BANCO PUBLICO DE TERRAS

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Desde el área de Urbanismo y Sostenibilidad que dirigen Pablo Muñoz y Teresa Artigas se ha dado un importante paso para crear el Banco Público de Tierras municipal de Zaragoza.

Esta mañana han anunciado que 36 hectáreas en el barrio de San Gregorio que iban a ser destinadas a la construcción de 1.347 viviendas, serán utilizadas como espacio para huerta ecológica. Esto supone un avance hacia cambios en el modelo productivo de la ciudad más sostenible y no basado en el ladrillo a la vez que generadores de empleo de calidad.

El proyecto está ligado a un modelo de sostenibilidad estratégico parael Gobierno de la ciudad que dirige Zaragoza en Común. El objetivo, a medio plazo, es favorecer que los ciudadanos y ciudadanas de Zaragoza puedan alimentarse de su producción agroecológica, lo cual es sostenible desde puntos de vista sociales, ambientales y económicos y además, genera empleo local, beneficios ambientales y es saludable para las personas

El Banco de Tierras forma parte del proyecto en el proyecto Huertas Life km 0 consistente en la recuperación medioambiental de espacios periurbanos de Zaragoza mediante la intervención en el ecosistema y la agricultura ecológica.

De las 36 hectáreas, el Ayuntamiento es el propietario del 60% aproximadamente, unas 22. La junta de compensación pondrá en alquiler todos los terrenos para 62 agricultoresa que se formaron en el proyecyo Life Km. 0. Estos alquilere serán baratos y asequibles para los interesados en disponer de tierras.

Estos terrenos tienen la ventaja de que en su estado actual son adecuados para el cultivo en régimen de regadío en casi toda su extensión, prácticamente sin inversiones adicionales.

Aparte de generar empleo (se estima que con 2 hectáreas de huerta puede vivir una familia dignamente y favorecer el emprendimiento, el objetivo es que Zaragoza pueda llegar a contar con producción agrícola y ecológica suficiente para atender la demanda de la ciudad, incluidos todos los centros municipales donde hay servicios de cafetería y/o comedor.

Se buscarán más terrenos en otras localizaciones para que todas las personas formadas puedan desarrollar su actividad.

 

CONTRA A POLICIA

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Imagine a cena: durante um protesto, um manifestante nota que há policiais sem a identificação obrigatória. O que ele pode fazer a respeito?

A partir desta terça-feira (16), os usuários do sistema Android terão a opção de denunciar desvios de conduta e violência policial por meio de um aplicativo de celular.

Batizado de “Projeto Vigilante”, o sistema foi desenvolvido pela ONG EvoBra, organização recém-fundada pelo bacharel em direito Luccas Adib, 25, para pesquisar inovação em políticas públicas.

“A ideia era construir uma plataforma dinâmica para as pessoas fazerem denúncias, e então encaminhá-las para um órgão competente”, diz.

Gratuito, o aplicativo tem capacidade para estocar até 10 mil queixas, anônimas ou não. É possível identificar a corporação (polícia civil, militar, federal ou guarda metropolitana), o tipo de delito, descrever a ocorrência em até mil caracteres e utilizar geolocalização. Além disso, o usuário pode anexar vídeos, fotos e áudios.

“Muitas vezes, as denúncias acabam não indo a lugar nenhum por falta de provas”, afirma Adib. “Desse jeito, você facilita o envio de mídia, por vários ângulos, já que pode ser utilizado tanto por vítimas como por testemunhas.”

FINANCIAMENTO COLETIVO

Para pagar os custos do projeto, que conta com uma equipe de seis pessoas, e mantê-lo funcionando, a EvoBra deve lançar nesta semana uma campanha de financiamento coletivo na internet. O objetivo é arrecadar R$ 20 mil. Depois, a ONG pretende lançar versões para iPhone e Windows Phone.

“O smartphone, hoje, tem um alcance maior no Brasil do que o computador”, diz o criador do app. Segundo dados do instituto de pesquisa Nielsen, 68 milhões de pessoas acessaram a internet via celular no primeiro semestre de 2015, no Brasil. Cerca de 64% delas tem entre 10 e 24 anos –e, de acordo com pesquisa da Prefeitura de São Paulo com a UFSCar (federal de São Carlos), 83% dos jovens mortos por PMs em 2014 na cidade tinham entre 15 e 29 anos.

Depois de recebida a denúncia, a ideia da EvoBra, diz Adib, é repassar para as ouvidorias, que teriam um usuário de administrador –as parcerias seriam formadas com Estados e municípios a partir da demanda. Além disso, a ideia da ONG é utilizar os dados para estatísticas. A base, no entanto, não é acessível para o público.

Hoje, é possível enviar denúncias para a ouvidoria das polícias do Estado de São Paulo via telefone, e-mail, carta ou pessoalmente. E, por enquanto, diz o ouvidor Julio Cesar Fernandes Neves, esse tipo de parceria digital não é possível. “Por causa da questão do sigilo, que nós não podemos delegar a terceiros. Se um sequer for quebrado, acabou a ouvidoria.”

Adib afirma que já pensa em alternativas. “Eles podem se recusar, e aí a gente passa de outra maneira, pega as 500 denúncias no fim do mês e manda até por carta”, diz. “O que eles não podem fazer é dizer que não aceitarão a denúncia de nenhum jeito.”

As parcerias, porém, não estão totalmente descartada. Em outubro de 2015, a equipe do “Projeto Vigilante” foi a Brasília apresentar o aplicativo no 1º Laboratório de Participação e Inovação para Redução de Homicídios, do Ministério da Justiça, com quem, diz Adib, tem negociado.

“E se eles quiserem criar um aplicativo próprio, ótimo. O propósito, que é de criar um canal mais simples de denúncias, vai ter sido cumprido.”

PROJETO VIGILANTE

PASSO A PASSO DA DENÚNCIA

1. Clique em “Denuncie”: o aplicativo localizará a ocorrência em sua posição atual; se não puder fazer a denúncia no momento e local do abuso, altere os campos data, hora e local manualmente

2. Escolha a corporação (polícia civil, militar, federal ou guarda civil metropolitana), a natureza da denúncia (homicídio, corrupção etc.) e a detalhe (se quiser), em até mil caracteres

3. Anexe vídeos e fotos da galeria ou use a câmera e microfone para gravar na hora; é possível fazer a denúncia off-line –os dados são salvos e enviados para o servidor quando o celular é ligado a um wi-fi

4. Se quiser se identificar, preencha os campos “nome” e “contato” –todas as denúncias são, a princípio, anônimas

SITES

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The annual list of the ten best planning, design, and development websites, representing only some of the top online resources for news, information, and research on the built environment.

Every yearPlanetizen recognizes ten websites as the best online resources for urban planning, design, and development.

When Planetizen first began compiling lists of top websites in 2002, we included 50 websites on the list. Even with that many sites on the list, the collection offered very little of the variety and innovation available online in 2015.

In 2015, the Internet includes apps in addition to websites, enabled by additional layers of technology, like the Cloud, smartphones, and GPS. Websites today include sub-genres like crowdsourcing, crowdfunding, social media, and data viz, in addition to the traditional news and institutional sites. Meanwhile news and institutional sites can often be found using the technologies of crowdsourcing, crowdfunding, social media, and data viz. Excellence online in 2015 isn’t always a radical new technology or tool—sometimes it’s a well chosen blend of the many possibilities available.

After collecting nominations from readers and staff, the Planetizen editorial staff selected the “2015 Top Websites” list based on a common set of criteria, including content, design, and usability, choosing ten websites representing a variety of uses and focuses. We’ve listed the websites alphabetically, not in order of rank.

Chicago Cityscape

Not all systems for tracking development and planning are created equal, but they all have some catching up to do compared to the example set by Chicago Cityscape. For the uninitiated, the website offers access to open data on building permits—providing tangible evidence about how the neighborhoods of Chicago are changing. Chicago Cityscape relies on a simple design to present copious amounts of open data—from renovations to demolitions to violations and more. Searching a specific property also produces information on Census tracts, planning and zoning overlays, and neighborhood info. Much of the data available on the site requires a subscription to access, but a quick poke around the free version of the site is all it takes to see the tremendous power of open data to provide access to information about the development process.

City Observatory

City Commentary, the blog and news analysis feed on the City Observatory website has achieved something truly rare in the planning and urbanism media landscape: every single post is essential reading. Well argued and well researched—City Observatory has become one of Planetizen‘s most trusted sources for reasoned perspective on the news and ideas of contemporary times. The kinds of urbanists that could benefit from the knowledge shared on City Observatory: advocates, policy makers, journalists, students, and citizens. That’s just about everyone, right?

Civic Crowdfunding Sites ioby and Neighborly

We stretched the rules a little on this one and acknowledged two websites—both examples of crowdfunding but each with a significantly different approach.

Neighborly provides access to public finance by connecting users to municipal bonds—that critical mechanism for capital investment that sums to a market of $3.7 trillion. The big idea: in choosing specific municipal bonds for investment, people also choose causes to support (like education or infrastructure).

By contrast, ioby works more the well known model found on Kickstarter—users present a project for fundraising and the public can decide a level of support for the project. Because projects are civic in nature, ioby has proven to have beneficial effects for local efforts of placemaking and community building. If you’re looking for more on ioby and Neighborly, an article by Bloomberg Business highlights both.

Esri Story Maps

Few technology companies are as essential to the practice and study of planning as Esri, makers of, among many other things, ArcGIS. Esri Story Maps offers a free, easy-to-use tool for creating effective, visual stories. By offering Story Maps with free access, Esri leverages its significant firepower in the world of mapping into the world of storytelling, creating a welcome and valuable addition to the toolbox of anyone who cares about places, the planet, or people. For an example of the power of the platform, check out the “Atlas for a Changing Planet,” created by the Esri Story Maps team on the occasion of the United Nations Climate Summit. Bright, interactive, engaging, imaginative—the possibilities for Story Maps are as boundless as the world itself.

Greater Places

Built on the premise that communities need new types of resources for design, Greater Places provides “organized, visual examples, networked communities of peers and great ideas…” Think of Greater Places as a compendium of case studies, ranging in subject from plan making, resilience, equitable development, street design, water, and many more. While the Greater Places website is in itself a tremendous resource worthy of this list of best websites, Greater Places also deserves credit for creating a new level of conversation as one of the creators of Cards Against Urbanity and a forthcoming planning game.

Social Media Sites Pinterest and Instagram

It’s impossible to stress the importance of thinking beyond the confines of an organization’s official platform for the benefits of the Internet. Social media integration has a been a buzzword for a long time, especially for planners and designers faced with the daunting tasks of pitching projects to the public, but obviously some have done a better job of others of rising above the noise and clutter of the contemporary social media landscape. Two platforms in particular have shown a surprising knack for facilitating better planning and design understanding: Instagram and Pinterest.

Instagram is well acknowledged for its celebration of the visual delights of all kinds of environments—from rural to urban and international to domestic. The city of Mobile, Alabama took the platform a step further, using the app’s geotagging function to create an initial database of blighted and vacant properties. In effect, Instagram provided a cheap and easy tool that made it much easier to take the initial tentative steps in a large planning effort.

The power of Pinterest is exemplified by Slow Ottawa’s Pinterst page, which gathers and presents ideas about how to improve planning and design outcomes. Slow Ottawa’s Pinterest board includes visual presentations of ideas for streets for everyone, street furniture, hydrology, and even planning failures. Pinterest is so well suited for organizations looking for an accessible, cheap, and sharable platform for ideas—it’s a wonder we don’t see more doing it.

Streetmix

For a “side project” by a group of 2013 Code for America fellows, Streetmix has managed to attract a lot of attention from Planetizen readers. Streetmix allows site visitors to “design, remix, and share” street ideas, by providing an interactive street diagram easily manipulated by dragging and dropping and pulling and removing. The menu includes car lanes, bike lanes, landscaping, bus lanes, bus shelters, and rail transit. Streetmix earns its place on this list for seamless functionality as well as broad appeal: it’s easy to imagine the use of Streetmix as a tool for academic instruction, outreach, and advocacy (and we’ve already noticed Streetmix-created diagrams popping up all over the web), and also as a habit-forming and entertaining tool for seasoned urban designers.

Strong Towns

Mainstream media outlets have noticed, as have we at Planetizen, how successful Charles Marohn has become at spreading the gospel of Strong Towns. Strong Towns is one of the few essential reads focused on planning, offering unwavering excellence in advocacy, reportage, and rhetoric. Not to mention that the annual #BlackFridayParking event is a model of online engagement. If you’re looking for a gold standard of presenting and supporting ideas about how to improve the built environment: Strong Towns is it.

Surging Seas

Climate Central created an interactive map to illustrate the catastrophic threat to coastal communities presented by sea level rise. Even oil companies agree that we will have to prepare for rising sea levels—this tool just shows you how difficult a challenge that represents. A quick tour around the United States using the Surging Seas interactive map is all it take to see that it will take a larger project than anything humans have imagined thus far to stem this tide. Surging Seas provides more than just a scare tactic, however, deriving its power from information instead of fear. The website provides several different tools for risk identification and reduction, additional layers of data, like population, income, and ethnicity, to create a holistic picture of the challenge, and, finally, a constant reminder that the coastal environment of the future will be a result of the choices we make now.

WALKScope

WALKscope is the rare example of crowd-sourced public engagement that actually works. WalkDenver and PlaceMatters created the platform to engage the public in gathering information about the pedestrian environment in Denver. The color-coded map that results from all this collaboration quickly and clearly identifies the gaps in the pedestrian network. Unlike many platforms with similar goals, WALKscope is well-trod: 6,717 sidewalk quality reports populate the map, along with 1,817 intersection quality reports, and 227 pedestrian counts. The information is visible at specific locations as well as in the aggregate for the city. Not that anyone needs another reason to visit the beautiful city of Denver—but using this app to contribute to this cause seems worth a trip.

DE PERTO E DE DENTRO – ESCOLAS SP (DEZ2015)

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Ensaio sobre movimento que desafia o fechamento de escolas e a maré conservadora. Quem são, o que querem e como se organizam os garotos e garotas que estão fazendo São Paulo pensar

Estudar xingamentos não é difícil. O xingamento é anúncio simples, drástico, um slogan que tenta demarcar rispidamente um ponto de vista, uma forma de ver o mundo, uma representação construída sobre pessoas, coisas, instituições. Um xingamento corta a paisagem e tenta ser a verdade. Recruta as nossas faculdades de atenção.

Chamar alunos que ocupam escolas de “parasitas sociais”, porque eles simplesmente não aceitam o novo plano de governo do estado de São Paulo chamado “reorganização escolar” não é só injusto, já que eles estão em conformidade com o direito que lhes pertence. Representa também, muito claramente, o repúdio de uma parcela da sociedade paulista diante dos princípios da dignidade humana estabelecidos em um estado democrático de direito; aquilo que delimita as regras de exercício de poder do estado diante de sua própria administração.

Atentos à ordem e à harmonia social como expressão máxima da sensibilidade política, ignoram a contradição e as lutas sociais como condição essencial do sistema político que os rege; espelham o seu desconhecimento que é distribuído como verdade absoluta; regem o absurdo como uma contra-educação.

A ofensa aos alunos é como a “escola do mundo do avesso”, mundo de pernas para o ar, que na poética de Eduardo Galeano nos ensina a “padecer a realidade ao invés de transformá-la, a esquecer o passado ao invés de escutá-lo e a aceitar o futuro ao invés de imaginá-lo”. Nessa escola, o que vale é o crime das aulas de impotência, amnésia e resignação. Ou, como diz o próprio autor, se Alice voltasse, veria pela janela o mundo de cabeça para baixo.

Porque na escola de Galeano, alunos têm cursos de intolerância, de injustiça, machismo, racismo. Têm aulas de impunidade e de opressão. Esse espaço cruel, de mundo virado, mostra-se como o mais democrático dos locais, porque está em todos os lugares. Trata-se da aceitação geral de que pessoas são mercadorias e, desta forma, são governadas.

Essa sociedade é um cenário pessimista. Ataca alunos que defendem escolas. No livro, a esperança surge pelo combate de grupos contrários a essa lógica que repete o xingamento, jogando o certo no errado e fazendo do errado o certo.

No dia 14/11/2015, a página do G1 descrevia o orgulho de alguns pais diante da reação dos filhos que tentam impedir o fechamento de suas escolas. O Sr. Rabsaque Moreira Cruz, pai de aluno da EE Fernão Dias Paes – uma das primeiras escolas ocupadas – dizia-se orgulhoso, julgando que a “semente da mudança” na educação do estado seria feita pelos próprios alunos do sistema público.

Entretanto, os comentários das notícias cortam essa alegria, dizendo que pais e alunos “são massa de manobra de uma esquerda invasora das escolas”; “alunos deveriam estudar em vez de ocupar o tempo vagabundando em invasões”; que a culpa é da “maldita inclusão digital” que permite o contato dos jovens para fazer “política ordinária”; chamam a polícia e pedem “borrachon nos caras”; pedem “São Paulo para os paulistas” em alusão ao número de migrantes nas instituições; ofendem alunos chamando-os de “parasitas sociais” etc..

Xingar nada esclarece sobre quem são esses jovens e suas famílias, e conta menos ainda sobre o porquê de se opor a uma ideia que é divulgada como certa e racional. Afinal, quem são eles? O que querem? O que os mobiliza?

Breve panorama da situação paulista – Informações e dados

“Reestruturar” a rede de ensino significa separar os estudantes por idade e, para isso, fechar algumas unidades escolares tidas como ociosas. Cada escola, segundo a proposta, deverá ter exclusivamente um dos ciclos de ensino: Fundamental I, Fundamental II, ou Ensino Médio.

De acordo com o Censo Escolar MEC/INEP (2013), São Paulo com a sua rede de ensino mantinha 5.585 escolas. Após a divulgação do plano de reestruturação, as escolas seriam redimensionadas da seguinte maneira: 1.443 escolas de ciclo único; 3.186 escolas com dois ciclos e 479 escolas com três ciclos.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP) anunciou também que a reorganização do ensino escolar afetaria 94 escolas que passariam a outras funções: 25 na capital, 20 na região metropolitana, 45 no interior e 4 na Baixada Santista. Outras 28 escolas estão com destino incerto. Desse total, indicam que 66 prédios poderão abrigar unidades de ensino técnico ou seriam transformadas em creches e escolas municipais.

Ao todo, o plano pretende “liberar” 1,8% das 5.147 escolas do estado. No total, 1.464 unidades estão envolvidas na reconfiguração, mudando o número de ciclos de ensino que serão oferecidos. A SEE-SP divulga que 311 mil alunos serão remanejados, do total de 3,8 milhões de matriculados. A mudança atinge ainda 74 mil professores.

Quadro 1 – Reorganização das escolas públicas no estado de São Paulo

Atualmente

Após o plano

Um ciclo

1.443

2.197

Dois ciclos

3.209

2.635

Três ciclos

495

315

Fonte: Secretaria da Educação de São Paulo – São Paulo (SEE-SP)

As escolas serão separadas, em sua maioria, em unidades de Ensino Fundamental I (1º ao 5º ano); Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano); e Ensino Médio. O número de escolas com ciclo único subiria de 1.443 unidades para 2.197. As escolas do estado com apenas um ciclo contabilizariam 43% das escolas. O número de escolas com dois ciclos cairá para 18%, indo de 3.209 para 2.635. Já a quantidade de escolas com três ciclos cairá para 495 para 315 unidades – contabilizando uma queda de 36%. Segundo a SEE-SP, há 2.956 salas que estavam inativas e a promessa é a de que elas sejam utilizadas.

Os argumentos do governo do estado para a reestruturação

De acordo com a SEE-SP, a ideia de reestruturação acontece por conta de uma redução na demanda por escolas. Desde os anos 1990, o número de alunos caiu de 6 milhões para 3,8 milhões nos dias atuais. O fato parece motivado pela redução da natalidade e pela absorção de alunos pelas redes municipais e particulares.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD/IBGE) mostra que o total de crianças nessa faixa etária foi reduzido em 10%, entre 2001 e 2014. No ano de 2001, havia 10,4 milhões; já em 2014, o número caiu para 9,4 milhões. Segundo a amostragem, esse fenômeno aconteceu por conta da redução na taxa de fecundidade no país, diminuindo o contingente populacional em tempo de “idade escolar”. A amostragem confirma a indicação, já que havia 8,4 milhões de matriculados nos ensinos Fundamental e Médio no estado de São Paulo, em 2007, ao passo que esse número passou a 7,5 milhões em 2014.

O governo do estado também aponta o Sistema de Avaliação das Escolas Estaduais (IDESP) que tem por objetivo estabelecer as metas de qualidade educacional em São Paulo, argumentando que as escolas de ensino Médio com três segmentos tiveram desempenho 7,8% inferior à média do estado em 2014. Por outro lado, segundo a avaliação, as escolas de segmento único ficaram 18,4% acima.

Essa estatística é favorecida nos discursos pela ideia de que os países que seguiram essa tendência de privilegiar as escolas com bons rendimentos separadas por ciclo tiveram os mesmos procedimentos que o estado de São Paulo à caça de bons resultados em indicadores internacionais.

Portanto, os argumentos para a alteração da realidade das escolas se concentram nos aspectos descritos a seguir. Primeiro, que os objetivos de cada escola são traçados levando em consideração o desempenho dos alunos no Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP) e na Prova Brasil, também pensando no fluxo escolar de cada ciclo. Por esse motivo, a unidade escolar passa a ter uma meta diferente para cada ciclo que oferecer. Depois, a necessidade de modificação na estrutura escolar seria natural diante da alteração numérica da demanda de alunos.

Percebe-se que parte da imprensa paulista concorda com esse argumento. Eduardo Zylberstajn, em 19/11/2015, escreveu o artigo “Faz sentido fechar escolas em São Paulo?” no Estado de S.Paulo. O jovem economista julga que “nada mais lógico do que planejar a redução do número de vagas na rede pública, uma vez que a tendência demográfica observada para o Brasil não deve se alterar no curto prazo”. O artigo também coloca a insatisfação dos estudantes e de familiares com algo muito mais intrigante, do que legítimo. Pergunta: “por que toda essa confusão”?

Dimensões pouco esclarecidas do plano

A respeito das explicações da SEE-SP, a interpretação da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas (Unicamp), em documento de 21/10/2015, apresenta outra história.1 De acordo com a moção, o governo não está exatamente realizando uma “reorganização” visando à melhoria da educação oferecida pela rede estadual. Diz que a reforma administrativa visa, antes de tudo, “reduzir gastos da educação e abrir espaço para parcerias com o setor privado”.

O documento indica que os processos apresentados no plano estão explícitos no Projeto de Plano Estadual de Educação, encaminhado pelo executivo estadual para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Diz que a meta 21 de tal documento busca promover “até o final da vigência do Plano Estadual de Educação (PEE), a municipalização dos anos iniciais do Ensino Fundamental”. A ideia seria completar o processo de municipalização do ensino Fundamental já estabelecido. O mesmo documento apela às pesquisas acadêmicas que já entendem a municipalização propagada como um “terreno fértil” para os processos de privatização da escola pública, representados pela aquisição dos denominados “sistemas de ensino”.

Trata-se da aquisição pelo estado dos pacotes oferecidos por grandes editoras ou trustes montados por corporações de comunicação, com seus braços editoriais didáticos. Elas oferecem o sistema de ensino e se prontificam a formar grandes levas de estudantes a partir das determinações de indicadores apresentados pelas tecnologias de avaliação educacional. Cartéis desse tipo, além de capitalizar sobre o ensino público, promulgando uma espécie de inovação tecnológica como o caminho inevitável da educação contemporânea, dinamizam a ação terceirizada da formação de professores, estabelecendo parâmetros curriculares que se sustentam pela contínua aquisição de materiais, objetos, tecnologias que fazem o aparato todo funcionar. São pacotes e serviços completos que incluem “consultorias especializadas”, treinamentos, modelos de avaliação e aulas pré-moldadas, gerando contratos de gerência privada para as escolas de ensino público.

O repúdio da Faculdade de Educação da Unicamp denuncia a associação direta do projeto de reestruturação das escolas a um pareamento de interesses entre o sistema de ensino público paulista com interesses privatistas da educação, por outras vias. Destaca-se a ideia de apropriação dos espaços e equipamentos públicos e privados, buscando a extensão do tempo de permanência do aluno na escola, no sentido de parceria direta. Outro apontamento diz respeito à permanência do léxico empresarial que permeia proposta. Imagens de flexibilização curricular associada às parcerias privadas para a reorganização do ensino e a relação direta entre o acesso ao conhecimento ao favorecimento da empregabilidade por meio de competências e habilidades se destacam no plano. Essa ideia que associa a aquisição de conhecimentos com empregabilidade não é novidade nos documentos paulistas, desde os anos 1990. Tal argumentação, concretizada como um fato, está naturalizada. Todavia sobre ela recaem as críticas diante da aparente boa vontade do governo do estado de São Paulo em melhorar a qualidade na educação a partir da concepção de escolas reordenadas por ciclos.

Isso somado ao fato que o governador Geraldo Alckimin, pelo segundo ano consecutivo, diminuiu a participação da Educação no orçamento total na proposta de orçamento para o ano de 2016. Os recursos para a Secretaria da Educação previstos somam R$ 28,4 bilhões. Isso representa 13,75% do total. A previsão aponta para 13,5% menos com custeio da educação e 3,5% com pagamento de profissionais. Lembrando que não houve reajuste no salário dos professores mesmo com a greve deste ano. O custeio inclui toda manutenção das atividades vinculadas à pasta e será R$ 1,5 bilhão a menos. Para o gasto com pessoal, a previsão é de menos R$ 645 milhões. Esses valores foram atualizados pela inflação (OESP, 28/11/2015).

Em outras palavras, a “reorganização da escola” cria impactos profundos na população que não admite a possibilidade de fechamento de escolas, repudia a transferência dos filhos para locais mais distantes da residência, desacredita no poder público quando este promete a absorção dos docentes e funcionários em escolas remanejadas. A migração de um grande contingente de estudantes incomoda localmente o cotidiano das famílias. Há pouca explicação sobre o que será feito com o patrimônio público. Menos informação ainda sobre os processos de privatização e terceirização do ensino. Gerar preocupação na população e alimentar a desinformação ao determinar um deslocamento em massa de alunos de forma súbita foram ações planejadas que não contabilizaram a contrariedade social expressada na luta política. E, neste momento, estão tratando com um novo e surpreendente movimento estudantil que deixa a sua marca na história do país.

Para finalizar, circula na rede a foto da Escola Móbile, escola particular, famosa por seus excelentes resultados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), apresentando a ampliação de suas edificações. A placa de registro da construção destacada na foto mostra o financiamento do governo do estado de São Paulo através do “Desenvolve São Paulo”, plano de crédito que visa à ampliação de empresas e instituições voltadas ao serviço.

A interpretação sobre a condução privatista da educação não parece ilusão, se levarmos em conta que as escolas em São Paulo não têm inscrição estadual e, portanto, não recolhem tributos à administração pública estadual. Mesmo considerando todos os pormenores da circunstância, já que bancos emprestam dinheiro e cobram juros, só a observação da placa, nesse exato momento, gera mal estar.

Os estudantes que ocupam as escolas. Quem são eles? Como se mobilizam? O que pedem?

O caderno “Educação” da Folha de S.Paulo (26/11/2015) diz que o plano de entrada dos alunos nas duas primeiras escolas ocupadas em São Paulo foi organizado a partir de encontros de alunos em diferentes escolas que passaram a se conversar pelo Whatsapp. No dia 09/11/2015 20 alunos da Escola Estadual Diadema (Grande São Paulo) montaram acampamento da escola. Nove horas mais tarde, mais de 100 alunos entraram na Escola Fernão Dias Paes (bairro de Pinheiros, São Paulo). Os alunos organizam as atividades pelo dispositivo do SmartPhone. Os alunos, não identificados na reportagem, comentam: “A gente conversa com o pessoal de Diadema (pelo Whatsapp). Sabíamos que ia acontecer lá também” (Caderno Educação, FSP, 26/11/2015).

A EE Diadema, a primeira escola do estado ocupada, está situada em um dos municípios da Grande São Paulo, no grande ABC. Ali, alunos do ensino médio noturno começaram a receber telefonemas em casa pedindo para que fossem remanejados para outra escola. A explicação para o fechamento do turno foi a ociosidade de quatro classes. De imediato, os alunos montaram uma página no Facebook chamada “EE Diadema contra a DESorganização Escolar” que se tornou um diário das ações na escola, gesto repetido por quase todas as outras ocupações.2

A escola já abrigou o Centro Específico de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (CEFAM) o que a torna motivo orgulho na cidade, da comunidade escolar, dos ex-alunos. Por isso, se num primeiro momento a questão era impedir o fechamento do ciclo, depois, tornou-se uma luta pela melhoria de toda a escola.

Os alunos iniciaram o movimento com a entrada de grupos na hora das aulas e lá permaneceram. Ficam instalados em colchões e armam barracas para dormir. Não tratam o tempo com ociosidade. Já nessa primeira manifestação, ensaiavam passos de dança, organizavam projeções de vídeo e campeonatos de videogame. Passaram a contatar outras escolas que decidiram agir dessa mesma forma.

Os alunos ganharam autorização por escrito dos pais para lá permanecerem e se alimentam a partir da ajuda dos familiares e contribuições de outras entidades, tais como associações de bairro (Associação Oeste de Moradores) e o Sindicato dos Professores Oficiais do Estado de São Paulo (APEOESP). O apoio do sindicato era esperado, levando em conta que, neste mesmo ano, aconteceu a maior greve da história do estado, com 92 dias de paralisação e mais de 20 manifestações com atuação intensiva de alunos.

A página do Facebook da EE Diadema dá a dimensão do que essa primeira ação se tornou em quase dois meses de atuação, já que a interconectividade é o elemento chave para o entendimento dos fatos. A motivação inicial é contrariar à dita reorganização escolar e o fechamento de escolas. Mas as bandeiras não são de hoje. Luta-se por “menor quantidade de alunos por sala”; “nenhuma punição a estudantes, professores e apoiadores”; “melhoria na infraestrutura das escolas”.

As redes sociais nos contam histórias pessoais, sobre a tristeza de ver a própria escola ser fechada; manifestos juvenis de inconformidade para com as arbitrariedades do governo do estado; pedidos de ajuda para a manutenção do movimento e a ação solidária entre escolas, movimentos espontâneos de grupos, pessoas isoladas e instituições variadas etc.. Os debates e a organização da ação dos estudantes se apresentam como “horizontais”, já que repudiam a ideia de liderança estudantil verticalizada e se orgulham pela fraternidade criada por meio da esperança em conquistar os objetivos.

Em depoimento gravado pelo Whatsapp, alunos de escolas, respondem às seguintes perguntas: Qual é o motivo da união? E como é a experiência da ocupação? Uma aluna de nome Francisca, da EE Pedro Fonseca, no Jardim Monte Kemel, diz que o grupo se uniu sendo contrário ao fechamento das escolas. Relata que no início tiveram medo da polícia na vigília. No entanto, contaram com o apoio da diretora da escola, preocupada com o abastecimento dos jovens. Victor Hugo Pironi, 15 anos, da EE Comendador Miguel Maluhy, diz que não acredita na reorganização porque as salas estão sempre lotadas e aprende-se pouco. Conta que a experiência da ocupação é boa: “fiz novos amigos”, “há cursos interessantes na escola”. Juliana, 16 anos, da EE Wilson Gonzaga, em Embú das Artes relata que a união dos alunos aconteceu depois da tomada de consciência, na última semana, do mal que essa história faz para eles e para gerações posteriores. Diz que a ocupação da escola, ainda que rápida, foi difícil. Parte dos alunos não queria participar. Eles tiveram o apoio do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e, no caso desta escola, não houve a participação da direção. Os alunos e pais foram se informando e aderiram ao ato. Pessoalmente relata que se sente cansada, porque estuda pela manhã, trabalha à tarde e volta para a escola à noite. Ainda assim, afirma que, em uma semana, compreendeu que essa ação tem a ver com o que vem à frente: “porque para se ter o prazer do amanhã, há que se sacrificar certas coisas hoje”.

Nas discussões, há três grupos que são reiterados como porta-vozes confiáveis desse grande movimento: O blog “Mal-Educado”, ligado à entidade “Grêmio Livre”; o Comando de Ocupação das Escolas e a timeline no Facebook “Não fechem minha escola”, esta com apresentação das escolas dentro do movimento em tempo real.

Organizada por estudantes, os três grupos, interconectados com a rede de escolas ocupadas, suprem o grande grupo com informações, notícias, vídeos e comunicados de apoio. No grande rol de informações e comunicações, destacam-se, a nosso ver, três itens: 1) O manual de instrução de ocupações de escola intitulado “Como ocupar um colégio” cartilha operacional confeccionada por estudantes argentinos e chilenos, traduzida, disseminada e, pelo visto, levada a sério pelo movimento. Essa cartilha teria sido apresentada pela primeira vez nas discussões feitas entre alunos de várias escolas em grupos de debates feitos pelo Whatsapp; b) A retroalimentação da luta política a partir dos movimentos dados pelo próprio estado, como, por exemplo, fazer boicote à avaliação do SARESP que aconteceu no dia 24/11/2015; c) A comunicação feita com propriedade pelos manifestos em vídeo, gravações de áudio e comunicados escritos que esclarecem sobre os acontecimentos, as ações. Para além dos slogans, comuns nesses momentos, mostram coerência nos argumentos e ganham apoiadores pela alegria de se mostrarem jovens e aguerridos.

O manual, as táticas políticas, o “ser jovem” em ação nas escolas

Na página “Mal Educado”, encontra-se a cartilha “Como ocupar uma escola” versão on line e impressa. Os próprios estudantes apresentam o documento: “Trata-se de uma tradução que fizemos de dois textos da Frente de Estudantes Libertários da Argentina (FEL). Esperamos que ele seja útil para os milhares de estudantes que estão nas ruas contra o governo fascista de Geraldo Alckmin”. (Cf. https://gremiolivre.wordpress.com/).

A Frente de Estudantes Libertários (FEL) foi criada na Argentina, pela fusão de duas organizações: a “Tendência Anarquista na Educação” e a “Federação de Estudantes Libertários”. O interesse é a militância em torno da causa de estudantes e de outras ligadas à causa operária.3

No caso do Chile, a FEL completou, em 21/05/2013, dez anos de funcionamento. Apresentam-se como uma frente que faz movimento estudantil de base em universidades e liceus chilenos. Uma das principais linhas de luta tem sido exatamente a proteção do ensino público do país, que também passa por reordenação econômica, a partir de interesses gerenciais corporativos, reforçando a dualidade de escolas diferenciadas para ricos e pobre.

A cartilha foi inspirada nas ações dos estudantes secundaristas chilenos que ocuparam mais de 700 escolas (2011) após a conhecida “Revolta dos Pinguins” em alusão aos uniformes escolares do país. Pelo mesmo motivo, buscavam a melhoria da escola pública, contrários ao sucateamento, e se mobilizar contrários aos processos de privatização da escola pública por meio de incentivos financeiros que abriam escolas particulares. Na época, também se posicionaram contra a municipalização do ensino pedindo a manutenção do ensino público pelo governo nacional.

Portanto, não é exatamente uma coincidência que a EE Presidente Salvador Allende, em São Paulo, tenha organizado uma roda de conversa com um ativista do levante estudantil do Chile, em 2011, marcado para o dia 23/11/2015.

O manual diz que a “ocupação não é um fim em si mesma”, mas uma ferramenta de luta utilizada em última instância quando há o fechamento de diálogo com o governo. O objetivo do texto é apresentar a ocupação como possibilidade de concretização do movimento, e não se trata de “fazer festa” em escola, mas usá-la como veículo para se fazer ouvir. Para tanto, apresenta uma lista de procedimentos que buscam a conquista deste objetivo, estimulando para que mais estudantes façam o mesmo.4

O documento compõe uma ação organizada que parte do princípio da gerência democrática feita por meio de assembleias “respeitando a democracia direta”. A assembleia é controlada, inclusive o tempo de fala dos participantes, para desestimular debates muito “longos e chatos”. Nela são organizadas as comissões de trabalho, responsáveis pelos seguintes encaminhamentos:

  • Comida: Encarregada de garantir comida para quem dormirá no colégio. Nas ações, familiares, entidades apoiadoras e alunos apoiando outros alunos se organizam para o abastecimento de quem está acampado nas escolas;

  • Segurança: Ações de controle da entrada e saída de pessoas na escola, para desestimular brigas, consumo de álcool e drogas. Há indicação para que as listas de controle sejam destruídas ao final da ocupação de modo a não deixar registros em caso de futuras represálias, seja pelos dirigentes da escola ou pelo Estado;

  • Imprensa: É encarregada de divulgar a ocupação com comunicados gerais; confecciona notas explicativas da ocupação para a divulgação em todos os veículos possíveis; fazem cartazes que são fixados na porta da escola e a cada dia ampliam apoio a outras causas: pela prisão dos dirigentes da Samarco e responsabilização da Vale do Rio Doce pelo crime ambiental; contra a xenofobia e a repressão aos refugiados da Síria etc..

  • Informação: É a encarregada de difundir a informação dentro da ocupação para que haja uma sintonia entre o que foi decidido em assembleias e os afazeres dentro da escola;

  • Limpeza: É a encarregada de limpar o estabelecimento (varrer, lavar, etc.). Primeiro, para fortalecer a ideia de que o grupo não está ocioso, mas também para não deixar que a sujeira “prejudique a imagem do movimento”;

  • Relações externas: Evita-se a apropriação da luta por meio de partidos ou entidades que passem acima das decisões das assembleias e, no caso brasileiro, inclusive das entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e outras. As comunicações são feitas por meio de delegados escolhidos nas assembleias e maiores de 18 anos. Aconselha-se a gravação das reuniões com autoridades externas;

  • Atividades: Outro caminho para que não haja a associação dos trabalhos internos com vandalismo e vadiagem e que o tempo de ocupação não seja apenas de trabalho. Instigam o lazer, recreação, cursos, expressões artísticas etc..

Essas ações são observadas todos os dias pelas redes sociais. Para quem acompanha os passos do movimento pelo Facebook já está claro, desde o início, que os primeiros grupos já estavam sintonizados com tais diretrizes. Marlene Bergamo, repórter da Folha de S. Paulo, em 15/11/2015, passou quatro dias junto com os alunos da EE Fernão Dias Paes e registrou a organização do movimento “aparentemente sem líderes”; as decisões feitas em assembleias; as atividades recreativas; e a fraternidade de pais e simpatizantes para com a alimentação, o acondicionamento dos jovens e a doação de materiais de limpeza.

Essas ocorrências têm se repetido por todo o estado, apresentando múltiplas configurações que tem a ver com a cultura de cada escola e com interesses que também são territorializados. Uma passada pelas páginas das escolas ocupadas é suficiente para perceber que os jovens estão articulados, a comunicação é direta e que tomam a causa como, historicamente, sua: estudantes se ocupam com a melhoria da educação.

Além disso, dois episódios demarcam bem esse estilo de fazer política interconectada, rápida, irônica e, muitas vezes, piadista.

Um deles é o episódio da reintegração de posse determinada pela Justiça na ocupação das EE Fernão Dias Paes e EE Diadema. Três dias após o início da ocupação, a decretação de “reintegração de posse” foi determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e criou um clima de medo durante as 24h, prazo dado pelo tribunal para a retirada dos estudantes sob ameaça da Polícia Militar. Esses jovens encararam a polícia, o poder público, o alarde da imprensa paulista.

No dia seguinte, o pedido foi suspenso pelo Juiz Felipe Ferrari Bedenti, da 5ª vara da fazenda Pública, alegando que não se tratava de uma questão de retomada de posse da escola, mas de uma “discussão em torno de políticas públicas”. A suspensão do pedido foi decidida partindo da reivindicação dos alunos, do Ministério Público, da Defensoria Pública e APEOESP. Este é o caso de por ordem na “escola do mundo pelo avesso”, por assim dizer, que a posse de uma escola pertence ao aluno. Aliás, é importante destacar que os estudantes têm conquistado respaldo jurídico para a continuidade dos atos.

O promotor João Paulo Faustinoni e Silva, que integra o Grupo Especial de Educação (Geduc) do MP-SP, quando pediu a revisão da reintegração de posse, deixou claro que o poder judiciário “não pode absorver conflitos negados pela postura antidemocrática dos demais poderes” e, ao defender os estudantes, indica que o poder executivo diminui a causa dos jovens, quando diz que eles são incitados por entidades sindicais. Agindo assim, supõe-se que “adolescentes e jovens não sejam sujeitos de direitos e protagonistas nas reivindicações que entendam justas”. (G1, 13/11/2015).

Também, ao negar a liminar pedida pela Fazenda Estadual, o relator do caso, desembargador Coimbra Schmidt disse que o movimento busca debater a questão que tem sido tratada como “polêmica”, quando noticiada pelos meios de comunicação e abuso de direito. Saudoso, escreve que participou de movimento semelhante quando foi aluno do 3º ano do Ginásio Estadual Vocacional Osvaldo Aranha (1968), afirmando que a experiência foi gratificante, “quando bem conduzida e respeitado princípio basilar da democracia que vem a ser o pluralismo subjacente à liberdade de opinião” (Processo nº1045195-07.2015.8.26.0053, 17/11/2015).

Ainda sobre o estilo de política, há ainda o episódio do boicote promovido contra o SARESP. Na página do evento, marcado para os dias 24 e 25/11/2015, está escrito:

O SARESP é um instrumento usado pelo governo do estado para “embasar” suas políticas de educação, mas qual é a principal política de educação do governo hoje? A “reorganização” absurda e o fechamento de escolas. Não podemos legitimar essa política, temos que boicotar o SARESP!

Esse manifesto tem sido acompanhado na web pela seguinte charge:

Como chamar essa ação que se utiliza dos mecanismos de Poder e estratégias da tecnologia de administração governamental para fazer política reivindicatória? Tática? Talvez a maneira de Michel De Certeau, esse grande agrupamento esteja usando todos os mecanismos à disposição no mundo cibernético para fazer circular uma piada que boicota a falta de diálogo do governo do estado, transformando a base dos discursos governamentais, a avaliação do SARESP, em fundamentação da contrapartida estudantil. O movimento sincroniza as suas ações em manifestos e abaixo-assinados globais criando impacto social e uma sensação de consenso que é muito particular à agenda de quem tem poder dominante.5

O foco é “fazer o governo tremer e recuar”, segundo os estudantes.

Fechando o assunto na forma de manifesto

No calor do momento, não há como saber o desfecho desses acontecimentos. Há sim, quem se sinta descontente julgando que todas essas ações sejam “baderna” de aluno “mal educado”. No calor do momento, é possível que a sensibilidade aflore e que essa análise se apresente partidária. Mas, é necessário defendê-los de incriminações quando elas os chamam de “parasitas”, “teleguiados”, “gente burra”.

No áudio vazado da reunião em 29/11/2015, e publicado no site Jornalistas Livres, Fernando Padula Moraes, chefe de gabinete do Secretário da Educação, Herman Voolward, diz que são necessárias “ações de guerra” contra os estudantes em escolas ocupadas. Segundo o áudio o movimento é fruto de aliciamento político dos estudantes com forma de desmoralização das ações nas escolas. Reitera que a reestruturação das escolas acontecerá por Decreto do Governador na próxima terça-feira, dia 30/11, indo na contramão das movimentações.

Tratar os movimentos sociais como caso de polícia é tática antiga. E mais uma vez, vemos ações sociais legítimas sendo jogadas ao lado do crime, de modo a justificar a ação violentas no desmantelamento de pedidos justos. Trata-se daquele movimento de trazer a pacificação, culpabilizando o outro pelo retrocesso social. Tratar os estudantes como crianças revoltadas e guiadas por outros já foi motivo para a prisão e desparecimento de outros jovens em tempos não tão longínquos da nossa história.

Vale lembrar que no movimento de guerrilha apontado pelo chefe de gabinete tem apoio juvenil também. Trata-se do “Movimento Ação Popular”, composto por jovens do PSDB, que repete a máxima de que a ação dos estudantes nas escolas é ato político. Portanto, o potencial juvenil, não é progressista por si só. Esse potencial pode ser usado para retrocessos, principalmente quando se posiciona do lado dos “argumentos justos”.

Já as ações dos estudantes nas escolas procuram se fixar na cultura local, pedem pela educação em geral, mas defendem a sua escola, como seu lugar. Chamam a sociedade para que ela participe do movimento. Pedem pelas redes sociais para que professores doem aulas (#DoeAula)6 que são abertas, com temas e metodologias variadas. Na internet o hub livre com o formulário pedindo aulas foi postado no dia 18/11. No outro dia já contabilizavam 1300 voluntários contabilizados, apresentando mil ofertas de aulas dos mais variados tipos. Estima-se que 3,5 voluntários foram incluídos por minuto.

As notícias sobre as ocupações não necessariamente são de interesse da grande mídia. As redes sociais são o território de luta. Os números de escolas ocupadas são constantemente atualizados; alunos postam a listagem das adesões. Também é pelas redes sociais que se constrói o movimento de coalizão, mostrando que, além de contrariados com as ações da SEE-SP, parte da luta diz respeito à visualização compartilhada de jovens, pares etários, unidos por uma causa.

Tudo isso por causa de uma reestruturação do sistema de ensino? Em São Paulo, já passamos inúmeras vezes por isso, sempre com a bandeira da melhoria da qualidade da educação. Mas, o que se transformou? Porque o que se vê nos milhares de registros são escolas abandonadas, desaparelhadas e a mais forte sensação de que essa realidade nunca será transformada.

A questão da democratização da escola não é um problema restrito ao sistema educativo. O velho lema “Vamos colocar todos na escola” parece ter sido ouvido e os alunos acataram o sentimento de pertencimento ao espaço escolar. Eles dizem “a minha escola” com propriedade. Local onde estudo, faço amigos, me relaciono com outros, me apresento ao mundo como sujeito. Local inventado para aqueles que aguardam a vida adulta, lugar onde se cresce.

Esses estudantes não agiram como nas reestruturações anteriores. E a surpresa da novidade inventada, transnacionalmente circulada, apresenta uma escola além da vida escolar. Os jovens assumiram a função histórica da escola que foi criada e disseminada como espaço do aluno. Ocupá-lo, nesse caso, é fazer uso de algo que já lhes pertence e essas ocupações não são apenas discursos perdidos em panfletagens sindicais ou partidárias: ocupar significa o próprio pertencimento. E faz parte de suas diretrizes mostrá-lo em ações práticas convertidas na melhoria da qualidade do ensino: o mato que se acumula tem sido cortado; limpezas feitas em todas as dependências das escolas; manutenção em banheiros; apagamento de pichações em paredes e carteiras. Acontecem aulas, saraus literários, oficinas de música, debates …

Até o fechamento deste texto, em 28/11 a timeline “Não feche minha escola” contabilizava 191 escolas ocupadas em todo estado. Todos os dias, novas escolas têm planos de ocupação sendo organizados e divulgados.

Acampar nas escolas tem se tornado a assinatura definitiva de que o processo de democratização da educação se faz pelo exercício pleno do direito de lá estar. Coloquemos a história em seu lugar e que ela não seja virada do avesso. Chamá-los de “parasitas sociais” é o mundo de cabeça para baixo. No mundo real, quem parasita para prejudicar a vida de outros não são estudantes. Seria um sonho, se em nosso mundo só existisse o medo de estudantes que estão dentro de escolas…


Katya Braghini é professora doutora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Pesquisadora do PEPG em Educação: História, Política, Sociedade (EHPS/ PUC-SP).

Paula Maria de Assis é doutora em Educação pela PUC-SP. Professora da Faculdade de Campo Limpo Paulista (Faccamp).

Marianna Braghini Deus Deu é sociológica formada pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP). Está participando do movimento de ocupação das escolas.

Andrezza Silva Cameski é mestre em Educação pela PUC-SP. Professora de literatura da rede privada de ensino.

Esse texto é dedicado aos milhares de jovens que na data de hoje, 24/11/2015, já ocupam 174 escolas públicas em todo estado de São Paulo, número que aumenta a cada dia. Marianna Braghini Deus Deu, autora, representa um desses jovens e repassa informações recolhidas pelo Whatsapp sobre os eventos nas seguintes escolas: EE Mary Moraes, EE Pedro Fonseca, EE Comendador Miguel Maluhy, EE Wilson Gonzaga.

1 Petição disponível em: http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR85937, em 24/11/2015

4 O blog do Mal Educado está disponível em https://gremiolivre.wordpress.com/

5 Piadas, irreverência, ironia e pouco caso ao SARESP estão registrados no protesto “Eu faço Saresp porque…” Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=R4Tk6OWp4fY

FODAM_SE

[texto original]

Desferindo empurrões, socos e pancadas de cassetete em uma escola ocupada por alunos contra a reorganização proposta por Geraldo Alckmin (PSDB), um policial militar ignorou completamente os pedidos dos adolescentes que, desesperados, gritavam que eram menores e que não poderiam ser agredidos.

Na medida em que aumenta o número de escolas ocupadas por estudantes de São Paulo que são contra a reorganização escolar imposta pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), aumenta também a violência do governo para acabar com o movimento e desocupar as unidades. Depois de inúmeros relatos de truculência policial contra os adolescentes – que hoje ocupam e administram a rotina de mais de 180 escolas por todo o estado -, um vídeo mostra um policial militar agredindo jovens menores de idade em uma escola ocupada da capital e ignorando os apelos dos estudantes para parar com a violência.

“A polícia não pode bater na gente!”, diz uma estudante, alegando que todos ali presentes eram menores de idade. “Eu quero que vocês se fodam”, respondeu o policial agressor, que continuava a desferir pancadas de cassetetes nos adolescentes.

Em um outro momento do vídeo, sem motivos aparentes, outro agente aparece agredindo um jovem que estava com o rosto coberto por uma camiseta. “Para! Ele é menor!”, apelavam os colegas.

O caso aconteceu na última quinta-feira (26), mas os estudantes não divulgaram em qual instituição de ensino o episódio foi gravado por temerem represálias.

Até o momento da publicação desta nota a Polícia Militar não havia se manifestado sobre as denúncias.

Comentários

SIMULADOR DE CRESCIMENTO

[texto original]

There is no game over” in Cities: Skylines, just 400 or so citizens rattling around the remains of my city. Whole districts are abandoned, public services have been shut down, employment has collapsed and the budget is crippled by Greek magnitudes of debt. There is also no democracy, or I would have been voted out of office long before the lights went out. “Where has everybody gone? #ghosttown” peeps my timeline. I had tried to break the rules of the game, and ended up with a broken city.

I wanted to use Cities: Skylines to test an alternative economic model which challenges the assumption that growth is only good. In a world of finite resources, is it sensible, or even possible, to plan for infinite growth? Or as Tim Jackson asks, is it possible to achieve prosperity without growth? Could the game be bent to build a post-growth city where the economy is based on social exchange rather than consumption?

I lay out my post-growth city within a circle, as a finite boundary for development and a nod to the heritage of quixotic planning, from Howard’s Garden City to Burning Man’s Black Rock City. I start with a kind of unproductivity plan: keep growth slow and employment high. Jobs are in teaching, healthcare and public service – professions that contribute meaningfully to society and directly improve the quality of our lives. All energy production is renewable. Industrial districts are zoned for agriculture and forestry. There are no offices, no shops, and no landfill sites.

The soundtrack changes tone, from soft strings to a more ominous-sounding brass section
At first, it seems to work. People are healthy and well educated. Crime is almost non-existent. But my citizens are insatiable consumers, infuriated by the boredom of a good quality of life, and it doesn’t take long for them to balk at my pious, dematerialistic policies. I get complaints that “there’s nothing to do at weekends”. The blue bar, showing demand for commercial space, fills to the top. The game lectures me: “People want places to shop and enjoy themselves.” I’m tempted to placate them with a “Statue of Shopping”.

Ghost town. “There’s nothing to do on weekends. I would like to go shopping and eat out”.
The citizens grow restless. “There’s nothing to do on weekends. I would like to go shopping and eat out”
Instead, I invest more in public services. I build high schools, fire stations and bus routes. I plant trees on every street and put public spaces in every district. The logic of the game quantifies the benefits of this public infrastructure through private interests: “Parks and plazas raise the value of land around them, making citizens happy”. It also calculates infrastructure as a liability, which starts adding zeros to the expenses column of my budget. I’m soon pushing taxes up to 14% to balance the books, but this causes people to leave town in droves, shrinking my tax base and leaving behind vacant buildings.

Cities: Skylines challenge – can I build the world’s greenest city?
The soundtrack changes tone from soft strings to a more ominous sounding brass section. The game urges me to “Grow the city!” It offers policies to liberalise work-safety rules to boost productivity. I resist, but eventually have no choice but to take out a troika of loans at unfavourable rates. I’ve now been lured into a dependence on growth to service the public debt. But with no growth forthcoming, the city is on the brink of bankruptcy and I’m forced to accept the terms of a bailout.

Cities: Skylines’ answer to whether we can achieve prosperity without growth is a resounding no. The game’s boomtown model is of course incompatible with post-growth theory. But then I found other aspects of its code incompatible with my experience of the messy reality of working as an urban planner in London. The game doesn’t account for the joys and challenges of local politics, heritage, or hand-to-hand negotiation with developers. So was the decline and fall of my city a failure of my ambition, the game, or society? I’d suggest that the goal of the game – rapid urban growth from scratch – isn’t the goal we should have as city makers in the developed world. What we could really use is a game that helps us develop and test a compelling alternative.

10 [POR NOAM CHOMSKY]

[texto original]

1. A estratégia da distracção. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, presa a temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à quinta com outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).
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2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Esse método também é denominado “problema-reacção-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reacção no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam que sejam aceites. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja quem pede leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos.

3. A estratégia da gradualidade. Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições sócio-económicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. A estratégia do diferimento. Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e desnecessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacríficio imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregue imediatamente. Logo, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se ao público como se fossem menores de idade. A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adoptar um tom infantilizante. Por quê? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão de factores de sugestão, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.

6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos…

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeia entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. Levar o público a crer que é moda o facto de ser estúpido, vulgar e inculto.

9. Reforçar a autoculpabilidade. Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de revoltar-se contra o sistema económico, o indivíduo se auto-desvaloriza e se culpabiliza, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de agir. E sem acção, não há revolução!

10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento e avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos.

TODOS LOS MAPAS QUE CONOCES ESTAN MAL

[texto original]

Cada cierto tiempo, alguien nos recuerda que todos los mapas están mal. Como este tuit.

Estos mapas con el sur arriba no son los que se usan habitualmente en Australia, pero sí son comunes como forma de mostrar que la orientación con el norte arriba es arbitraria: podría ser cualquier otra. De hecho, en el plano se aprecian tres de los problemas con los que se han encontrado los cartógrafos a lo largo de la historia.

1. ¿Hacia dónde oriento el mapa?

Nos parece tan obvio que los mapas estén orientados hacia el norte que olvidamos que es una convención y que norte y arriba no son sinónimos. “No hay ninguna razón puramente geográfica por la que una dirección sea mejor que otra, o por qué los mapas occidentales modernos han naturalizado la asunción de que el norte debería estar arriba”, escribe Jeremy Brotton en Historia del mundo en 12 mapas.

De hecho, en los mapas medievales judeocristianos y hasta finales del siglo XV, la Tierra se representaba orientada hacia el este, con Asia arriba, Europa abajo a la izquierda y África abajo a la derecha, como en el mapamundi de San Severo. Al fin y al cabo, “orientar” viene de “oriente”.

Mapamundi del Beato de San Severo. Wikipedia

El este se prefería en muchas culturas por ser la dirección por la que salía el sol, siendo el sur la segunda dirección en preferencia. El oeste se asociaba con la decadencia y la muerte, y el norte, “con la oscuridad y la maldad”. No en todas partes: los mapas babilonios y chinos, por ejemplo, se orientaban al norte, igual que los propuestos por el astrónomo Ptolomeo en el segundo siglo después de Cristo. Sí parece sensato que los mapas para navegar tengan en cuenta el eje norte-sur, dado el uso de brújulas, pero Brotton nos recuerda que se podría haber optado por el sur con la misma facilidad.

Por cierto, “todos los estudiosos de la Edad Media sabían que la Tierra era una esfera”, explica Umberto Eco en Historia de las tierras y los lugares legendarios,citando a Dante, Orígenes, Ambrosio, Alberto Magno, Tomas de Aquino e Isidoro de Sevilla, que incluso calculó la longitud del Ecuador. De hecho, las dudas sobre la ruta que proponía Colón no se debían al temor a que cayera por un abismo, sino porque se creía que Colón se basaba en un cálculo optimista acerca del tamaño de la Tierra y que su ruta no era tan corta como pensaba (y no lo era).

Si a alguien le quedan dudas acerca de lo arbitrario que resulta orientar un mapa en cualquier dirección, no tiene más que ver esta foto. Es la Tierra tal y como se fotografió desde el Apolo 17, con el polo sur arriba. Sí, normalmente se le da la vuelta para que nadie se ponga nervioso.

Esa isla del centro es Madagascar. NASA

2. ¿Qué pongo en el centro?

Como se puede ver en el mapa del tuit, Australia está situada en medio. La mayoría de los mapas “ponen la cultura que los produjo en el centro”, como explica también Brotton. Lo cual tiene sentido no sólo político, sino también práctico: es similar a cuando abrimos Google Maps y lo primero que queremos saber es dónde estamos para saber qué camino hemos de seguir.

“¿Nunca has querido ser el centro de atención de forma tan exagerada que partes Asia en dos?”, se pregunta este meme sobre los mapas americanos que ponen a este continente en el centro

El centro tiene un valor simbólico, como en el caso del mapamundi de la catedral de Hereford, que se dibujó alrededor del año 1300 en Inglaterra, pero que coloca a Jerusalén en su punto medio. O como el mapa del logo de las Naciones Unidas, con centro en el polo Norte, para que no se enfade nadie, de modo similar a la proyección que hizo el estadounidense Richard Edes Harrison durante la Segunda Guerra Mundial, con otros objetivos: mostrar tanto la importancia del avión en el conflicto como el lugar que ocuparían Estados Unidos y la Unión Soviética tras la guerra.

3. ¿Cómo dibujo una esfera en un plano?

Este es uno de los problemas más complejos para los cartógrafos, explica Brotton, ya que es imposible proyectar una esfera en una superficie de dos dimensiones sin que haya algún tipo de distorsión en la forma o en los ángulos. Pongamos por ejemplo un mapa que sigue la proyección de Mercator, en cuyo plano de 1569 se basan muchos de los actuales.

Mapa de Mercator. Strebe / Wikipedia

Tal y como recuerda este vídeo de Buzzfeed, este mapa contiene proporciones que no son correctas.

Mercator “trató el globo como un cilindro y mantuvo los ángulos cuidadosamente en su superficie”, explica Brotton. Los meridianos no convergen como deberían y por eso la Antártida parece tan grande y Groenlandia tan extensa como Sudamérica, a pesar de tener sólo una octava parte de su superficie. Además, Europa parece el doble de amplia que Sudamérica, cuando realmente es la mitad. Eso, entre otras distorsiones.

Pero aunque parezca extraño, el Mercator no es, ni mucho menos, un mal mapa: estas distorsiones permiten mantener mantener los rumbos marinos en líneas rectas, que era uno de sus objetivos. Y, por ejemplo, Google Maps, Bing yOpenStreetMap usan una variante del Mercator para sus planos a gran escala, ya que sus “rectángulos simétricos se adecúan perfectamente a los mosaicos de píxeles que conforman un mapa digital”, explica Simon Garfield en En el mapa.

Mercator en Google Maps, como se puede apreciar por el tamaño de Groenlandia, por ejemplo

Es decir, todas las proyecciones tienen sus ventajas, pero también sus inconvenientes (y distorsiones, que se pueden medir con los indicadores Tissot). Incluso la de Arno Peters, de 1973. En su mapa, los continentes del norte aparecen radicalmente reducidos en tamaño, mientras que África y Sudamérica se muestran como “lágrimas enormes resbalando hacia la Antártida”, apunta Brotton. Este plano pretendía superar los errores de proporciones del Mercator y poner en evidencia que nuestra forma de ver el mundo tiene consecuencias políticas. El mapa de Peters fue el más vendido durante las dos décadas siguientes y fue adoptado por entidades como las Naciones Unidas y Oxfam. Llegó incluso a la serie El ala oeste de la Casa Blanca, donde un cartógrafo pronuncia la frase: “Nada está donde crees que está”.

Proyección de Gall-Peters. Strebe / Wikipedia

Pero esta proyección también tiene distorsiones y errores de cálculo: por ejemplo, Nigeria y el Chad aparecen el doble de grandes. Para colmo, Peters tampoco dijo que se había basado en el trabajo de James Gall. A pesar de todos estos defectos, Brotton recuerda que su gran mérito es que “obligó a los cartógrafos a admitir que sus mapas nunca habían sido y nunca podrían ser ideológicamente neutrales o representaciones científicamente objetivas”. Esto también ayudó a que se crearan (o recuperaran) proyecciones adecuadas para usos específicos, teniendo en cuenta que cada una tiene sus aplicaciones.

Por ejemplo, la proyección del mapa australiano del tuit del principio es la Hobo-Dyer, de 2002 y similar a la Gall-Peters. Este otro mapa es el de Robinson, de 1963 y comina elementos de los mapas de Mercator y Gall-Peters, además de intentar simular cierta curvatura, aunque esto lleva a distorsión en las zonas altas y en los extremos.

Proyección de Robinson. Strebe / Wikipedia

La de Goode, de 1923, mantiene la proporción de tamaños, pero las direcciones y distancias no son fidedignas.

Proyección de Goode. Strebe / Wikipedia

La Dymaxion, de R. Buckminster Fuller es un icosaedro diseñado en el que se mantienen las formas y dimensiones, e intenta representar los continentes en un continuo.

Proyección Dymaxion. Eric Gaba / Wikipedia

La Winkel Tripel es de 1921 y es una de las que ofrece menos distorsiones. Desde 1998, National Geographic la usa como su proyección estándar, reemplazando así a la Robinson.

Proyección Winkel Tripel. Strebe / Wikipedia

A medida que nos hemos familiarizando con la imagen del mundo, los mapas se usan para reflejar temas sociales, políticos y económicos. De hecho, los planos se distorsionan adrede para reflejar estos asuntos. Uno de los principales ejemplos de esta tendencia es el Atlas of the Real World: Mapping the Way We Live(1998), en el que Daniel Dorling, Mark Newman y Anna Barford dibujaron 366 mapas adaptándolos según datos demográficos, de inmigración, de mortalidad infantil y de mortalidad en conflictos bélicos, entre otros temas. En esta línea,este mapa de TeaDranks, usuario del foro Reddit, muestra los tamaños de los países según su población en 2015. Australia y Canadá casi desaparecen y la India es más grande que África.

Tamaño de los países según su población en 2015. TeaDranks / Reddit

Este otro de Jan Van der Weijst ajusta los tamaños según la población encarcelada por 100.000 habitantes en cada país.

Mapamundi con los tamaños de los países ajustados según su población encarcelada. Jan Van der Weijst

Los mapas también nos pueden servir para ver el tamaño de África en perspectiva. Y eso que este ejemplo sigue la proyección de Mercator: por ejemplo, el Reino Unido en realidad tiene la mitad de extensión que Madagascar y no más o menos la misma.

El mapa anterior cobra especial relevancia si además lo comparamos con la riqueza de cada país.

BRASILIA EM CONSTRUCAO

[texto original]

Brasília em Construção por Marcel Gautherot

Brasília, a capital federal do Brasil, foi projetada pelo arquiteto-urbanista Lúcio Costa – inicialmente – para 500 mil habitantes (atualmente possui mais de dois milhões). Sua construção iniciou-se em 1956 e contou com inúmeros edifícios desenhados pelo nosso arquiteto Oscar Niemeyer. Brasília é a única cidade do século XX declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

A seguir, apresentamos algumas fotografias do fotógrafo franco-brasileiro Marcel Gautherot durante sua construção. Nelas aparecem emblemáticos edifícios como o Palácio do Planalto, a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida e o Congresso Nacional, todos obras de Niemeyer.

© Marcel Gautherot

© Marcel Gautherot

© Marcel Gautherot

© Marcel Gautherot

© Marcel Gautherot

© Marcel Gautherot

© Marcel Gautherot

© Marcel Gautherot

© Marcel Gautherot

© Marcel Gautherot

CICLOVIAS NA HOLANDA E CARROS X BICICLETAS – POR BLOG BICYCLEDUTCH (MARK WAGENBUUR) E AGÊNCIA SALVE.

Modulação

CARROS X BICICLETAS

Nós adoraríamos se tivéssemos ciclovias seguras para utilizá-las. A competição entre carros, motos e ônibus é desleal e o ciclista (como o pedestre) são violentamente intimidados a não usarem as ruas. Estes dois vídeos expõem o desejo de utilizar as “bikes”, e como as cidades Holandesas encararam o problema.

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