VAZIOS

[texto original]
Representantes do setor hoteleiro e donos de construtoras estão dispostos a pressionar a Prefeitura de Belo Horizonte para minimizar os prejuízos milionários deixados pela Copa do Mundo do Brasil, que teve a capital mineira como uma de suas cidades-sede. O proposta já em negociação com a Câmara Municipal é criar uma emenda à Lei 9.952, exigindo que os hotéis construídos com o incentivo não precisem cumprir o prazo mínimo de 10 anos como atividade hoteleira genuína.
Como legado, o mundial deixou para o setor mais de 1.000 desempregados, hotéis fechando as portas e outros, às moscas. Nove empreendimentos paralisaram as obras, deixando danos financeiros a diversos investidores. O último levantamento pela JR & MvS Consultores mostra que, em quatro anos, os hotéis catalogados em Belo Horizonte saltaram de 89 para 126. Dos 13.500 apartamentos disponíveis hoje, a taxa de ocupação não passa dos 35%. Para piorar o cenário, caso os empreendimentos paralisados sejam concluídos, o número de apartamentos disponíveis subirá para 15.204.

“Estamos capitaneando uma proposição a ser aprovada pela Câmara Municipal que viabilize a transformação destes hotéis em outras atividades afins, tais como flat service, apart-hotéis, residenciais com serviços pay-per-use”, informou o consultor Maarten Van Sluys.

Para o também especialista no setor hoteleiro e ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH-MG), José Aparecido Ribeiro, o projeto está sendo pleiteado, já que a prefeitura não cumpriu sua parte no acordo, que era fazer centros de convenções e captação de eventos. Segundo ele, há um desequilíbrio entre oferta de quartos de hotel e demanda de hóspedes, porque o inventário praticamente dobrou na capital. “Se os hotéis que não ficaram prontos no prazo saírem, o que está ruim vai virar o caos. Os hotéis estão com ocupação baixíssima, sendo que seis já fecharam e vários estão tendo prejuízos. A flexibilização da lei é a única saída para não piorar o mercado e não deixar os esqueletos de prédios como estão”, disse Ribeiro.

Na região da Pampulha, um esqueleto do que seria o Hotel Bluetree, com 327 unidades, é apenas um exemplo de empreendimento que teve sua obra paralisada no final de 2014. Proprietário do terreno, o empresário Rômulo Figueira Martins entrou com permuta em troca de 74 apartamentos. Hoje, cem unidades ainda estão à venda. A ideia dele é transformar o hotel em apartamentos feitos para se morar, trabalhar e se divertir. “O prefeito precisa se sensibilizar e aprovar a flexibilização da lei no segmento para não transformar a capital num mausoléu de hotéis”, cobrou o empresário.

Há casos de sucesso, mas todos pedem redução do IPTU

Em meio à crise, alguns hotéis administram bem a situação e até investem em melhorias, como o caso do San Diego Suítes Pampulha. Segundo o superintendente da Arco, Simonal Dias, a empresa tem agido em conjunto com os proprietários dos apartamentos e incorporadora, “a fim de encarar a crise como oportunidade”. “O San Diego está recebendo investimentos para modernização do restaurante e adequação de salas de eventos para tirar maior proveito quando os cenários hoteleiro e econômico se recuperarem”, declarou. Segundo Dias, a empresa apoia as reivindicações do setor, como regime especial para tributação do ICMS da energia e redução do IPTU.

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