SALVAR TODXS

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No dia em que o governo anunciou multa de R$ 250 milhões por danos decorrentes do maior desastre ambiental de Minas Gerais, a mineradora Samarco recebeu outra sanção: por determinação da Justiça Federal, a empresa terá de providenciar, imediatamente, o resgate da maior quantidade possível de peixes no Rio Doce. Os rejeitos de mineração mudaram a paisagem por onde passaram e estão a caminho de Baixo Gandu, Colatina e Linhares (ES). As informações são da agência Folhapress.

A decisão ainda responsabiliza a empresa por analisar as espécies do ambiente fluvial e marinho, antes e depois da passagem da onda de lama. Os peixes recolhidos devem ser levados para tanques onde sejam mantidos vivos até a redução do nível de poluição que permita que os animais sejam devolvidos ao rio.

A determinação resulta de ação civil do Ministérios Público do Espírito Santo e do Ministério Público Federal. Além da Samarco, empresa controlada por Vale e BHP – a maior mineradora do mundo –, Agência Nacional de Águas (ANA), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) são réus na ação.

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EQUADOR E O BEM VIVER: RELACIONAMENTOS

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Oil and gas blocks in Ecuador

Ecuador is planning to auction off three million of the country’s 8.1 million hectares of pristine Amazonian rainforest to Chinese oil companies, Jonathan Kaiman of The Guardian reports.

The report comes as oil pollution forced neighbouring Peru to declare an environmental state of emergency in its northern Amazon rainforest.

Ecuador owed China more than $7 billion — more than a tenth of its GDP — as of last summer.

In 2009 China began loaning Ecuador billions of dollars in exchange for oil shipments. It also helped fund two of the country’s biggest hydroelectric infrastructure projects, and China National Petroleum Corp may soon have a 30 per cent stake in a $10 billion oil refinery in Ecuador.

“My understanding is that this is more of a debt issue – it’s because the Ecuadoreans are so dependent on the Chinese to finance their development that they’re willing to compromise in other areas such as social and environmental regulations,” Adam Zuckerman, environmental and human rights campaigner at California-based NGO Amazon Watch, told the Guardian.

The seven indigenous groups who live on the land are not happy, especially because last year a court ruled that governments must obtain “free, prior, and informed consent” from native groups before approving oil activities on their indigenous land.

“They have not consulted us, and we’re here to tell the big investors that they don’t have our permission to exploit our land,” Narcisa Mashienta, a leader of Ecuador’s Shuar people, said in a report.

Dan Collyns of The Guardian reports that “indigenous people living in the Pastaza river basin near Peru’s border with Ecuador have complained for decades about … pollution,” which has been caused by high levels of petroleum-related compounds in the area. The Argentinian company Pluspetrol has operated oil fields there since 2001.

ARSENIO

A lavra principal da mina de ouro se estende até perder de vista. / GUSTAVO BASSO

Bruna Gomes Calda, de sete anos, costuma se refrescar no córrego Rico durante os dias quentes de Paracatu, noroeste de Minas Gerais. “Eu gosto de nadar no rio e pegar pedra no fundo”, diz a menina. O riacho, que corta a cidade ao meio, passa a um par de metros dos fundos de sua casa, no bairro Cidade Nova. Dezenas de residências, a maioria de famílias de baixa renda, foram construídas nas margens de terra do curso d’água, que também servem de área de lazer para Bruna: lá ela brinca, corre e ajuda a mãe, Queila, 28, a pendurar roupas no varal. Nenhuma das duas sabe, porém, que as águas do Rico e o solo do entorno estão altamente contaminadas com arsênio, um dos elementos químicos mais tóxicos da natureza.

A Prefeitura da cidade sabe dos riscos. Mas, segundo moradores, nada fez para alertar a população. “Ninguém nunca me disse nada sobre a possibilidade de contaminação”, diz Queila, que afirma desconhecer o que é arsênio. Em 2010 o Executivo municipal encomendou um estudo ao Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) do Governo Federal, com o objetivo de analisar os impactos que a mineração em larga escala provoca na saúde da população e no meio ambiente de Paracatu. Desde 1987 a cidade abriga a maior mina de ouro a céu aberto do mundo, que hoje é operada pela companhia canadense Kinross, que responde por 25% da produção nacional do minério. A companhia diz em seu site gerar “cerca de 1.300 empregos diretos e mais de 2.500 terceirizados” que totalizam “22% dos postos de trabalho formais do município”, além de ser “a principal geradora de impostos” para a cidade. Em 2014 a companhia obteve receitas de 3,4 bilhões de dólares. A área total das instalações supera a de Paracatu, que tem 8.232 km² – em alguns pontos, a empresa é dona de tudo o que a vista alcança.

O arsênio, que é abundante nas rochas da região (leia abaixo), é liberado no ar e na água quando elas são explodidas para processamento nas instalações da empresa. Em dezembro de 2013 o relatório final do Cetem foi entregue à Prefeitura, e um resumo do documento foi tornado público e colocado na Internet. Nele foi destacado que “mais de 95% da população amostrada apresentou baixos teores de arsênio em urina”.

Sem informação sobre a contaminação dos rios, moradores usam a água. /GUSTAVO BASSO

Uma cópia da íntegra do estudo obtido pelo EL PAÍS com fontes que preferiram o anonimato – o Cetem se negou a fornecer o relatório – mostra um cenário mais preocupante do que fazem crer as 34 linhas do resumo apresentado. O solo ao redor do córrego Rico, onde Bruna costuma brincar, possui em alguns trechos uma concentração de arsênio cinquenta vezes maior do que a permitida pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente(Conama) para uso residencial. Sergio Ulhoa Dani, médico do departamento de Oncologia Médica do hospital da Universidade de Berna, na Suíça, afirma que as consequências do acúmulo da substância nos seres humanos são devastadoras: “Diversos tipos de câncer, diabetes, problemas na pressão arterial, alterações endocrinológicas e vários problemas respiratórios estão entre as doenças provocadas pelo arsênio no corpo”, afirma. Dani já  morou em Paracatu, e há anos acompanha os efeitos da mineração na saúde dos moradores – até hoje examina laudos e exames médicos da população local.

Segundo ele, alguém que entra no córrego se “expõe ao arsênio que está na água, já que a substância pode passar pela pele. Mas a mais perigosa forma de exposição é via oral – muito comum em se tratando de crianças – e respiratória”. Dani, que analisou dezenas de amostras de sangue e urina de pacientes de Paracatu, afirma que a maioria delas possuem arsênio: “Não existe nível seguro dessa substância no corpo. Apenas a presença dela já indica contaminação”. De acordo com o médico, alguns pacientes saíram da cidade há décadas, mas continuam contaminados, já que o “arsênio é liberado no sangue por anos após a exposição, pois se acumula nos ossos.”

A Kinross afirma, em nota, que “a presença de arsênio em Paracatu se dá de forma natural”, e que os rios que estão contaminados “se tratam de cursos d’água que no passado, principalmente na década de 80, sofreram impactos gerados pelas atividades garimpeiras que têm ocorrido desde os anos 1700 na cidade”. Estas atividades, segundo a empresa, teriam sido “executadas sem nenhum acompanhamento técnico e causaram impactos não controlados à época”.

Em cinco das oito amostras coletadas pelo Cetem no entorno do rio Rico, a terra não poderia nem mesmo ser usada com finalidades industriais

A aposentada Maria Helena Gonçalves Nunes, 66, acabou de receber o resultado do seu exame de arsênio feito em um laboratório particular. “Estou muito triste. Estou com um índice muito alto [de arsênio] no corpo”, diz. Moradora de uma chácara localizada no pé da barragem de resíduos [local onde a mineradora despeja os dejetos químicos da atividade], ela diz que evitava tomar a água dos córregos que cortam a região, por medo de contaminação. “Quando eu ia da cidade para lá eu sempre levava água, para não ter que usar aquela. Mas às vezes não dava, e eu acabava cozinhando com o que tinha lá”, afirma. O exame de Maria apontou 14,2 ug/g da substância, quando o valor de referência é até 10ug/g.

“Tenho pressão alta, meu corpo dói e coça, meu couro cabeludo também e fico com um mal estar”, diz ela. Para Dani, os sintomas apresentados são condizentes com um quadro de arsenicose, que é a intoxicação aguda pela substância. A fazenda de Maria é cortada pelo rio Santo Antônio, cujo sedimento tem uma concentração de arsênio 189 vezes superior à permitida pela Conama, de acordo com o Cetem. A água do rio é imprópria para o consumo, e em alguns trechos o solo do entorno não poderia abrigar nem mesmo indústrias. Maria agora pensa em vender o terreno, que está com a família há mais de 40 anos: “Não dá para ficar, se eu me contaminar mais não sei o que vai acontecer comigo. Agora penso em vender minha terra, não tem mais jeito. Antes tinha água limpinha lá, hoje a nossa nascente é só lama”.

Em cinco das oito amostras coletadas pelo Cetem no entorno do rio Rico, a terra não poderia nem mesmo ser usada com finalidades industriais – que tolera concentrações maiores de arsênio. O sedimento do fundo do córrego – onde Bruna gosta de pegar seixos no leito – tem, em alguns trechos, uma concentração da substância 252 vezes maior do que o permitido pelo Conama: são 4297,2 miligramas do mineral por quilo, ante os 17 mg/kg permitidos pela legislação em vigor. E a água do rio é imprópria para o consumo humano em diversos pontos analisados – em um deles não poderia ser usada nem mesmo para irrigação ou consumo animal.

A barreira de rejeitos, construída sobre um quilombo. / GUSTAVO BASSO

Um dos trechos do estudo,publicado apenas em inglês na Internet, conclui que “o arsênio não oferece riscos [de doenças] não-carcinogênicas [diabetes, pressão alta, problemas respiratórios, etc] para adultos, mas as crianças estão em risco. Já os efeitos carcinogênicos [risco de câncer por contaminação], crianças e adultos correm risco”. Mais adiante, o relatório afirma que a principal via de contágio é pela “ingestão de água e inalação de partículas”. O EL PAÍS solicitou diversas vezes sem sucesso entrevistas com o prefeito Olavo Remígio Condé, do PSDB. Posteriormente a assessoria informou que a reportagem seria atendida pelos secretários da Saúde e do Meio-Ambiente de Paracatu, o que também não se concretizou.

Ativistas locais de direitos humanos e acadêmicos colocam, ainda, sob suspeita o estudo do Cetem e a divulgação parcial dos resultados, alegando que o Centro não teria isenção para investigar a poluição da Kinross, já que teria negócios com a empresa. Dados obtidos pelo EL PAÍS via Lei de Acesso à Informação apontam que a entidade recebeu mais de 500.000 reais em pagamentos da mineradora por serviços como consultorias e estudos.

Jorêncio Pereira dos Santos, 47, é outro morador que vive às margens do Rico. Sua principal atividade é a coleta de materiais recicláveis na cidade. Aposentado por invalidez após um acidente de trabalho na lavoura, ele depende de doações de alimentos para sobreviver. Sem acesso à água encanada, Santos se vê obrigado a utilizar a água de um dos braços do Rico para tomar banho e cozinhar. “Não tenho água nem luz aqui na minha casa. Se não fosse pela água do rio, eu não teria como fazer”, diz. Ele reclama da poeira e da poluição do ar, mas diz nunca ter ouvido falar do arsênio. Enquanto aponta para dois peixes pendurados em um varal na área externa da casa, ele garante: “Não foram pescados aqui. Se tivessem, eu não comeria”.

Da rocha para a cidade

Santos exibe um pedaço de rocha com arsênio. / GUSTAVO BASSO

O geólogo Márcio José dos Santos, mestre em Planejamento e Gestão Ambiental pela Universidade Católica de Brasília, explica como ocorre a liberação do arsênio na mina de Paracatu. “Quando a rocha é explodida com dinamite na lavra[área principal da mineração] o arsênio, que antes estava preso e não oferecia risco para a saúde, é liberado no ar e reage com a água e outras substâncias do ar, tornando-se ativo e perigoso”, diz. Segundo ele, na cidade os ventos sopram do sentido nordeste para o sudeste, o que contribui para que esta poeira venenosa vá da mina para a cidade. Em outra etapa da mineração, os fragmentos de rocha são tratados com produtos químicos, o que libera mais arsênio. “Estes produtos são jogados na barragem de rejeitos, que é uma grande represa altamente tóxica onde todas as ‘sobras’ do processo são armazenadas”, afirma.

A mineradora informou que o durante o processamento do minério ele “é separado usando cianeto e vai para um recipiente próprio com medidas de múltipla proteção”, e que a empresa “segue rigorosos e modernos monitoramentos ambientais que atestam junto as agências reguladoras e órgãos ambientais a eficiência dos seus controles”. Quanto à poeira liberada, a companhia afirma aspergir as vias de acesso com água, para evitar que os grãos se espalhem no ar, e diz aplicar “polímeros, [e promover a] revegetação das áreas de entorno”.

A Kinross construiu duas barragens de rejeitos – restos de produtos químicos e rochas no processo de exploração – em Paracatu, que dominam grande parte do horizonte da cidade. A mais recente, construída em 2006, inundou o vale do Machadinho, que era lar da comunidade quilombola de mesmo nome. De acordo com o Ministério Público Federal, os descendentes de escravos forampressionados pela mineradora a venderem suas terras. Outro quilombo foi ‘comprado’ para que suas terras fossem usadas na construção da barreira no vale. Hoje os enormes ‘lagos’ tóxicos ocupam uma área de mais de 3.000 hectares, que comportam quase dois bilhões de toneladas de rejeitos. Santos acredita que, como as barragens ficam em uma área de fratura geológica, os resíduos tóxicos se infiltrem no lençol de água subterrâneo.

“Os rejeitos químicos da lama despejada lá reagem com a argila do fundo da barragem, aumentando ainda mais a fratura. Por isso os córregos situados abaixo da barragem estão contaminados”, explica o professor. O relatório do Cetem embasa a conclusão do geólogo: dos 11 rios da cidade analisados, seis apresentaram amostras de água e solo contaminadas com arsênio.

A companhia nega que haja vazamento da barragem e afirma que “controles e monitoramentos garantem a estabilidade da estrutura da barragem e a qualidade da água devolvida ao ambiente”. Na nota enviada à redação, a empresa afirma ainda que “as águas captadas nos barramentos da nossa barragem (…) passam por um sistema de tratamento antes de serem devolvidas aos córregos com qualidade e conformidade com os parâmetros legais”.

Funcionários em risco

Pela cidade é possível encontrar outdoors onde funcionários da Kinross aparecem sorridentes sob a hashtag orgulhodeserkinross. Um trecho do pequeno resumo executivo do relatório do Cetem, no entanto, afirma que “os empregados da mineradora de ouro (…) não participaram da pesquisa [que envolveu coleta de sangue e urina dos moradores], embora tenham sido convidados”. O estudo diz ainda que “as razões para a não participação deles [na pesquisa] são incertas”, mas que “pode-se afirmar que esse grupo é mais vulnerável à exposição ao arsênio do que a população em geral”.

A Kinross informou que “o escopo original do estudo Cetem não incluía os empregados da empresa”. Segundo a nota, a companhia “tem seu próprio programa de monitoramento como parte de seu programa ocupacional de saúde e segurança”, e que os resultados “mostram que todos empregados estão dentro de níveis aceitáveis de exposição”.

Trabalhadores da companhia que não quiseram se identificar disseram que a Kinross colhe sangue e urina dos funcionários a cada três meses. “Eles não informam os resultados, apenas dizem que está tudo bem”, diz um deles, que trabalha na lavra e diz aspirar “muita poeira que sai das rochas” diariamente. Quando perguntado por que não fazia um teste em outro lugar para detectar os níveis de arsênio em seu corpo, o funcionário diz apenas que tem “medo” do que pode descobrir.

A empresa negou que os resultados não sejam apresentados aos funcionários: “Os resultados dos exames realizados são apresentados e ficam disponíveis para nossos empregados e para as autoridades”.

PARQUE XINGU E O FOGO

XINGU

Desmatamento em torno do Parque do Xingu, em Mato Grosso. Áreas em vermelho, sem floresta. Áreas sem desmatamento: apenas o Parque.

VIDA SELVAGEM NAS CIDADES

[texto original]

Tall buildings, abundant food sources and a lack of predators make modern cities a natural habitat for many birds and animals

Perching on the side of an old power station chimney with St Paul’s Cathedral to the north and the Shard, Europe’s tallest building, to the east is not where you might expect to glimpse the world’s fastest bird. Yet Tate Modern, and London landmarks including Battersea Power Station and the Houses of Parliament, have been home for several years to peregrine falcons. A surprising flash of the wild in the heart of the city, the powerful bird of prey is also a specialised hunter of feral pigeons, considered such an urban pest that in 2003 a ban was imposed on feeding them in Trafalgar Square.

With cities’ abundant food sources and tall buildings providing a predator-free equivalent of the species’ traditional cliff-side home, the raptor’s success has extended far beyond the capital. Having colonised urban areas from Aberdeen to Cardiff, ecologists now believe it is only a matter of time before peregrine falcons are breeding in every major UK town and city.

“All those born and bred in cities, that’s their habitat that they’ve grown up in. When they’re drifting around the country, they find little towns and cities elsewhere … and that’s what they’re used to,” says David Goode, a veteran ecologist and author of a new book, Nature in Town and Cities. “That’s why I say it won’t be long until they’re in every place.”

The peregrine is just one of many species that have invaded British cities in the last few decades, encouraged in no small part by an urban ecology movement that flourished in the 1980s. “There are those that have done well – pigeons, foxes, gulls – because of our food,” says Mathew Frith, an ecologist and policy director at the London Wildlife Trust. “There are others that have done well without our intervention, such as the black redstart, known as the ‘bombsite bird’ because of its liking for the cover that bomb sites provided.” Then there are the species that benefited from conservation efforts, such as the red kite.

A large bird of prey with a wingspan of nearly two metres, the kite was on the verge of extinction until a wildly successful reintroduction began in 1989. Today there are more than 1,000 breeding pairs in the UK. Frith believes that with kites recorded flying over Hackney, they could be breeding in London in as little as a decade as they expand from existing strongholds, such as Reading. They can also be seen in Leeds city centre, Gateshead, Manchester and Birmingham. It is a long way from past expectations of naturalists. In 1898, ornithologist William Henry Hudson thought it “exceedingly rare” that such raptors would ever return to our cities, following decades of industrialisation and urbanisation.

In the Midlands in particular, the urban wildlife movement grew as industrialisation went into reverse, and nature recolonised derelict land. And it happened despite, not because of, the traditional big conservation groups. “There was a big sand quarry in Birmingham which had wonderful wetlands and great sand cliffs. The local authority in the late 1970s decided it would be a useful landfill site, which triggered very local opposition,” recalls Chris Baines, vice-president of the Royal Society of Wildlife Trusts since 1984 and an ecological adviser to several major developments including the Thames Tideway tunnel.

“The landscape was teeming with newts and frogs but people realised in official circles that didn’t count for anything. The RSPB famously wrote to me to say it was very interesting but there can’t be anything there because it was in the middle of Birmingham.” The site was eventually saved by local people and, in Baines’s retelling, “the penny began to drop” in nature conservation circles that they needed to connect with people, and most people lived in cities.

“This is not a second-rate [version of nature],” he says, as he counts off the owls and woodpeckers that live near his home in Wolverhampton. As Goode outlines in his book, the variety of our cities lends itself to a diversity of species. “Because the city is so heterogeneous, with a great mixture of different ecological conditions, it is not surprising that a considerable variety of wildlife is able to exist.”

In Edinburgh, kestrels hunt voles at Arthur’s Seat. Exotic species such as mandarin ducks and Egyptian geese are on the verge of colonising cities. Kingfishers have brought a splash of colour to grey concrete waterways in gritty urban areas including Deptford, south-east London, and one was even seen regularly in St James’s Park in central London this winter.

Badgers and foxes are now in most major urban areas, aided by a more regular food supply than they can find in the countryside. Deer crowd on city fringes, with numbers high enough in Richmond Park to necessitate a twice-yearly cull. Otters have rebounded and can now be found in every county, and have used waterside wasteland areas and canals to make their way to the heart of cities, such as under Leeds railway station.

Water voles – Ratty in The Wind in the Willows – can be found in Bristol and Newcastle, living happily free of one of their main modern threats, imported American mink. Like the kingfishers, both have been helped by cleaner waterways as the Environment Agency has cracked down on polluters, with the UK racing to meet EU water quality standards.

But this invasion has not been entirely peaceful. There are famously more foxes living in London than there are double-decker buses and, while some people love to see them and leave out food to entice them, others pay snipers to kill foxes for £75 per animal. When a fox reportedly bit off a baby’s finger in its Bromley home in 2013 – surgeons later reattached the finger – mayor Boris Johnson backed a cull of urban foxes, calling them “a menace” and subsequently joking that they could be hunted from bicycles.

Yet experts say fox numbers in the UK are relatively stable. Professor Stephen Harris of the University of Bristol, the authority on the subject, says there are around 33,000 urban foxes. Besides, ecologists argue, killing foxes would be pointless because they are territorial, with a territory of 25 to 40 hectares on average at the smaller end. Kill one, and another simply claims the territory. “Until you manage the food issue, any kind of control is kind of pointless and expensive,” said Frith.

Foxes aren’t the only wildlife that some people want to shoot. James Marchington, a gun sports journalist and owner of the “bird table of doom”, found himself under fire from conservationists last December for publishing a video showing how to shoot ring-necked parakeets in London.

Originally from Asia, the bright green birds have gone from a population of zero to more than 30,000 in less than four decades, and are now found in London, Manchester, Birmingham and Oxford. The invasive species has the potential to be a serious agricultural pest by stripping fruit crops – if it can successfully expand into rural areas from the urban strongholds it has colonised. In 2010, they were added to the general licence, a list of birds that can be killed without a permit if they are causing significant damage to crops.

“Though the critics of my video chose not to notice, I did have a specific problem with a small number of individual birds who’d taken a liking to the apple trees in my garden … as I understand it, that’s covered by the general licence,” said Marchington, who lives on the outskirts of London, in Surrey. “I’ve grown up surrounded by shooting in the countryside and wildlife management comes naturally to me; that’s what you do.”

The RSPB disagreed, condemning the video, which, it argued, showed a leafless tree without a crop and wouldn’t justify shooting under the general licence. Marchington, who keeps chickens and feeds birds in his garden, said “we are all hypocrites” when it comes to animals. He said the reaction to the video spoke volumes about conflicted modern attitudes to wildlife. “I think people today are disconnected to nature, and yet still have a hankering to get closer to nature. That manifests itself in people going hiking at weekends or doing bushcraft. But they find it difficult to reconcile this idea that they love animals, yet if we’re going to live the way we live [eating meat], they’re [animals] going to need to be killed and we’re going to need to manage wildlife populations [to be free of pests and diseases from animals].”

Animal welfare group Peta called the video “deranged”. Charlie Jacoby, who runs the channel where the video was shown, said in an interview: “Peta lives in this Disney world where all animals and birds are furry and cuddly. I like animals and birds as well but I also see them as pests and I also like to eat them. I think Peta needs to develop more emotional intelligence about wildlife. These birds are pests and government has designated them as such. People who live in towns should be able to manage their animal problems, just as people in the countryside do.”

Another section of society appears to view urban wildlife in a more practical, albeit no less destructive, light: as a potential meal. Ecologists in Sheffield report anecdotes of migrants living rough in the city’s parks catching fish to eat and roasting squirrels. They say eastern Europeans have the skills to catch and safely cook animals. A recent study by the Food Standards Agency and the Food and Environment Research Agency appears to back up those anecdotes, finding growing evidence that more people are eating fish they have caught from rivers and canals. “This may be partly due to the increased numbers of migrants from eastern Europe where this is part of traditional culture and partly because of a desire to try new foods encouraged by celebrity chefs,” the study concluded.

Ecologist David Goode says that while there is an occasional public outcry after isolated incidents of conflict, the British are accepting of urban wildlife on the whole. He attributes the live-and-let-live attitude partly to the country’s long history of conservation movements and amateur naturalists, right back to the city-based natural history societies of the early 19th century.

Another reason for that accepting attitude could be stressed-out city dwellers’ simple self-interest. Ecologists are at pains to stress the mental health benefits of nature in cities, while a major report by the environment department found the health benefits of living with a view of a green space are worth up to £300 per person each year.

Melissa Harrison is in no doubt she’d count herself among those benefiting mentally from being around urban wildlife. Brought up in semi-rural Surrey, she realised she was very unhappy while living in heavily built-up Dalston, east London, but couldn’t put her finger on the reason why. “I went to Devon for a week, and realised that was what I needed,” she said. “I moved south to Clapham – I had no garden but could see a tree out of the window. It had a magpie nesting in it, I could watch the leaves change, I had a connection.”

Inspired by getting a dog and moving next to Streatham in south London, she wrote a well-received novel called Clay about a boy and his connection with wildlife in the city. “Writing Clay was to get other people to notice [nature around them in the city]. You don’t have to move to Dorset, people have it here, they just need to notice it,” Harrison said.

“There’s just the simple fact that we evolved in nature, we’re animals, we’re not separate. You take us completely out of that environment and people feel it as a loss, that’s almost quite wordless. It’s the kind of thing you don’t necessarily notice you’ve lost.”

The capital has been losing the equivalent of 2.5 Hyde Parks a year
But the natural riches in our cities today shouldn’t be taken for granted, observers say. Previous gains could be set back by a combination of planning reforms, pressure for new housing, particularly in the south-east, and austerity measures. The capital has been losing the equivalent of 2.5 Hyde Parks a year to new developments and the paving over of front gardens, according to one analysis. Upcoming local government budget cuts of 10% for 2015-16 are “likely to have further adverse implications for biodiversity conservation”, warns the London Wildlife Trust, which says there has already been a “substantial impact” from previous cuts this parliament.

“The enthusiasm generated in the 80s is still resulting in things being done. But there is a degree of complacency creeping in now,” said Goode. He warns that local authority budget cuts will mean they will employ fewer ecologists, resulting in “a lack of ecological awareness in planning”.

Goode gives the example of former coal yard Camley Street, which is now a small nature reserve in the middle of King’s Cross after a campaign backed by Ken Livingstone and many others stopped it being turned into a coach park. “Nowadays, you wonder whether that kind of thing would happen. There are several instances of things being set up in the 80s, and everyone was full of enthusiasm. I wonder whether they would happen now.”

How wildlife is evolving in cities

Falcons

Wildlife is changing our cities, but our cities are also changing them. Part of the peregrine falcon’s success has been learning to catch birds at night using artificial light, something they would not do in their traditional cliff and mountainside habitat. “That really is Darwinian evolution, a gradual shift of birds becoming aware of a new set of circumstances,” says ecologist David Goode.Those that excel at night hunting could thrive at others falcons’ expense.

Peppered moth

Biston betularia, a moth species, felt the impact of polluted UK cities in the 19th and early 20th centuries, with populations shifting from a white variety with black spots to a wholly black variety, which proved better in avoiding predators on sooty walls This is considered a classic case study of evolutionary pressures in action. But clean air legislation introduced in 1956 made the darker moths suddenly vulnerable in urban areas, leading to their decline. In Cambridge, the darker version is now effectively extinct.

Squirrels

Grey squirrels in cities are more likely to use visual rather than audio signals. US researchers say the behaviour may be a response to higher noise levels in urban environments, leading city squirrels to warn each other of predators using tail flagging more often than calls. Contrary to what scientists expected, urban squirrels were also more reactive to threats than their rural counterparts

Brains

Water vole, Arvicola terrestris, on an urban canal bank in Derbyshire, England.
Water vole ( Arvicola terrestris), on an urban canal bank in Derbyshire, England. Photograph: Duncan Shaw/Alamy
Cotton mice and meadow voles in urban areas have bigger brains, US scientists have found, supporting the theory that the diversity and complexity of cities increases cognition, at least in some species. Other studies have also found that species with bigger brains fare better in cities. “It is logical to conjecture that brain size can be related to the success in an urban environment, which is both novel and harsh,” said the authors of a study of passerines, the largest order of birds.

Birdsong

Several studies have shown that city birds sing at higher pitches than their countryside cousins. A survey, by Rupert Marshall of Aberystwyth University, published in the journal Proceedings of the Royal Society B, found city great tits sing at a higher pitch than those in nearby rural areas to stand out over the lower-pitched rumblings of traffic and other man-made noise. Other studies have concluded that blackbirds sing at a higher pitch because they are able to sing more loudly at higher frequencies.