quer: ser o protagonista. Que a sua imagem seja a mais comentada.

Batuques e cantorias e performances sorridentes das multidões nas ruas pelo transporte público e gratuito – ou quaisquer sinais dos momentos pacíficos da manifestações – motivam menos fotos e menos comentários. Até a violência policial contra manifestantes pacíficos acaba sendo escanteada. Quanto mais a criatividade. Sentimo-nos impelidos a comentar a situação limite, a violência à Tarantino, a violência MMA de policiais e black blocs. Alguns dos policiais, com câmera na mão. Black blocs com o rosto coberto, apenas o rosto coberto – pois todo o resto (do visual aos pontapés) está destinado à visibilidade extrema. Não há invisíveis de verdade nesse embate.

E cada pessoa que comenta as cenas de batalha se torna refém dessas cenas de violência, dessa brutalidade discursiva que se impõe. Cenas convenientes para os dois lados mais salientes – os governos estaduais e os manifestantes com esse afã de visibilidade. Péssimas para aqueles que rumam aos atos com propósitos pacíficos. Resta saber se conveniente para os organizadores dos atos, o Movimento Passe Livre, que não definiu ainda (ao menos verbalmente) se corrobora os atos dos manifestantes valentões, mas decidiu aderir – por inércia ou por omissão – a esse sequestro narrativo, ainda que terceirizando o próprio protagonismo. Valem a pena as menções aos R$ 0,30, em meio aos vidros quebrados e à caça policial de manifestantes pela cidade?

Para a imprensa graúda, sim, a polarização é mais do que conveniente. Que coisa melhor para o sistema ter mascarados que quebram ônibus, a catalisar o ódio dos telespectadores e atenuar a violência da polícia? Mais prático que fazer reportagens sisudas sobre o poder assassino das milícias e grupos de extermínio, que colocar em pauta o massacre indígena, a questão ambiental – temas que incomodam setores do poder. A batalha das ruas parece de mais fácil entendimento, a partir do momento em que é reduzida a uma sequência chave: um encapuzado quebra uma vidraça, a polícia reage (se for o contrário banca-se a versão da polícia), e a partir desse momento justifica-se cinicamente toda a batalha campal.

Sao Paulo- SP- Brasil- 08/01/2016- Movimento Passe Livre (MPL), realiza ato contra o aumento das tarifas do transporte público na cidade de São Paulo. A concentração para o ato ocorre em frente ao Teatro Municipal, região central da cidade. Foto: Paulo Pinto/ Fotos Públicas

ESQUERDA, VOLVER

Nas redes sociais, os posts à direita cada vez mais colocam todos os manifestantes no mesmo campo da violência vândalo-baderneira. “Esses black blocs e o MPL são todos iguais”, dizem. Ou pior: no mesmo campo da violência e da corrupção, agora associada unicamente à esquerda. “Esses black blocs e o MPL e os petistas são todos iguais”. Com variações sobre o mesmo tema, frases idênticas, como se cada um tivesse um cassetete na cabeça e uma ideia na mão. Esse grupo tem saudade das balas de borracha e faz a defesa intransigente da violência de Estado, a dos policiais, com estes tomados como misto de heróis e vingadores; os black blocs, como bandidos. E que se dane quem entrar no caminho.

Quem comenta à esquerda acaba também virando refém dessa metabatalha, dessa instantaneidade planejada, à margem de qualquer noção mais elaborada de estratégia – como deveria convir para quem está do lado mais fraco. Há um afã, de alguns, de justificar os atos dos black blocs, descritos como oprimidos que se cansaram de humilhações, afinal, dizem, “não se pode confundir a violência do oprimido com a violência do opressor”. Mesmo que essa opção marcial (confundida com uma reação espontânea) apenas potencialize a violência do opressor – encarada aqui com uma surpresa calculada. Esses não permitem críticas aos black blocs, percebidos como heróis e vítimas – mesmo que morra um policial. Ou um cinegrafista.

Ainda à esquerda, despontam comentários cada vez mais impacientes com a curiosa estratégia kamikaze dos black blocs. Este artigo não está excluído desse campo, ainda que busque alguma reflexão adicional. Gostaríamos de enxergar genialidade onde vemos adrenalina desperdiçada, sem que os resquícios de boas intenções representem um milímetro de conquistas para trabalhadores, apenas um convite adicional à repressão – a todos. Deploramos a violência policial, muito mais capilarizada que a dos black blocs, mas nos perguntamos: qual foi mesmo o território que esses supostos revolucionários obtiveram? (Os estudantes de São Paulo ocuparam escolas justamente após perceber que, com eles, as manifestações de rua não iam dar em nada.)

O problema é que as avaliações mais cuidadosas ou reflexivas também estão destinadas a morrer abraçadas nessa pedagogia do linchamento, nessa lógica da pedra na mão; nessa avalanche de certezas apriorísticas. Onde não há espaço para um debate efetivo e não há margem para se repensar a dinâmica de cada manifestação. Pois essa dinâmica está sendo obliterada, reprimida, afogada, atropelada pelo maniqueísmo hegemônico, por um jogo já jogado, mesmo que alguns repórteres ou internautas façam seus relatos diferenciados. Estes, por mais ricos e dinâmicos que sejam, vão parar em um limbo midiático, ainda que cheguem à grande imprensa, restando à posteridade uma narrativa pobre, coturno x coturno, que soa como um arremedo de faroeste urbano.

RELACOES

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Mapa elaborado pela Justiça Global com dados do ISP mostra onde há mais autos de resistência no Estado do RJ (Foto: Reprodução/Onde a Polícia Mata)Mapa elaborado pela Justiça Global com dados do ISP mostra onde há mais autos de resistência no Estado do RJ (Foto: Reprodução/Onde a Polícia Mata)

Um mapa que mostra o número de autos de resistência no estado do Rio nos últimos 5 anos, elaborado pela ONG Justiça Global com base em dados oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP), revela que os homicídios decorrentes de intervenção policial acontecem principalmente na Zona Norte e no Subúrbio do Rio, além de municípios como Maricá e Duque de Caxias. A iniciativa da Justiça Global conclui que a a “polícia mata, não por acaso, em territórios pobres e periféricos”.

O mapa é baseado na divisão territorial estabelecida pelo próprio ISP, as chamadas Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisps). Se, entre 2010 e 2015, as Aisps que abrangem a Zona Sul tiveram um total de 39 mortes em autos de resistência, a Aisp de bairros como Irajá e Costa Barros teve 310 mortes nestes mesmos cinco anos.

O número na Zona Sul é oito vezes menor, mesmo sendo sua Aisp maior do que a de Costa Barros. Foi lá onde cinco jovens foram fuzilados quando voltavam de carro do Parque Madureira.

Coordenadora da área de Violência Institucional e Segurança Pública da Justiça Global, Isabel Lima diz que o caso de Costa Barros não é um ato isolado. Segundo ela, o objetivo do mapa era justamente dar visibilidade a desigualdade da ação policial nos diferentes territórios. Ela refuta a hipótese de que os locais mais pobres são palco de mais mortes por ter mais conflitos. Para ela, o que muda é, principalmente, a atuação policial.

Perícia mostra marca de 63 tiros em carro dos jovens (Foto: Matheus Rodrigues/G1)
Perícia encontra 63 tiros em carro de jovens mortos em Costa Barros(Foto: Matheus Rodrigues/G1)

“A gente sabe que a polícia mata, mas é preciso que se diga onde: e são nos territórios pobres e periféricos. São territórios onde o Estado se faz presente com o braço armado e onde estão mais ausentes as garantias de políticas públicas. São áreas abandonadas, de menor interesse econômico e turístico, onde o discurso de enfrentamento e de guerra às drogas é autorizado, a sociedade não se contrapõe. Lá, os direitos são relativizados. De uma maneira geral, a sociedade não se importa com aquelas vidas, como se fossem descartáveis”, opina.

Auto de resistência: ‘medida de exceção’
Em um documento divulgado em agosto, a Anistia Internacional questionava 90% dos autos de resistência registrados no bairro de Acari em 2014. Em 9 de 10 casos as vítimas teriam sido executadas. A Anistia, no entanto, deixou claro que seria “irresponsável” tentar estimar se os autos de resistência supostamente forjados em Acari se repetem em proporção semelhante em outras áreas da cidade.

A Justiça Global, segundo Isabel, reafirma o posicionamento da Anistia. Segundo ela, os autos de resistência podem mascarar execuções sumárias. “É importante chamar atenção para como isto [auto de resistência] é tratado não só pela polícia, mas por outros atores da Justiça criminal, como o Ministério Público. É a lógica da segurança pública em uma base de política de guerra. É isto que precisa mudar”, conclui.

DESTRUINDO A AFRICA PELO ESPAÇO

[parte 01]

[parte 02]

[parte 03]

[parte 04]

DRONES E O DESENHO DO MUNDO

[texto original]

Bondi Beach

Port Grimaud

Córdoba Olive Trees

Niagra Falls

Stelvio Pass

La Plata, Argentina

Viareggio, Italy

Central Park, NYC
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O BRASIL DE FAZ-DE-CONTA

[texto original]

Sociólogo Jessé Souza, que assumiu o cargo este mês, diz estar disposto a traçar um retrato inédito dos brasileiros

Quais são os planos para o Ipea?

Como órgão da Secretaria de Estudos Estratégicos (SAE), queremos municiar a ação do governo a curto, médio e longo prazo. Manter o que vem sendo bem produzido e criar mais dois projetos estratégicos. Um deles está com título provisório de “Radiografia do Brasil Moderno — onde estamos e para onde podemos ir”.

É uma nova pesquisa?

É um estudo importante e inédito, porque vai unir três perspectivas que sempre andaram apartadas. A primeira é o conhecimento estatístico dos grandes dados. Mas, ao contrário do que muita gente pensa, os números não falam por si, precisam ser interpretados. E, para serem adequadamente interpretados, é necessária a dimensão compreensiva, têm que ser enriquecidos por uma perspectiva muito mais difícil de ser percebida, que é como as pessoas pensam e interpretam o mundo. E elas fazem isso de modo muito distinto, a partir da sua classe social.

É uma espécie de super censo?

Sim, mas não é censo, porque o censo só dá o dado. Vai ter o tratamento estatístico refinado, junto com um estudo compreensivo sobre as classes sociais. Interessa descobrir como capacitar essa classe de trabalhadores, que cresceu muito nos últimos anos, para que ela seja capaz de assimilar novas tecnologias e aumentar sua produtividade. Para isso, é necessário entender como se dão as várias dimensões da sociedade. É preciso ter em mente que cada classe nem é uma coisa só, nem é composta de indivíduos diferentes entre si, mas um meio termo. Sem uma noção articulada disso, a gente não consegue conhecer a realidade e modificá-la.

Parece bastante ambicioso…

O Ipea é um instituto de pesquisa aplicada, não adianta só saber dados estatísticos e ter a compreensão das classes sociais. O Ipea tem que produzir para a sociedade. Para mim, a pesquisa só faz sentindo se é aplicada, se melhora a vida das pessoas. Se não, é blá blá blá, serve para enfeite, vaidade individual, mas não é ciência efetiva. A ciência existe para melhorar a vida das pessoas ou não merece esse nome. A gente quer compreender quem são os brasileiros para melhorar a vida deles. O terceiro eixo será inovação institucional.

A melhora seria via instituições?

Exatamente, construindo uma inteligência institucional. As pessoas estão sempre dentro de alguma instituição, que são os grandes elementos para melhoria da vida de homens e mulheres comuns. É isso que a gente quer. Se não conseguir isso, a gente fracassou. A ideia é dotar a instituição educativa, a de saúde, a de treinamento profissional de uma inteligência para adaptá-las às necessidades das pessoas. Fazer com que diminua o que se poderia chamar de má-fé institucional. O que é isso? As instituições normalmente prometem uma coisa e frequentemente entregam outra. Não tem nenhuma maldade das pessoas, elas não dizem: ‘vou produzir mal, vou educar mal’. Não é isso. Acontece que a lógica institucional faz com que o resultado seja diferente da intenção original. A gente quer melhorar esse quadro. A sociedade brasileira sempre fez política para a classe média. Nos últimos dez ou 15 anos, houve ascensão enorme de pessoas que estão entrando em novas instituições, nas universidades e que vêm de uma vivência muito distinta da de classe média. Há 70% da população que não são de classe média e só são conhecidos de forma fragmentada.

Até pouco tempo, o discurso da SAE e do Ipea era que a ascensão desse grupo fez o Brasil ter mais da metade da população na classe média. O senhor é um crítico da definição de classe média apenas com base na renda. E agora? O Brasil deixa de ser país de classe média?

O termo não é o principal. É inegável que houve ascensão. Foram pessoas que estavam excluídas da sociedade e entraram no mercado competitivo, como trabalhadores e consumidores. Entrar no consumo é a dimensão mais importante. Só não se pode dizer que sejam classe média, porque a classe média é rigorosamente uma classe privilegiada, e essas pessoas não são privilegiadas. É uma classe que luta para se manter onde está e precisa ser capacitada. É o que a gente quer fazer. Se ao fim e ao cabo, terminar por se constituir, a longo prazo, um país de classe média, ótimo.

Então, pode mudar o nome, mas este grupo continua no foco?

Este grupo é o foco central da capacitação, e esta é uma agenda capacitadora. Para atender às demandas das empresas, mas antes de tudo, para ter um trabalhador mais produtivo, um pequeno empresário que possa achar seu nicho de negócio, compreender as variáveis complexas da economia. Como fazer? Esse é o desafio que a gente quer encarar de frente.

Seu conceito de produtividade não deve ser o mesmo dos que reclamam do descasamento entre a alta da renda e o da produtividade do trabalhador…

É claro que não, você não pode reclamar da baixa produtividade, imaginando que todos os seres humanos são como você, da sua classe. Mas é assim que as pessoas pensam: “se consegui fazer meu curso de Economia em Havard, por que essa pessoa não consegue ao menos manejar uma máquina direito?” No fundo, nós todos universalizamos o sujeito de classe média e, cheios de preconceito, dizemos: por que o cara é tão burro e preguiçoso que não consegue nem montar o negócio dele? Não é a nossa perspectiva. Vamos entender essas pessoas pelo modo como foram construídas e abandonadas, não só pelo governo, mas pela sociedade. As pessoas têm que ser compreendidas em todas as dimensões, para que a escola funcione, a saúde seja melhor. Não adianta fazer cursos-padrão como se servissem a todos. O Brasil não conhece o Brasil, só faz de conta que conhece, o que é muito pior.

Como o senhor vê os protestos de 2013 e as passeatas deste ano?

Este é um dos pontos que a gente precisa compreender, quais são as demandas dessas pessoas. O Brasil desconhece o Brasil, em especial o Brasil que sempre foi ocultado, que são esses 70%. As pessoas normalmente chutam, acho que é isso, que é aquilo. A gente quer responder perguntas sem “achismo”. Não é só ouvir as pessoas, é conhecer e, em certa medida, reconstruir o sentido da sua ação, porque elas, muitas vezes, não sabem o que são. Não é pesquisa quantitativa, é qualitativa, acompanha muito mais coisas. Os mais pobres, por exemplo, tendem a fantasiar a vida porque, se a realidade é intragável, a única saída é a fantasia. Então, temos que compreendê-las para além da fantasia. Tem uma certa forma de etnologia vulgar que pega a fantasia das pessoas e apresenta como a verdade delas. A gente quer fazer um trabalho melhor, sofisticado, para que quando houver a manifestação a gente possa entender.

Qual é o outro projeto estratégico?

O segundo pretende estudar países em situação semelhante ao Brasil e países diferentes, como EUA e Alemanha, para aprender porque, algumas coisas neles deram certo e aqui não, e vice-versa. Aprender e ensinar, porque não é uma via de mão única, há coisas que o Brasil faz melhor do que a Alemanha etc. Obviamente, isso está em consonância com a dimensão política. Temos a sorte de ter um ministro como o Mangabeira Unger, na SAE, e uma presidente que o estimula na produção de alternativas. São propostas de interesse do governo.

O senhor combinou com o Joaquim Levy (ministro da Fazenda)?

Risos.

Porque pesquisa custa dinheiro, e recentemente, vimos o IBGE cancelar projetos por corte no orçamento.

É claro que é melhor ter dinheiro que não ter, mas, ao mesmo tempo, dinheiro não é tudo. Uma coisa mais importante, e estou citando o ministro Mangabeira, são ideias. Ideias são o que há de mais importante no mundo. Com dinheiro e sem ideias você não faz nada. E com ideias e um pouco de dinheiro você faz muita coisa. Se é algo importante, que a sociedade e o governo precisam, não vai faltar dinheiro. Minha vida inteira mostrou isso. Com muito pouco dinheiro, a gente fez coisas relevantes, fez o primeiro estudo sobre os excluídos do Brasil. Agora, temos a estrutura do Ipea, com o que já vi do trabalho fiquei encantado. São centenas de técnicos extremamente bem treinados, alguns dos melhores do país. E usaremos a capacidade instalada da inteligência nacional e internacional.

Esse projeto coincide com a fala do ministro Mangabeira sobre a agenda estratégica pós-ajuste?

Não por acaso. O que estamos tentando é fornecer elementos para que o ministro Mangabeira possa montar essa estratégia pós-ajuste, que tem a ver com melhoria coordenada das instituições brasileiras. É uma grande ambição, mas seremos humildes. Ambição e humildade são duas coisas que as pessoas imaginam antagônicas, mas não são, porque se você é humilde, você ouve as pessoas, aprende, aceita ajuda e consegue um resultado importante.

Qual será o ponto de partida?

Isso é que estamos fazendo agora, o esboço do projeto, mas não vamos ficar seis meses montando. Espero em um mês estar com o projeto pronto e apresentar resultados a cada três meses. No início, ele precisa maturar, mas acredito que em seis meses a gente possa ter resultados práticos.

TODOS LOS MAPAS QUE CONOCES ESTAN MAL

[texto original]

Cada cierto tiempo, alguien nos recuerda que todos los mapas están mal. Como este tuit.

Estos mapas con el sur arriba no son los que se usan habitualmente en Australia, pero sí son comunes como forma de mostrar que la orientación con el norte arriba es arbitraria: podría ser cualquier otra. De hecho, en el plano se aprecian tres de los problemas con los que se han encontrado los cartógrafos a lo largo de la historia.

1. ¿Hacia dónde oriento el mapa?

Nos parece tan obvio que los mapas estén orientados hacia el norte que olvidamos que es una convención y que norte y arriba no son sinónimos. “No hay ninguna razón puramente geográfica por la que una dirección sea mejor que otra, o por qué los mapas occidentales modernos han naturalizado la asunción de que el norte debería estar arriba”, escribe Jeremy Brotton en Historia del mundo en 12 mapas.

De hecho, en los mapas medievales judeocristianos y hasta finales del siglo XV, la Tierra se representaba orientada hacia el este, con Asia arriba, Europa abajo a la izquierda y África abajo a la derecha, como en el mapamundi de San Severo. Al fin y al cabo, “orientar” viene de “oriente”.

Mapamundi del Beato de San Severo. Wikipedia

El este se prefería en muchas culturas por ser la dirección por la que salía el sol, siendo el sur la segunda dirección en preferencia. El oeste se asociaba con la decadencia y la muerte, y el norte, “con la oscuridad y la maldad”. No en todas partes: los mapas babilonios y chinos, por ejemplo, se orientaban al norte, igual que los propuestos por el astrónomo Ptolomeo en el segundo siglo después de Cristo. Sí parece sensato que los mapas para navegar tengan en cuenta el eje norte-sur, dado el uso de brújulas, pero Brotton nos recuerda que se podría haber optado por el sur con la misma facilidad.

Por cierto, “todos los estudiosos de la Edad Media sabían que la Tierra era una esfera”, explica Umberto Eco en Historia de las tierras y los lugares legendarios,citando a Dante, Orígenes, Ambrosio, Alberto Magno, Tomas de Aquino e Isidoro de Sevilla, que incluso calculó la longitud del Ecuador. De hecho, las dudas sobre la ruta que proponía Colón no se debían al temor a que cayera por un abismo, sino porque se creía que Colón se basaba en un cálculo optimista acerca del tamaño de la Tierra y que su ruta no era tan corta como pensaba (y no lo era).

Si a alguien le quedan dudas acerca de lo arbitrario que resulta orientar un mapa en cualquier dirección, no tiene más que ver esta foto. Es la Tierra tal y como se fotografió desde el Apolo 17, con el polo sur arriba. Sí, normalmente se le da la vuelta para que nadie se ponga nervioso.

Esa isla del centro es Madagascar. NASA

2. ¿Qué pongo en el centro?

Como se puede ver en el mapa del tuit, Australia está situada en medio. La mayoría de los mapas “ponen la cultura que los produjo en el centro”, como explica también Brotton. Lo cual tiene sentido no sólo político, sino también práctico: es similar a cuando abrimos Google Maps y lo primero que queremos saber es dónde estamos para saber qué camino hemos de seguir.

“¿Nunca has querido ser el centro de atención de forma tan exagerada que partes Asia en dos?”, se pregunta este meme sobre los mapas americanos que ponen a este continente en el centro

El centro tiene un valor simbólico, como en el caso del mapamundi de la catedral de Hereford, que se dibujó alrededor del año 1300 en Inglaterra, pero que coloca a Jerusalén en su punto medio. O como el mapa del logo de las Naciones Unidas, con centro en el polo Norte, para que no se enfade nadie, de modo similar a la proyección que hizo el estadounidense Richard Edes Harrison durante la Segunda Guerra Mundial, con otros objetivos: mostrar tanto la importancia del avión en el conflicto como el lugar que ocuparían Estados Unidos y la Unión Soviética tras la guerra.

3. ¿Cómo dibujo una esfera en un plano?

Este es uno de los problemas más complejos para los cartógrafos, explica Brotton, ya que es imposible proyectar una esfera en una superficie de dos dimensiones sin que haya algún tipo de distorsión en la forma o en los ángulos. Pongamos por ejemplo un mapa que sigue la proyección de Mercator, en cuyo plano de 1569 se basan muchos de los actuales.

Mapa de Mercator. Strebe / Wikipedia

Tal y como recuerda este vídeo de Buzzfeed, este mapa contiene proporciones que no son correctas.

Mercator “trató el globo como un cilindro y mantuvo los ángulos cuidadosamente en su superficie”, explica Brotton. Los meridianos no convergen como deberían y por eso la Antártida parece tan grande y Groenlandia tan extensa como Sudamérica, a pesar de tener sólo una octava parte de su superficie. Además, Europa parece el doble de amplia que Sudamérica, cuando realmente es la mitad. Eso, entre otras distorsiones.

Pero aunque parezca extraño, el Mercator no es, ni mucho menos, un mal mapa: estas distorsiones permiten mantener mantener los rumbos marinos en líneas rectas, que era uno de sus objetivos. Y, por ejemplo, Google Maps, Bing yOpenStreetMap usan una variante del Mercator para sus planos a gran escala, ya que sus “rectángulos simétricos se adecúan perfectamente a los mosaicos de píxeles que conforman un mapa digital”, explica Simon Garfield en En el mapa.

Mercator en Google Maps, como se puede apreciar por el tamaño de Groenlandia, por ejemplo

Es decir, todas las proyecciones tienen sus ventajas, pero también sus inconvenientes (y distorsiones, que se pueden medir con los indicadores Tissot). Incluso la de Arno Peters, de 1973. En su mapa, los continentes del norte aparecen radicalmente reducidos en tamaño, mientras que África y Sudamérica se muestran como “lágrimas enormes resbalando hacia la Antártida”, apunta Brotton. Este plano pretendía superar los errores de proporciones del Mercator y poner en evidencia que nuestra forma de ver el mundo tiene consecuencias políticas. El mapa de Peters fue el más vendido durante las dos décadas siguientes y fue adoptado por entidades como las Naciones Unidas y Oxfam. Llegó incluso a la serie El ala oeste de la Casa Blanca, donde un cartógrafo pronuncia la frase: “Nada está donde crees que está”.

Proyección de Gall-Peters. Strebe / Wikipedia

Pero esta proyección también tiene distorsiones y errores de cálculo: por ejemplo, Nigeria y el Chad aparecen el doble de grandes. Para colmo, Peters tampoco dijo que se había basado en el trabajo de James Gall. A pesar de todos estos defectos, Brotton recuerda que su gran mérito es que “obligó a los cartógrafos a admitir que sus mapas nunca habían sido y nunca podrían ser ideológicamente neutrales o representaciones científicamente objetivas”. Esto también ayudó a que se crearan (o recuperaran) proyecciones adecuadas para usos específicos, teniendo en cuenta que cada una tiene sus aplicaciones.

Por ejemplo, la proyección del mapa australiano del tuit del principio es la Hobo-Dyer, de 2002 y similar a la Gall-Peters. Este otro mapa es el de Robinson, de 1963 y comina elementos de los mapas de Mercator y Gall-Peters, además de intentar simular cierta curvatura, aunque esto lleva a distorsión en las zonas altas y en los extremos.

Proyección de Robinson. Strebe / Wikipedia

La de Goode, de 1923, mantiene la proporción de tamaños, pero las direcciones y distancias no son fidedignas.

Proyección de Goode. Strebe / Wikipedia

La Dymaxion, de R. Buckminster Fuller es un icosaedro diseñado en el que se mantienen las formas y dimensiones, e intenta representar los continentes en un continuo.

Proyección Dymaxion. Eric Gaba / Wikipedia

La Winkel Tripel es de 1921 y es una de las que ofrece menos distorsiones. Desde 1998, National Geographic la usa como su proyección estándar, reemplazando así a la Robinson.

Proyección Winkel Tripel. Strebe / Wikipedia

A medida que nos hemos familiarizando con la imagen del mundo, los mapas se usan para reflejar temas sociales, políticos y económicos. De hecho, los planos se distorsionan adrede para reflejar estos asuntos. Uno de los principales ejemplos de esta tendencia es el Atlas of the Real World: Mapping the Way We Live(1998), en el que Daniel Dorling, Mark Newman y Anna Barford dibujaron 366 mapas adaptándolos según datos demográficos, de inmigración, de mortalidad infantil y de mortalidad en conflictos bélicos, entre otros temas. En esta línea,este mapa de TeaDranks, usuario del foro Reddit, muestra los tamaños de los países según su población en 2015. Australia y Canadá casi desaparecen y la India es más grande que África.

Tamaño de los países según su población en 2015. TeaDranks / Reddit

Este otro de Jan Van der Weijst ajusta los tamaños según la población encarcelada por 100.000 habitantes en cada país.

Mapamundi con los tamaños de los países ajustados según su población encarcelada. Jan Van der Weijst

Los mapas también nos pueden servir para ver el tamaño de África en perspectiva. Y eso que este ejemplo sigue la proyección de Mercator: por ejemplo, el Reino Unido en realidad tiene la mitad de extensión que Madagascar y no más o menos la misma.

El mapa anterior cobra especial relevancia si además lo comparamos con la riqueza de cada país.

REMOÇOES MORADORES NO RIO DE JANEIRO

[texto original]

Livro mapeia remoções de moradores na gestão de Eduardo Paes

No contexto pré-olimpíada, 67 mil pessoas tiveram que se mudar, mais gente do que Pereira Passos e Lacerda removeram juntos

A pouco mais de um ano da Olimpíada no Rio de Janeiro, um livro chega às prateleiras para mostrar os efeitos desse evento e da Copa do Mundo de 2014 no planejamento urbanístico da cidade. SMH 2016: Remoções no Rio de Janeiro olímpico faz um mapeamento das remoções feitas pela gestão do prefeito Eduardo Paes (PMDB) entre os anos de 2009 e 2013 – mais de 65 mil – e conclui que Paes promoveu mais despejos do que Pereira Passos e Carlos Lacerda juntos.

O trabalho é fruto da pesquisa de conclusão da graduação em Arquitetura e Urbanismo de Lucas Faulhaber, formado pela Universidade Federal Fluminense. A convite da Mórula Editorial, a jornalista Lena Azevedo e o fotógrafo Luiz Baltar se juntaram ao projeto e nasceu o livro. Na segunda parte da obra, Lena conduz entrevistas com 12 moradores que tiveram que deixar suas casas. O prefácio é assinado por Raquel Rolnik, professora da Universidade de São Paulo e relatora das Nações Unidas para o direito à moradia adequada entre 2008 e 2014.

mapa blog 1

Com a pesquisa, a intenção inicial de Faulhaber era provar que, enquanto muitos colocam a ausência de planejamento para justificar a dita cidade partida, a exclusão é resultado sobretudo de uma estratégia de planejamento urbanístico. ”Ao investigar a produção dos planos, leis e projetos estruturantes do Rio, pude perceber um elevadíssimo número de desapropriações e posteriormente de remoções que estavam sendo consideradas fundamentais para a realização de projetos, principalmente nos últimos anos”, explica.

Para o arquiteto, há um processo de violação de direitos, que fica ofuscado pela Olimpíada. “A retirada dos mais pobres do seu local de moradia é sempre considerada preceito fundamental para a valorização do território, os ovos que devem ser quebrados para se fazer um omelete. Foi assim no bota-baixo de Pereira Passos, nos incêndios das favelas da Zona Sul durante o governo Lacerda e agora não é diferente na preparação da Copa do Mundo e Olimpíadas”, ressalta.

Prefeitura. Desde o início das obras para a Copa e a Olimpíada, Eduardo Paes tem sido questionado sobre as remoções. Ele repete que as obras estão sendo feitas não em função dos eventos esportivos, mas para beneficiar a população. Em 2014, quando recebeu da Anistia Internacional um abaixo-assinado pelo fim das remoções compulsórias, Paes admitiu que a prefeitura manteve “pouco diálogo” com moradores removidos em função da construção dos BRTs (linhas expressas de ônibus) Transcarioca e Transolímpica.

Antes, em 2013, em entrevista à revista Carta Capital, o prefeito justificou as remoções. “A maior parte das remoções são desapropriações formais, em áreas de classe média, classe média baixa. As remoções em favelas, normalmente, ocorrem em áreas de risco. A gente oferece aluguel social de 400 reais, indenizações ou uma unidade do Minha Casa, Minha Vida. É verdade, boa parte dos apartamentos fica na zona oeste. Mas a pessoa pode optar. Dizem que o valor do aluguel é baixo, mas eu tenho 9 mil famílias inscritas no programa. Se ele não concorda com o valor da indenização, pode recorrer à Justiça. Aliás, as indenizações que oferecemos estão superfaturadas, mas como é por uma boa causa ninguém reclama”, afirmou na ocasião. (Maria Eduarda Chagas; colaborou Fábio Grellet)

CONTRA OS MUROS, A DINÂMICA DAS MATAS

[texto original]

A psicanálise, assim como a antropologia e a crítica de arte (para não falar na economia), tem uma linguagem própria, nem sempre fácil de compreender. No entanto, muitas vezes a recompensa para quem mergulha nesse universo é grande. É o que acontece com a leitura de Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros(Boitempo Editorial), de Christian Dunker, um livro cuja importância deve crescer muito à medida que for mais e mais discutido. E pode ter a chave ou chaves para o entendimento de nosso mal-estar, numa direção diferente daquela teorizada por Freud em seu clássico  O Mal-estar na Civilização.

Fundador do Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP (LATESFIP), ao lado de Vladimir Safatle e Nélson da Silva Jr., Dunker é um sujeito alto, grande como suas ideias, ambiciosas, mas sempre expostas com modéstia e generosidade. Na conversa que tivemos em seu consultório, em uma casa simpática no Paraíso, bairro paulistano, o verbo correu solto, entre exclamações, risadas e momentos de profunda reflexão. Dunker, autor também de um livro premiado pelo Jabuti em 2011, Estrutura e Constituição da Clínica Psicanalítica (Editora Annablume), ressaltou temas de seu livro, como a lógica do condomínio, a brasilidade e a psicanálise enquanto sintoma social e formadora de nossa identidade, e fez uma análise da atual conjuntura, das manifestações de insatisfação e ódio, além de mostrar as relações estreitas entre o neoliberalismo e o surgimento de novos sofrimentos psíquicos a partir dos anos 1970. Também fez questão de dizer que seu livro não é tão difícil assim: “Tem capítulos absolutamente não acadêmicos, eu já sei que vou pagar uma conta por isso. Por exemplo, o capítulo em que eu procuro retomar Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda, misturando com música e literatura. Em termos acadêmicos é criminoso, né, porque o estudioso do Lima Barreto vai dizer que a internação dele não foi bem assim, que não se pode considerar apenas o modernismo paulista, etc. Você comete violações para fazer esse passeio macroscópico e dialogar com um público menos segmentado. Inclusive o capítulo sobre diagnóstico não é para psicanalistas, mas para pessoas ligadas ao direito, educação, medicina”.

Logo na introdução do livro, Dunker traz um conceito-chave para entender grande parte da sua hipótese. Além do “diagnóstico” que conhecemos, aquele da clínica, do reconhecimento de sintomas regulares, de síndromes e distúrbios, jurídico-morais, seria preciso desenvolver uma espécie de “diagnóstica” sobre tudo que envolve seu transbordamento, a expansão desses atos, os raciocínios e estratégias de inserção política, clínica e social do diagnóstico e sua consequente “força de lei”. “O diagnóstico de uma doença grave, por exemplo, não é apenas um fato clínico do qual decorrerá um tratamento médico. Ele também se tornará, eventualmente, um fato econômico, para a pessoa e para a família que o recebe, um problema moral, se a doença possuir valência moral na cultura do paciente…” E sintetiza: “Uma diagnóstica é composta pelos efeitos, pelos sentidos e pelas ‘re-redesignações’ que um diagnóstico pode ter para um sujeito ou para uma comunidade diante do aspecto social de sua patologia. Ela é fundamentalmente uma resposta ética que podemos criar para dar destino ao que a psicanálise chamou de mal-estar”. “Boa clínica é crítica social feita por outros meios.” Esta frase no livro, seria uma provocação, diz o autor: “Uma paráfrase de uma frase do Clausewitz, que diz que a guerra é a política feita por outros meios, ou seja, você faz a guerra para voltar à política e quando a política se esgota você vai para a guerra de novo”.

Sua “diagnóstica” do momento – se é que podemos usar essa expressão – é clara: “Coisas como democracia racial, homem cordial, o nosso sincretismo, o jeitinho brasileiro não estão funcionando mais. Nós demos um passo no sentido de nos tornarmos mais indivíduos”. O problema, explica, é que esses novos indivíduos “acreditam demais no contrato, nas relações institucionalizadas, fazem sua parte, mas não recebem em troca a compensação. Aí vem o ódio”.

Pensando em nossa história, Dunker sugere que houve uma suspensão dos termos do problema: “O mal-estar estava nomeado, tivemos a ditadura militar, a inflação, a miséria, a seca, a fome. Com Fernando Henrique, Lula e Dilma, parte de tudo isso foi resolvida, mudando o contexto. O tipo de polarização que a gente tinha foi resolvido. Nossos problemas se tornaram outros e entendo que a gente não criou ainda um pacto em torno de qual é o novo mal-estar e quais são as narrativas de sofrimento que vão governar e ser legítimas nesse quadro. Um elemento unificador do nosso mal-estar hoje é a violência e a corrupção. Só que não são, até segunda ordem, temas que inspirem de fato uma política. Uma interpretação que eu daria para esse momento é que nós estamos por um lado muito fixados em certas nomeações e nomeações que são obviamente insuficientes. A gente precisa de outras, de uma reinvenção e acho que vai vir, pois estamos em um momento de transição”.

Sendo mais específico, Dunker acredita que “a gente vai ver um tempo novo de divisão social, não no real, mas na representação, das pessoas produzirem uma situação geopolítica parecida com a que o Chile viveu até bem recentemente, de estreitamento do centro e polarização de todos os tipos, inclusive de homens e mulheres. Esse tipo de divisão leva, historicamente, a uma reformulação institucional mais vasta ou a uma anomia, que é uma espécie de transformação desse estado de bagunça em regra, ou seja, não vamos mais nos entender, vamos continuar nos desentendendo até quebrar”.

Mas também é otimista quanto aos jovens: “No apagar das luzes desse projeto, e eu considero que Fernando Henrique, Lula e Dilma, e o Itamar Franco também, são o mesmo projeto, tem uma palavra de ordem que é reveladora: pátria educadora. Pela primeira vez na história, você vai ter uma parte expressiva da sociedade educada. As novas gerações se interessam incrivelmente por política, têm uma lucidez de leitura de cenário impressionante e vão fazer alguma coisa a partir de um outro patamar de cultura. Você tem debate aberto e franco pelo Brasil profundo, em Goiânia, em Itumbiara, em Rio Preto, onde quer que se vá”.

Do ponto de vista da insatisfação atual e do sofrimento, no entanto, o buraco parece estar mais embaixo: “A gente só consegue pedir que prendam os ladrões, acabem com a desordem, criem mais leis”, afirma. E continua: “Não é que isso seja equivocado, mas deixa de lado outras formas de sofrimento que são igualmente importantes e que, sem as quais, você não consegue propriamente reorganizar sua relação com a lei. Nós estamos fetichizados com mais leis, mais códigos, mais regras e obviamente, do outro lado, menos corrupção, menos roubalheira, que é produto de uma autointerpretação baseada excessivamente no contrato, isso tudo é contrato! A psicanálise é também, até certo ponto, uma teoria que parte da primazia da lei e do contrato como determinação dos sintomas e formas de sofrimento. Isso explica por que no Brasil tem tanta psicanálise, de boa e má qualidade, porque ela faz parte de nossa cultura, porque é um sintoma do Brasil. Isso é uma tese do livro. Porque o Brasil tem essa marca de se interpretar como deficitário do ponto de vista de relação com a lei. Isso desde os economistas da década de 1920, os antropólogos do final do século 19, os portugueses que nos colonizaram… Quer dizer, o Brasil é uma terra sem lei e sem rei”.

O regime de contrato, fetichização das leis, individualização, novos sofrimentos estão, de acordo com o autor, relacionados intimamente a uma série de acontecimentos concomitantes, a globalização, o surgimento do neoliberalismo e à determinação do DSM (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), que expurgou a psicanálise da saúde mental. “O neoliberalismo te obriga a sofrer como um indivíduo e tão somente como um indivíduo. Isso é uma novidade. Não tem mais sofrimento coletivo, o sofrimento coletivo é uma coisa anacrônica. E mais: para você conseguir sofrer e ser reconhecido, você tem de sofrer como indivíduo. Ou seja, você tem de sofrer em relação à lei, as formas de tratamento se tornam absurdamente ligadas à produção de contratos. Por exemplo, hoje se você pegar o tratamento básico para anorexia, você vai fazer um contrato com seu médico dizendo que se compromete a comer tantas calorias por dia; se você violar o contrato tantas vezes, você vai ser punido ou perder regalias x e y, e se você violar o contrato no final, você será desligado do serviço. Loucura! É uma maneira de colocar o sofrente como um indivíduo consumidor, que, se viola o contrato, é punido ou não ganha o prêmio, ou seja, se está aplicando a lógica de tratamento, cuidado, atenção ao funcionamento econômico. Curiosamente, você pode definir o neoliberalismo com a suspensão das zonas protegidas. Hoje faz parte dos protocolos pensar: esse cara precisa de um transplante de fígado, mas ele é alcoólatra e alcoólatras costumam recair, então passa o fígado para outro, porque o Estado tem de ter uma boa relação custo/benefício. Daí que o diagnóstico para nós (do LATESFIP) seja um ponto de honra, porque houve a assimilação desse campo, da legitimidade para práticas acintosamente comerciais.”

O livro descreve um grande sintoma que cada vez mais estaria presente na forma de organização social contemporânea, a “lógica do condomínio”. “Nós estamos aqui dentro e nosso pacto produz uma lei local que é capaz de ir contra a lei geral e que nos proporciona mais gozo, mais satisfação, além da segurança objetiva e dos benefícios reais que é a inveja que eu provoco em quem está lá do outro lado do muro.

Aqui, a lei não deve ser entendida apenas como um princípio que nos torna a todos equivalentes, interditando certas coisas e prescrevendo outras. A forma de poder que é característica do síndico reside na decisão de “suspender” a aplicação da lei ou de intensificar sua aplicação conforme a circunstância. É assim que pode haver uma corrupção dentro da lei, uma opressão dentro da lei, uma imoralidade dentro da lei. O condomínio é um caso particular do que Walter Benjamin chamou de estado de exceção, e que gradualmente tornou-se a regra para nossas formas de vida, especialmente depois dos anos 1970. E enquanto isso acontece, a gente tem a inveja como afeto social dominante. Então, você tem Daslu, coisas bizarras em termos de consumo, tênis não sei o quê, operação plástica, a arte negociada de uma certa maneira… O que começa a acontecer é que o condomínio vai ficando menor e menor. A varanda gourmet é um reflexo disso, pois, em algum momento desse processo, a forma condomínio começou a admitir pessoas que não estavam previstas. Então você vai ao aeroporto e tem esse bando de gente viajando; você vai ao shopping center e tem pessoas que não são como você e que estão consumindo; a filha da empregada estuda na PUC com seu filho.”

“A vida em forma de condomínio tem um traço que é assim: só vale o último capítulo. Só vale o carro do ano, a Mercedes do ano, o que você está mostrando em presença. Se você tem ou não, se vai para Miami ou não. Você tem uma redução do tempo para o presente mostrável.” Aparentemente, com a desativação de certos pactos de silêncio (a corrupção estava aí, mas não vinha à tona), teria-se aberto um canal de mudança de lugar, da “inveja” em “ódio”.

Para Dunker, isso inicia, de certa maneira, uma nova época. “Foi se formando no Brasil novas formas de sofrer ligadas à indeterminação. Nem tudo é lei. Tem muita gente que está sofrendo porque não sabe o que vai acontecer e não é nem PT nem PSDB. Não tem lugar nessa geografia, não tem opinião. Está totalmente silenciada nessa configuração, se perguntando quem é e não qual é a lei. Quem ela é na medida em que encontra um outro que também não sabe mais quem é, se é uma pessoa, um animal. Ou seja, ou você sofre porque alguém violou o pacto ou você sofre porque tem um objeto intrusivo. A ressaca moral que vai acontecer depois é, ‘escuta, precisamos repensar o Brasil, precisamos reinventar a história’. Isso, por um lado, e o sentimento de anomia por outro. Vai vir. A ideia de que, bom, acabou o Estado, acabou o governo, etc, contém uma verdade de que alguma coisa acabou. Uma forma de vida acabou. Talvez agora ou daqui a pouco surjam outras formas. Mas, enquanto isso, o que acontece com a angústia, a inveja, o sentimento de injustiça… Tudo isso se polariza no ódio. Você só pode entrar na jogada se for com o ódio.”

Mas e o antídoto? Por onde a gente sai? “Sai pelo encontro na mata. A ideia de um índio andando na mata fechada, que encontra algo na clareira. É a lógica do encontro. No condomínio não tem encontro. A graça do encontro na mata é que ele não se faz por uma lógica do nós e eles, que tem a ver com o ódio.
No encontro com o outro na mata, eu não sei mais quem eu sou; ele pode ser um inimigo ou um amigo, um ser humano ou um extraterrestre; eu que preciso me libertar e dar uma voz a um outro tipo de sofrimento, o sofrimento de indeterminação, que tem a ver com o seguinte: escuta, nós estamos sofrendo por excesso de identidade, larga a mão dessa paixão pela identidade, tem a arte dizendo que outros modos de existência em que você não precisa ser idêntico a si. Você precisa construir uma experiência perspectivista, em que não é preciso um diagnóstico, uma nomeação, branco, preto, classe média ascendente, rico bem resolvido, tanto faz, é possível uma vida que seja menos dependente, menos sedenta de identidade, e mais sedenta de alteridade, de uma espécie de negociação perspectiva que dá a graça do jogo e dá outra forma de sofrer, não mais pelo supereu proibitivo, mas por um supereu baseado na potência e na impotência.

Ou seja, nos falta desesperadamente, constitutivamente, uma coisa que não tem a ver com a lei mas com não saber, com a incerteza, a dúvida, a angústia, suspensão de posição no mundo. E onde está isso? Está na arte. A arte conseguiu se desenvolver e falar de um sofrimento que tem essa chave gramatical. A Marina Abramovic é o encontro na mata.”